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901, 993, 992: Entenda o que significam os códigos de cada geração do Porsche 911

Decifre os códigos da Porsche: entenda por que cada geração do 911 recebe uma numeração diferente e qual a lógica por trás

5 min de leitura

Por mais que o marketing da Porsche faça tudo parecer místico, a realidade é outra: não há nada de especial nesses números, como 964 ou 911, por exemplo. Eles são apenas códigos internos de projeto, usados para que os engenheiros em Stuttgart saibam de qual chassi estão falando sem precisar descrever o carro inteiro.

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Mas nem sempre foi assim. No início, a Porsche tinha outro plano de organização. A primeira geração e sua sucessora, que dominaram o mercado entre 1964 e 1989, eram conhecidas simplesmente como F-Series e G-Series. A confusão numérica que amamos hoje só começou de verdade em 1989, com o lançamento do 964.

Porsche 911 964 Targa branco parado de lateral
Porsche 911 964 [Divulgação]

A lógica do “caos” interno

O número 964 não tem um significado oculto; era apenas o código sequencial de desenvolvimento dentro da fábrica. É a mesma lógica que faz a Volkswagen chamar o projeto do novo Tera de 246, ou o que fez a Fiat identificar o Uno como 327 e o Palio como 328. A diferença é que, na Porsche, esses “RG’s” internos escaparam das pranchetas e viraram sobrenomes oficiais que os entusiastas fazem questão de decorar.

Se você espera uma sucessão numérica organizada da Porsche, esqueça. A marca alemã trata seus códigos internos com uma liberdade que desafia a matemática básica. A quarta geração do 911, lançada em 1995, é a famosa 993. Seguindo a lógica, o sucessor deveria ser o 994, certo? Errado. A Porsche saltou direto para o 996 em 1999 e, depois, para o 997 em 2005.

Porsche 911 993 prata parado de frente
Porsche 911 993 [Divulgação]

Quando todos apostavam que o modelo de 2012 se chamaria 998, a Porsche decidiu retroceder e batizou a sétima geração de 991. Já o modelo atual, que brilha nas vitrines desde 2019, é o 992 e o 992.2.

O mistério do próximo número

Essa ordem numérica cria uma encruzilhada para o futuro. Como o código 993 já foi usado lá na década de 1990 e o 994 está sendo cogitado nos bastidores de Stuttgart para identificar o primeiro 911 totalmente elétrico (que deve chegar apenas na próxima década).

Já o sucessor do atual 992 permanece um mistério. A única certeza é que o próximo capítulo dessa linhagem começará com o número 9, mantendo a tradição que sobrevive a qualquer confusão cronológica.

Porsche 911 Turbo [Auto+ / João Brigato]
Porsche 911 Turbo [Auto+ / João Brigato]

A “Ditadura” do 9: Por que a Porsche não desapega desse numeral?

Por causa do sucesso avassalador do 911, o número 9 deixou de ser apenas um dígito para se tornar o DNA da Porsche. A importância é tamanha que a marca tentou carimbar quase todo o seu portfólio com códigos iniciados por 9. O Cayenne, por exemplo, construiu sua história sobre as siglas 955, 957 e 958, embora a geração atual tenha rompido a tradição atendendo pelo código PO536.

Essa mística também aparece no 718 Boxster/Cayman, que os engenheiros chamam de 982. Até o Macan entrou na dança: a versão a combustão é identificada internamente como 95B. No entanto, o futuro elétrico da marca já mostra novos rumos, com o Macan EV adotando o complexo código XABBB1.

A “treta” francesa: Como a Peugeot mudou a história do Porsche 911

O carro mais famoso da Porsche nasceu, na verdade, com outro nome: 901. No entanto, o batismo durou pouco tempo. Logo após o lançamento no Salão de Frankfurt, a Peugeot bateu à porta dos alemães com os advogados a postos. A marca francesa detinha a patente de todos os nomes de carros com três dígitos e um zero no meio.

De 101 a 909, o domínio era francês. Como o código 901 já era “propriedade” da Peugeot, a Porsche se viu obrigada a improvisar para não perder o investimento em marketing. A solução foi tão simples quanto genial: bastou substituir o 0 pelo 1. Assim, quase por acidente, nascia a lenda 911.

Porsche 911 Carrera GTS cinza parado de frente
Porsche 911 Carrera GTS [Auto+/Rafael Pocci Déa]

O Santo Graal dos colecionadores

Apesar da mudança rápida, a Porsche já havia produzido 82 unidades com o emblema 901 antes da proibição oficial. Hoje, esses exemplares são considerados o “Santo Graal” do automobilismo. São raridades extremas, com valores de mercado astronômicos, e representam o curto período em que a Porsche desafiou (e perdeu para) os franceses.

E convenhamos: embora a Peugeot tenha vencido a briga pelo nome, é impossível confundir a silhueta de um 901 com qualquer hatch ou sedan francês daquela época.

Porsche 911 901 vermelho parado na estrada de lateral com uma floresta ao fundo
Porsche 911 901 [Divulgação]

Sabia que a Peugeot foi a responsável pelo nome 911 ou essa história é novidade para você? Comente abaixo o que achou dessa ‘treta’ histórica!


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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