A Changan estreia no Brasil com uma estratégia que nenhuma marca chinesa adotou até agora. Em vez de importar e adaptar depois, o Changan Uni-T já nasce flex e com produção nacional em Anápolis (GO), custando R$ 169.990.
O modelo chega para disputar o segmento mais competitivo do país, enfrentando nomes como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, Volkswagen Taos e Honda ZR-V. Diferente de várias rivais chinesas, o Uni-T aposta exclusivamente no motor a combustão, sem qualquer tipo de eletrificação.
Produção nacional e estratégia com a Caoa
A Changan chega ao Brasil com apoio da CAOA, utilizando a fábrica de Anápolis, onde já são produzidos Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8. Com isso, o fabricante reduz impostos e já entra no mercado com fabricação local e bom índice de nacionalização, deixando de ser apenas um modelo CKD.
Além disso, a operação no Brasil não é improvisada. Mais de 300 engenheiros trabalharam por mais de dois anos na adaptação dos carros ao combustível e às condições brasileiras. O próprio Uni-T passou por testes específicos, incluindo uma pista com lombadas e irregularidades na China, simulando o asfalto brasileiro. Inclusive, no Brasil, o Uni-T rodou mais 2 milhões de km, entre Acre e Porto Alegre, segundo o fabricante.


Como é o Chagan Uni-T
Debaixo do capô, o Uni-T usa motor 1.5 turbo flex da família Blue Core, sem qualquer relação com motores da Chery. Ele entrega 180 cv e 29,2 kgfm, com injeção a 350 bar tanto na gasolina quanto no etanol. O conjunto trabalha com câmbio automatizado de sete marchas banhado a óleo e faz de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. Além disso, o SUV traz modos de condução normal, eco e sport.
Na comparação direta, ele entrega mais potência que rivais diretos. O Compass tem 176 cv e 27,5 kgfm, o Corolla Cross entrega 175 cv e 21,3 kgfm, o Taos fica em 150 cv e 25,5 kgfm, enquanto o ZR-V tem 161 cv e 19,1 kgfm. O tanque de 55 litros garante autonomia próxima de 700 km, de acordo com a marca.

O Uni-T mede 4,53 m de comprimento, 1,87 m de largura, 1,56 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. Com isso, se posiciona diretamente entre os SUVs médios a combustão. Já os modelos eletrificados como GWM Haval H6 e a linha Song da BYD ficam em outro patamar, tanto por tecnologia quanto por porte.
Vale destacar que não há previsão de eletrificação para o Uni-T, já que o modelo nem oferece versões híbridas globalmente. Lá fora, a única alternativa ao 1.5 turbo é um 2.0 turbo de 230 cv.


Do lado de fora
Visualmente, o Uni-T aposta em linhas ousadas, com faróis afilados e 100% em LED, enquanto a grade frontal tridimensional se integra à carroceria. As maçanetas são retráteis, as rodas são de 20 polegadas com pneus 245/45 desenvolvidos pela Pirelli, e o conjunto traseiro traz lanternas full LED invadindo a tampa do porta-malas.
O destaque visual traseiro fica para o spoiler em formato de flecha e os quatro escapamentos funcionais, além do teto panorâmico. Por dentro, o destaque vai para o Integrated Cockpit, que une painel digital e central multimídia em um conjunto de 25,1 polegadas. São 12,3 polegadas para o painel e 12,8 para a multimídia, com Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

O sistema ainda conta com GPS integrado e comandos de voz com inteligência artificial. chamado de A.I Interactive Light, um elemento luminoso no painel que interage com o motorista em tempo real. O acabamento é todo em preto, com bancos esportivos que oferecem ventilação e aquecimento, além de volante aquecido. Os ajustes são elétricos, sendo seis posições para o motorista e quatro para o passageiro.
O sistema de som é assinado pela Pioneer, com 11 alto-falantes, incluindo unidades no encosto de cabeça do motorista. O carro ainda oferece câmera 360°, carregador por indução e até fragrâncias internas com três opções de aroma. Já a alavanca de câmbio lembra o manche de um avião para dar uma proposta mais futurista, enquanto o Uni-T utiliza suspensão independente nas quatro rodas, com McPherson na dianteira e multilink na traseira, com ajustes específicos para o Brasil.


Garantia, cores e investimento no Brasil
A Changan oferece garantia de sete anos ou 150.000 km e estrutura de peças em Franco da Rocha (SP). O modelo será vendido em quatro cores, como o Hyper Blue, exclusivo para o Brasil, além de branco, cinza e preto. Além disso, a marca confirmou investimento de R$ 5 bilhões nos próximos três anos.
A estratégia comercial da Changan é abrir 40 concessionárias no Brasil até 2026, combinando lojas exclusivas com pontos compartilhados. Na prática, isso significa dividir espaço com revendas da Chery e até da Ford, já que a Caoa controla a maior rede da marca americana no país. Esse modelo de operação já existe em grupos como Fiat e Jeep e deve acelerar a expansão.

Retorno ao Brasil
Apesar de parecer novidade, a Changan já esteve no Brasil entre 2006 e 2011, quando operava como Chana Motors e vendia veículos comerciais leves. Agora, a marca retorna com um posicionamento totalmente diferente, com produtos mais sofisticados e tecnológicos. Esse movimento faz parte do plano global chamado de Vast Ocean, que coloca o Brasil como mercado estratégico.


Próximos passos e eletrificação
Mesmo com lançamento do primeiro carro com motor a combustão, a Changan já confirmou que pretende trazer híbridos no futuro, tanto pleno quanto plug-in. Ainda assim, o Uni-T seguirá apenas com motor a combustão, sem eletrificação prevista.
Você já aposta em uma marca nova com produção nacional ou ainda prefere ficar nas tradicionais? Deixe seu comentário!



