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Ainda não 100% resolvido

BYD sai da lista suja do trabalho escravo após decisão da Justiça

Liminar suspende inclusão da montadora após caso na obra da fábrica na Bahia

4 min de leitura

A BYD conseguiu uma vitória na Justiça e saiu da chamada lista suja do trabalho escravo. A decisão ocorreu nesta quarta-feira (9) e suspende, ainda de forma provisória, a inclusão da empresa no cadastro do governo federal. O juiz Luiz Fausto Marinho de Mendonça, da 16ª Vara do Trabalho de Brasília, deu a liminar após a empresa mostrar um mandado de segurança.

Decisão fala sobre a falta de vínculo direto com a BYD

O caso envolve trabalhadores chineses encontrados em condições irregulares na obra da fábrica da BYD em Camaçari (BA). O flagrante ocorreu em dezembro de 2024. Nesse sentido, a defesa da montadora argumentou que não possui vínculo empregatício com esses trabalhadores. 

Além disso, segundo a empresa, as construtoras terceirizadas contrataram e trouxeram os operários ao Brasil. O juiz aceitou esse argumento. Além disso, ele destacou a ausência de subordinação direta dos trabalhadores à BYD no dia a dia.

Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga
Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga [Reprodução]

Outro ponto é em relação a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Nesse contexto, o STF permite a terceirização em qualquer etapa da cadeia produtiva. Nesse contexto, a Justiça entendeu que a atividade principal da BYD é fabricar carros, e não executar obras civis. Assim, a responsabilização direta foi considerada inadequada neste momento.

Impacto financeiro pesa na análise

A permanência nessa lista traria impactos negativos para a BYD. Por isso, a empresa poderia perder acesso a linhas de crédito importantes para terminar a sua fábrica na Bahia. Além disso, a montadora ficaria impedida de participar de licitações públicas. Ao mesmo tempo, correria o risco de perder incentivos fiscais negociados com o governo estadual.

Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga
Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga [Reprodução]

A BYD também argumentou que já havia firmado acordo com o Ministério Público do Trabalho da Bahia. O compromisso incluiu pagamento de R$ 4 milhões em indenizações. Além disso, nesse acordo, a empresa assumiu responsabilidade subsidiária. Ou seja, ela responde apenas se as construtoras não cumprirem suas obrigações trabalhistas. 

Posteriormente, em dezembro de 2025, o Ministério Público do Trabalho anunciou um novo acordo. O valor total chegou a R$ 40 milhões e encerrou ações judiciais relacionadas ao caso.

Denúncias graves

Trabalhadores na planta de Camaçari, na Bahia, da BYD [Divulgação]

As investigações começaram após denúncias divulgadas em novembro de 2024. As reportagens apontaram agressões físicas e condições degradantes de trabalho.

Na época, equipes do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal visitaram o local. Todavia, a primeira vistoria não disse nada dos alojamentos dos trabalhadores. Pouco depois, o Ministério Público do Trabalho interditou parte da obra. Com isso, a ação resultou no resgate de 163 trabalhadores chineses.

Processo ainda não terminou

Trabalhadores na planta de Camaçari, na Bahia, da BYD
Trabalhadores na planta de Camaçari, na Bahia, da BYD [Divulgação]

Apesar da decisão favorável, o processo ainda não chegou ao fim. A exclusão da lista ainda é provisória e depende do julgamento final. O governo federal e o Ministério Público do Trabalho ainda apresentarão seus pareceres. Portanto, a Justiça poderá reverter a decisão.

Se isso acontecer, a BYD pode voltar ao cadastro restritivo. Assim, o caso segue em aberto e ainda pode ter novos desdobramentos.

Você acha que a BYD deve responder diretamente nesses casos? Deixe seu comentário!

1 comentário em “BYD sai da lista suja do trabalho escravo após decisão da Justiça”

  1. Eduardo T. Küll

    Ou seja, “saíram” com a empresa da lista suja. Ela,de fato não se corrigiu.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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