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Honda CR-V Touring 2021, mas pode chamar de Civic Cross | Impressões

Mais próximos do que aparentam, os irmãos Civic e CR-V mostram estado da arte da Honda no Brasil, mas o preço alto do SUV médio pode assustar
Honda CR-V Touring [divulgação]
Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]

Civic e CR-V sempre tiveram uma relação bem próxima. Afinal, eles compartilham plataforma e diversos componentes. Mas parece que essa relação entre eles está cada vez mais próxima. Tanto que se a Honda resolvesse dar uma de Toyota e chamar o CR-V de Civic Cross, o nome pegaria sem o menor problema.

Reestilizado e mais equipado, o Honda CR-V Touring 2021 desembarca no Brasil para ser o SUV topo de linha da marca japonesa. Carregando consigo parte do conjunto mecânico do Civic, ele consegue ter o mesmo charme do sedã em uma corpulenta carroceria de SUV médio? Levamos o modelo vendido em versão única Touring por R$ 264.900 para um teste rápido.

Serenidade e silêncio

O ponto em que o CR-V mais impressiona é o silêncio a bordo. O isolamento acústico feito pela Honda é digno de modelos premium – algo que seu preço acaba mirando. Não há ruído do motor, exceto em giros mais altos. A atuação da suspensão não se faz presente e o único som ouvido é o dos pneus quando o asfalto fica ruim.

Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Como o sistema de som premium traz 6 alto-falantes, 2 tweeters e um sub-woofer, além de alta qualidade, faz com que os ruídos externos sejam abafados pela música dentro do SUV. Entra nessa questão de silêncio e serenidade o trabalho da suspensão. Ela é tipicamente Honda, ou seja, firminha. Contudo, o acerto é mais voltado ao conforto, absorvendo bem as imperfeições do solo.

O CR-V acaba por contornar curvas quase tão bem quanto o Civic. Mérito da tração integral acionada sob demanda. Mesmo com uma carroceria alta e volumosa, ele se da bem em trechos mais sinuosos e que demandam um bom trabalho de volante e dos pedais. Ainda assim, passa por buracos melhor que seu irmão sedã.

Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]

Tipo Si

Debaixo do capô reside o mesmo motor 1.5 quatro cilindros turbo usado pelo HR-V Touring, Civic Touring e até pelo esportivo Civic Si. No CR-V Touring são 190 cv e 24,5 kgfm de torque. Atrelado ao câmbio CVT com simulação de marchas, o SUV médio é bastante esperto e anda bem.

O pedal do acelerador é um tanto quanto dorminhoco nos primeiros centímetros de atuação, sendo preciso pressionar mais fundo para que ele passe a atuar. Nesse momento, o CVT patina antes de fazer o CR-V embalar. Ou seja, não vai ser um SUV para fazer arrancadas e que, como outros modelos da marca, vai fazer gritaria com o pé em baixo.

Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Contudo, ele ganha velocidade sem grandes dificuldades e entrega todo torque com linearidade e conforto. Dificilmente o ponteiro do conta-giros digital passará dos 3 mil rpm, a não ser que você pise fundo. Mesmo na estrada ele mantém a rotação baixa para economizar combustível e entregar conforto à bordo.

A direção é mais rápida e direta do que se espera de um SUV pensado para o mercado norte-americano. De brinde, ainda tem couro aveludado com qualidade muito superior ao material usado na linha nacional da Honda.

Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]
Honda CR-V Touring [Auto+ / João Brigato]

Madeira de mentira

Por falar em qualidade, a cabine do Honda CR-V Touring é exemplar para sua categoria. Ele tem materiais macios ao toque em boa parte do painel, além de bons encaixes. Vacilo somente na região do botão de partida, justamente onde o motorista coloca mais a mão, ser de plástico duro de qualidade questionável.

O painel tem imitação de madeira com verniz aveludado contrastando com plástico emborrachado costurado e uma faixa black piano. É um layout de bom gosto e elegante. Os bancos são confortáveis e revestidos em couro de qualidade. A vastidão de regulagens permite dirigir bem baixo e com o volante perto do corpo, quase como em um sedã.

Há de notar que o painel estilo minivan liberou espaço no console central para abrigar um descansa braço com um verdadeiro alçapão. Com diversas divisões removíveis, o espaço é capaz de abrigar uma bolsa de porte médio sem o menor problema. Atrás, muito espaço para as pernas e cabeça, com direito a piso quase plano.

Tecnologia a serviço

Um dos destaques da linha 2021 do Honda CR-V foi a adoção do sistema Honda Sensing. Esse pacote engloba piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de manutenção em faixa e alerta de mudança de faixa. Os sistemas funcionam em harmonia e controlam bem o carro.

Não são tão precisos quanto o sistema semiautônomo do Ford Bronco Sport, mas dão conta do recado. O CR-V é um tanto quanto bruto nas frenagens e tem costume de parar longe demais do carro à frente em um sinal. Além disso, o sistema de manutenção em faixa só funciona em velocidades mais altas.

A central multimídia é a mesma dos outros modelos da Honda. Conta com Android Auto e Apple CarPlay, mas é um pouco mais lenta do que gostaria e a tela tem definição apenas ok. A câmera do retrovisor lateral ajuda bastante na hora de uma curva, mas causa um enorme delay para a central multimídia voltar a funcionar normalmente.

[Auto+ / João Brigato]
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Ainda sobre os itens de série, o Honda CR-V Touring tem seis airbags, teto solar panorâmico, carregador de celular por indução, farol com acendimento automático, sensor de chuva, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, câmera de ré, controle de tração e estabilidade, teto solar, chave presencial e faróis full-LED.

Veredicto

Recheado de itens de série, com acabamento primoroso e condução muito próxima à do Honda Civic, o CR-V Touring se posiciona em uma perigosa faixa de preço no mercado brasileiro. Ele é um SUV médio de marca generalista com preço de SUV compacto de marca premium.

[Auto+ / João Brigato]
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É justamente a fatia de mercado que o aventureiro Ford Bronco Sport e o híbrido Toyota RAV4 estão. Dos três, o Honda CR-V é o mais esportivo, com acabamento mais refinado e espaço interno mais farto. E só não é o mais caro por causa do RAV4. É um carro que entrega muito, mas também cobra muito por isso.

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João Brigato

2 Comentários

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  • Alguém consegue me explicar como um erro de projeto crônico e infeliz perdura na montadora Honda em quase todos os carros?
    A saída do ar condicionado do lado direito do volante não veda, prejudicando a direção confortável, principalmente a longas distâncias.
    Acabei de adquirir um modelo HRV 2021 zero km, e quando questionei e demonstrei minha insatisfação com o modelo devido ao incômodo da ventilação, disseram que era ‘normal’.
    Já tive muitos carros, e pra mim, ‘normal’ é fechar a saída de ar quando desejado! A 20 anos atrás quando comecei a dirigir já era opcional deixar o vento ou não na mão direita do volante.
    Fiquei intrigada com a incapacidade da montadora de resolver um detalhe tão simples.
    Algum outro carro/montadora, que produz carros somente acima de 100mil, que não feche a saída de ar 100% quando desejado??