Ao vivo
Home » Novidades » Depois de fechar lojas, grupo da JAC pede nova recuperação judicial

Novidades

Depois de fechar lojas, grupo da JAC pede nova recuperação judicial

Grupo SHC tenta renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas pouco mais de um ano depois de encerrar seu primeiro processo de recuperação

4 min de leitura

A situação da JAC Motors no Brasil ganhou mais um capítulo complicado. Depois de fechar concessionárias, reduzir sua linha de carros e mudar boa parte da estratégia por aqui, o Grupo SHC, responsável pela operação da marca chinesa no país, entrou com um novo pedido de recuperação judicial.

Na última terça-feira (6), o grupo comandado pelo empresário Sergio Habib recorreu à Justiça para tentar renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas. O envolvimento tem nada menos que 44 empresas. A informação foi revelada pela revista Exame e abre uma nova rodada de negociações com os credores. Isso acontece pouco mais de um ano depois do encerramento da primeira recuperação judicial. 

Antes do novo pedido, a SHC já negociava uma reestruturação diretamente com os credores e tentava deixar parte das dívidas fora do processo. Segundo a publicação, um grande banco teria mais de R$ 100 milhões a receber, enquanto outras instituições financeiras enfrentavam dificuldades para localizar e retomar veículos dados como garantia em operações de crédito. 

Não é a primeira recuperação judicial da SHC

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]

Curiosamente, porém, a história não começa agora. O Grupo SHC entrou em recuperação judicial pela primeira vez em novembro de 2018, naquela ocasião com R$ 517,7 milhões em dívidas declaradas, depois de anos bastante conturbados para a operação brasileira. 

A JAC chegou ao Brasil em março de 2011 de uma maneira difícil de imaginar hoje, inaugurando 50 concessionárias praticamente de uma só vez e tentando ganhar espaço com carros mais equipados e baratos que os concorrentes nacionais. 

JAC E-J7 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 [Auto+ / João Brigato]

Entretanto, poucos meses depois o chamado Super IPI aumentou em 30 pontos percentuais a tributação de importados que não cumpriam determinadas exigências de produção local, atingindo diretamente uma marca que dependia da China para abastecer praticamente toda sua rede. 

Depois vieram as regras do Inovar-Auto e uma forte retração do mercado brasileiro, fatores apontados pela própria SHC na primeira recuperação. Ao mesmo tempo, o plano de nacionalizar a JAC nunca avançou como previsto.

A empresa até chegou a anunciar uma fábrica na Bahia, com investimento estimado em R$ 1 bilhão, mas o projeto acabou ficando pelo caminho. Em 2016, inclusive, o governo cancelou a habilitação da companhia no Inovar-Auto depois do descumprimento do cronograma de investimentos apresentado. 

JAC já vinha diminuindo no Brasil

JAC E-JS1 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS1 [Auto+ / João Brigato]

O novo pedido também acontece justamente quando a operação da JAC está bem menor do que já foi no passado. Como mostramos no Auto+, a fabricante reduziu drasticamente sua rede física durante 2026 e passou a concentrar as vendas em canais digitais e atendimento à distância. 

Ao mesmo tempo, E-JS4 e E-J7 deixaram de chegar às concessionárias, enquanto o futuro do pequeno E-JS1 ficou menos claro, de acordo com as informações do Autoesporte. 

[Auto+ / João Brigato]

A estratégia passou a olhar principalmente para veículos comerciais e para a família Hunter, algo bem diferente da JAC que, alguns anos atrás, tentou se posicionar como uma das primeiras marcas fortemente ligadas aos carros elétricos no Brasil.

E agora, o que acontece com a JAC?

Por enquanto, a recuperação judicial não significa que a JAC deixará o Brasil, muito menos que suas atividades serão interrompidas automaticamente. O site da fabricante continua comercializando o E-JS1 e diferentes versões da Hunter, além de veículos comerciais e caminhões. 

frente da jac hunter
JAC Hunter [Auto+ / João Brigato]

Até o momento, o Grupo SHC não detalhou publicamente como a nova recuperação pode afetar a operação da JAC ou os próximos produtos previstos para o mercado brasileiro.

Você acredita que a JAC ainda consegue recuperar espaço? Deixe seu comentário!

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar