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5 marcas de carro que devem ser evitadas no Brasil em 2026

Falta de peças, mecânica problemática e abandono de mercado fizeram alguns modelos em verdadeiros carros órfãos

6 min de leitura

Comprar carro usado barato pode parecer um ótimo negócio. Entretanto, existe uma armadilha que muita gente ignora no mercado brasileiro, os chamados carros órfãos. E o problema deles vai muito além da simples desvalorização.

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Quando uma montadora abandona o país, encerra operação ou vende poucos carros, o consumidor fica praticamente sozinho. As peças desaparecem, mecânicos evitam mexer nos modelos e até pequenas colisões podem fazer o carro em perda total.

Desta forma, alguns veículos baratos acabam sendo verdadeiras bombas-relógio financeiras e essas marcas devem ser evitadas se você não quer problema. Por isso, o Auto+ selecionou cinco montadoras que deixaram dores de cabeça enormes para proprietários no Brasil.

Lifan

Lifan 320 [divulgação]
Lifan 320 [divulgação]

A Lifan teve uma passagem extremamente problemática pelo Brasil. A marca montava veículos no Uruguai em regime CKD, usando componentes importados da China. Porém, após o encerramento da operação sul-americana, o fluxo de peças praticamente desapareceu.

O maior símbolo disso foi o Lifan X60. Na época, o SUV vendeu relativamente bem porque custava menos que vários compactos nacionais. Todavia, o envelhecimento do modelo revelou a sua fragilidade em diversas peças de acabamento. 

Lifan X60 azul de frente com os faróis ligados
Lifan X60 [divulgação]

Por exemplo, as maçanetas quebram facilmente, botões dos vidros param de funcionar e peças simples de acabamento praticamente sumiram do mercado. Além disso, lanternas traseiras sofrem com a infiltrações, criando aquele aspecto esverdeado típico de fungo interno.

Mecanicamente, o grande pesadelo aparece no câmbio manual. O rolamento do eixo piloto costuma desgastar precocemente e gera um ruído alto e, em casos extremos, quebra a própria carcaça da transmissão. O problema fica ainda pior porque achar peças novas exige garimpo em desmanches ou importações extremamente demoradas.

Chery da era pré-Caoa

Chery QQ
Chery QQ [divulgação]

Existe uma divisão muito óbvia entre os carros antigos da Chery e os modelos produzidos após a chegada da Caoa. Antes disso, QQ, Cielo e Celer ficaram conhecidos pela construção extremamente simples e pela baixa robustez estrutural.

O Chery QQ talvez seja o exemplo mais clássico por ter sido o carro mais barato do Brasil. Embora tenha atraído os consumidores pelo seu preço baixíssimo já trazendo o famoso kit dignidade, o subcompacto sofria bastante nas ruas brasileiras.

Chery QQ
Chery QQ [divulgação]

Sua suspensão era frágil, as buchas com baixa durabilidade e plásticos externos que ressecavam rapidamente foram os problemas comuns. Além disso, itens básicos como cabo do acelerador e trambulador do câmbio quebravam sem aviso.

No caso do Chery Cielo e do Celer, a situação ficou ainda mais complicada porque os carros tiveram vida curta no mercado brasileiro. Resultado: até concessionárias atuais da Caoa Chery não possuem várias peças desses modelos no catálogo. Assim, proprietários ficaram reféns de importações da China ou peças usadas de procedência duvidosa.

Geely

Geely EX7 estático com fundo branco de frente
Geely EX7 [Divulgação]

Hoje a Geely controla marcas gigantes como Volvo, Lotus, Zeekr entre outras diversas. Além disso, a fabricante chinesa é gigantesca hoje no mundo e no Brasil está muito forte com a compra de 26% da Renault e com produtos de qualidade. Entretanto, sua primeira passagem pelo Brasil foi um fracasso enorme.

Operada pelo grupo Gandini entre 2014 e 2016, a marca vendeu poucas unidades do Geely EC7 e do EX7 antes de abandonar o país. O principal problema aparece justamente no baixíssimo volume de carros vendidos. 

Geely Ec7 prata em movimento de lado
Geely EC7 [Divulgação]

Como quase ninguém comprou esses modelos, fabricantes de peças paralelas nunca se interessaram em produzir componentes de reposição. Desta forma, discos de freio, amortecedores e componentes específicos precisam ser importados individualmente ou adaptados de outros veículos.

Isso cria uma situação absurda. Uma colisão relativamente simples pode virar perda total porque importar farol, para-choque e capô custa mais caro que o próprio carro na tabela Fipe. Ou seja, o proprietário fica nas mãos da sorte.

Mahindra

Mahindra MOV
Mahindra MOV [Divulgação]

A Mahindra tentou operar no Brasil por meio da Bramont, montando utilitários e picapes em Manaus. Porém, a operação acabou encerrada em 2015 após vendas extremamente baixas. Os veículos tinham perfil totalmente voltado ao trabalho pesado e uso rural. Entretanto, manter um deles funcionando atualmente virou missão quase impossível.

O maior problema aparece no conjunto mecânico diesel importado. Embora os motores fossem robustos inicialmente, qualquer falha mais séria dava um prejuízo enorme. Uma turbina, sistema de injeção ou retífica de cabeçote exigem peças praticamente inexistentes no mercado brasileiro. Além disso, muitos mecânicos sequer conhecem o funcionamento desses motores.

Mahindra Scorpio
Mahindra Scorpio [Divulgação]

O dono também sofre bastante com itens de acabamento, sistema 4×4 e componentes internos. Em vários casos, proprietários recorrem a fóruns para descobrir adaptações usando peças de picapes nacionais.

Primeiros elétricos da JAC

JAC iEV20 (divulgação)

A JAC Motors mudou completamente sua estratégia nos últimos anos e passou a focar em carros elétricos. Contudo, os primeiros modelos dessa fase envelheceram muito mal.

Veículos como iEV20 e iEV40 chegaram ao Brasil em pequenos lotes, ainda antes da padronização atual da infraestrutura elétrica nacional. O principal problema aparece no padrão de tomada GB/T, utilizado nos primeiros elétricos chineses. 

JAC iEV40 (divulgação)

Como o Brasil adotou majoritariamente Tipo 2 e CCS2 nos carregadores rápidos, muitos proprietários dependem de adaptadores caros e nem sempre compatíveis. Além disso, essas primeiras baterias não possuem gerenciamento térmico tão eficiente quanto os elétricos atuais. Com isso, a degradação química acelera ao longo dos anos.

E existe um detalhe cruel nisso tudo. Caso o pack de baterias dê falha, o custo de substituição supera facilmente o valor do próprio carro usado. Portando, alguns desses elétricos antigos podem virar literalmente um peso de papel de duas toneladas na garagem.

E você, teria coragem de comprar algum desses carros de montadoras duvidosas? Deixe seu comentário! 

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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