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Como a Ford tentou e falhou em padronizar nomes de carros

Entenda a regra esquecida da Ford de batizar carros com F e SUVs com E, e como a própria criou uma bagunça global que encerrou o sistema

3 min de leitura

O mercado automotivo costuma dividir as marcas entre aquelas que usam sistemas alfanuméricos, como Audi e BMW, e as que apostam em nomes puramente emocionais. A Ford tentou estabelecer um meio-termo estratégico entre as décadas de 1980 e 2000, criando um padrão para facilitar a identificação de seus produtos. A ideia era simples: carros de passeio começariam com a letra F, enquanto os SUVs teriam obrigatoriamente a letra E.

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Essa diretriz motivou substituições históricas, como a troca do nome Escort por Focus para alinhar o modelo médio à nova identidade. A regra foi sustentada por nomes como Fiesta, Fusion, Flex, Freestar, Festiva e Figo. Já no segmento de SUVs, o portfólio seguiu com Explorer, Expedition, Excursion, EcoSport, Escape e Edge. O problema é que a própria fabricante sabotava o sistema ao redor do mundo, criando uma confusão geográfica que enterrou a padronização.

Bagunça geográfica da Ford e quebra de protocolo

A inconsistência da Ford tornava-se evidente nas exportações e nos lançamentos regionais. O modelo Escape, por exemplo, recebia o nome Maverick ou Kuga na Europa, fugindo totalmente da regra da letra E. Da mesma forma, enquanto os americanos compravam o Fusion, os europeus rodavam com o Mondeo. A marca ainda mantinha modelos de grande volume como o Ka e o Mondeo junto do Focus e do Fiesta, provando que a hierarquia interna era frequentemente ignorada.

O padrão foi completamente descartado por nomes com herança histórica ou apelo global desconectado de letras iniciais. A linha contemporânea do fabricante exemplifica esse abandono com modelos como Ranger, Territory, Mustang e Transit. O resgate de nomes como Maverick e Bronco reforça que a Ford agora prioriza a força de marcas individuais em vez de uma regra ortográfica que ela mesma nunca conseguiu seguir com precisão.

O espelho da Volkswagen e a exceção à regra

Essa dificuldade em manter padrões de nomenclatura não é uma exclusividade da Ford. Só que a Volkswagen ainda tenta ser mais disciplinada. A marca alemã estabelece que todos os seus SUVs a combustão devem começar pela letra T, embora o mercado brasileiro e o chinês criem anomalias no sistema. O Nivus, desenvolvido no Brasil, quebra o protocolo localmente, mas é rebatizado como Taigo na Europa para ser reintegrado à regra global.

Essa insistência em letras específicas serve como um guia para o consumidor, mas sofre com as pressões do marketing regional. O Atlas é rebatizado como Teramont na China para não ferir a hierarquia dos nomes começados em T. No final, tanto a Ford quanto a Volkswagen provam que a necessidade de soar familiar ao cliente local sempre vence a rigidez dos manuais de identidade corporativa.

Você sente falta da época em que os nomes dos carros seguiam uma lógica ou prefere a liberdade atual de modelos como Maverick e Bronco? Escreva nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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