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Honda New Civic Si: como é dirigir o clássico em 2021? | Impressões

Um dos mais emblemáticos carros produzidos no Brasil, o Honda Civic Si ainda consegue encantar mediante tanta modernidade?
Honda Civic Si [@almaautomotiva / Auto+]
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Existem carros que atingem o status de clássico mesmo sem completar 30 anos de vida. E esse é o caso do Honda Civic Si de 8ª geração: aquela popularmente conhecida como New Civic. Ele foi o único Si produzido no Brasil e era o tipo de carro que vivia no imaginário de todo entusiasta automotivo.

Devo admitir que sou adepto das novidades e dos carros mais novos. Aliás quanto mais novo, melhor. E sempre fui fã do Civic, especialmente das versões Si. Mas faltava dirigir a versão nacional. Justamente a geração com mais alma e que tenho como preferida, mas que não havia dirigido até então.

Por isso, Auto+ e Alma Automotiva (@almautomotiva) se juntaram em uma parceria para promover esse encontro. Duas unidades do Civic Si, um do modelo pré-reestilização e outro com o visual renovado, foram gentilmente cedidas por colecionadores de São Paulo para esse teste retrô.

Honda Civic Si [@almaautomotiva / Auto+]
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Aspirado no mundo dos turbo

Hoje em dia um esportivo fora das marcas de luxo precisa de um motor turbo para se manter dentro da legislação. Salvo a rara exceção do Renault Sandero RS. Mas em 2007, quando o New Civic Si foi lançado, isso não era problema. Ele contava com motor 2.0 quatro cilindros aspirado de 192 cv e 19,2 kgfm de torque.

São números que o Civic de hoje em dia não consegue alcançar. Os modelos 2.0 aspirados entregam 150 cv, enquanto o Touring com seu motor 1.5 turbo chega aos 173 cv. Em compensação, o Civic moderno da um banho no Si em torque: os aspirados entregam 19,5 kgfm, enquanto o turbo vai a 22,4 kgfm.

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A grande diferença para os padrões atuais está na entrega dessa potência e torque. Por conta do sistema VTEC, o Civic Si tem seu pico de força entregue bem tarde: 6.100 rpm para o torque e 7.800 rpm para a potência.

A famosa “vtecada”

Esse sistema de controle de sincronização e abertura variável de válvula cria dois comportamentos diferentes ao Civic Si. Em baixa rotação, ele entrega força suficiente para o dia-a-dia na cidade e um ronco relativamente contido. É surpreendente como ele é civilizado para um esportivo. Mas basta atingir regimes mais altos que ele surpreende com força a mais e o barulho do motor se modifica.

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A tal “vtecada” como os entusiastas gostam de chamar é diferente do soco dos motores turbo com delay no acionamento. Existe um nítido degrau entre o momento em que as válvulas estão mais abertas e mais fechadas. No mundo das sensações, parece que o Civic Si ganha instantaneamente algo entre 50 cv e 10 kgfm a mais de torque.

Isso tudo junto a um sorriso no rosto trazido pela força a mais e pelo som do motor mais alto e encorpado. Tudo bem que são números que, para os tempos atuais, não parecem tão entusiasmantes. E de fato em uma linha reta não são, afinal levar 7,9 segundos para chegar aos 100 km/h não é mais impressionante hoje em dia.

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Afiado como uma lança

A grande questão do Honda Civic Si, em especial o New Civic, nunca foi a entrega de números de potência estonteantes ou acelerações de colar no banco. Seu charme e a verdadeira esportividade estão na entrega de diversão ao volante em pistas e estradas sinuosas.

O sedã médio da Honda é conhecido por ser um engolidor de curvas mesmo em seus formatos mais tradicionais. Só que o Si leva isso a outro patamar. Com pneus 215/45 R17 e suspensão mais firme que os irmãos, o esportivo faz curvas grudado no chão. Impressiona a compostura do sedã em viradas mais fortes com o pé em baixo.

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Contribui também para esse comportamento a direção extremamente direta e firme. Basta mexer levemente o volante que a dianteira aponta na mesma direção. É um dos acertos mais rápidos e precisos entre os esportivos que já pilotei. E observe que é um carro com projeto que fará em breve 15 anos!

Contudo, confesso: meu ponto preferido do Honda Civic Si é, sem dúvida, o câmbio manual de seis marchas. Mesmo em 2021, algumas fabricantes parecem não ter aprendido a fazer um bom câmbio manual. Mas esse do sedã japonês é algo próximo ao que seria uma referência máxima.

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Ainda que seja conhecido pela chatice para engatar a ré, o câmbio é uma delícia de usar no dia-a-dia. Tem engates extremamente curtos, preciso e rápidos. A manopla de câmbio pequena e em posição elevada ajudam nas trocas mais entusiasmadas em alta velocidade.

Até mesmo o barulho metálico das trocas traz uma sensação nostálgica dos melhores tempos do Need For Speed Underground. A embreagem dura e baixa com curso curto ajuda a tornar toda operação das trocas ainda mais eficiente. Além disso, os pedais próximos e alinhados transformam o Civic Si no rei do punta-tacco.

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Contrastes da modernidade

É inegável como o estilo do New Civic não envelhece. Até hoje ele é um carro evidentemente bonito e moderno. Só não em tamanho: pois com 4,48 m de comprimento, 1,75 m de largura e 1,45 m de altura, hoje em dia ele tem as mesmas medidas de um sedã compacto como o Chevrolet Onix Plus.

Ironicamente é na cabine onde o contraste maior de tempo se faz presente. Se você esquecer que o rádio é visualmente integrado ao painel a ponto de ser impossível colocar por ali uma central multimídia que não fique estranha, o interior do New Civic ainda parece moderno.

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Seu charme maior é o painel dividido em dois andares com a parte superior digital sendo vista por cima do volante, tal qual nos Peugeot modernos. Já o painel inferior serve somente ao conta-giros. É um layout minimalista, que mostra claro foco na dirigibilidade.

Além disso, há todo um desenho que parece feito para abraçar o motorista e isolá-lo do passageiro, criando um ambiente mais individualista. Isso é reforçado pela posição das saídas de ar mais centralizadas a cada passageiro. O desenho horizontalizado é moda até hoje em dia.

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Influenciado pelas minivans, o New Civic tem vários porta-objetos no console central. Isso só foi possível pelo formato inusitado do freio de mão, que nessa época nem sonhava em ser eletrônico.

No Si, a Honda deixou todo o interior escurecido, criando uma atmosfera mais esportiva. Os bancos recebem revestimento em suede com costuras vermelhas e parecem prontos para um Civic de 2021. Ainda como destaque as abas laterais bem pronunciadas e a amplitude de ajustes.

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Só não está pronto para os dias atuais o acanhado espaço traseiro e o porta-malas de tímidos 340 litros – existem hatches com porta-malas maiores que os do New Civic.

Veredicto

O Honda Civic Si produzido no Brasil já tem o status de clássico mesmo faltando ainda tantos anos para esse título de oficializar. É um carro que anda como um modelo moderno, mas ainda preserva as qualidades de antigamente: motor aspirado girador, câmbio manual quase perfeito e proporções mais compactas.

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Se der sorte de encontrar um modelo original por aí por um bom preço, não tenha dúvidas em leva-lo para casa. Ele é cada vez mais raro, frequentemente modificado e está se tornando mais caro com o passar do tempo. Admito que agora sigo tentado a ter um New Civic Si na garagem.

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João Brigato

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