O início de 2026 mostra um cenário sem histórico na imprensa automotiva brasileira. A BYD e seu vice-presidente, Alexandre Baldy, moveram uma ação judicial contra o portal AutoPapo, do jornalista Boris Feldman. O motivo ocorre por uma matéria publicada em dezembro de 2025. O imbróglio, que iniciou com uma notificação extrajudicial, escalou para a 15ª Vara Cível de Goiânia, que ordenou a suspensão do conteúdo.
A medida reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o uso do Judiciário como ferramenta de controle editorial no setor. Para Boris Feldman, o movimento é uma tentativa clara de intimidação. Com décadas de atuação na defesa do consumidor, o jornalista afirmou que, embora já tenha paralisado vendas de veículos com suas críticas, nunca enfrentou uma investida de censura com esse perfil.

O centro da polêmica entre a BYD e o AutoPapo
O conflito jurídico gira em torno de uma reportagem que repercutia um comunicado oficial do fabricante. No texto, o AutoPapo questionava declarações de Baldy que tentavam distanciar a BYD do rótulo genérico de marcas chinesas. A juíza Fláviah Lanconi Costa Pinheiro classificou o caso como uma colisão entre direitos constitucionais: de um lado, a proteção à honra e imagem; de outro, a liberdade de imprensa.
Embora a magistrada tenha reconhecido que os fatos citados na reportagem são verídicos, ela entendeu que a carga subjetiva e as críticas ácidas do portal poderiam prejudicar a reputação da gigante chinesa e de seu executivo antes de um julgamento definitivo.


O posicionamento das partes
A estratégia da BYD foi reforçada publicamente por seu diretor de comunicação, Pablo Toledo, que utilizou as redes sociais para validar a busca pelos tribunais como forma de regular o que circula nos meios de comunicação. Do outro lado, a defesa do portal sustenta que o jornalismo automotivo não pode ser cerceado por opiniões divergentes das marcas.
A Justiça admitiu que a matéria se baseou em fatos reais, com falas e dados concretos da empresa. No entanto, o uso de adjetivos para classificar a postura do executivo motivou a medida cautelar. Essa suspensão temporária visa estancar possíveis danos à imagem até a sentença final. O material original permanece arquivado para análise futura, podendo ser republicado caso os excessos não sejam confirmados.

E você, o que acha da atitude da BYD contra a imprensa? Escreva nos comentários.



