A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no início deste mês de março já começou a mexer com o preço do petróleo no mundo. O barril do tipo Brent aumentou e há projeções de que possa ultrapassar US$ 100, cerca de R$ 500 na cotação atual. Com isso, obviamente que o Brasil também deverá ser impactado nos próximos dias.
O Estreito de Ormuz é a peça-chave do tabuleiro
A principal preocupação do mercado é o chamado Estreito de Ormuz. Esse pedaço do oceano é um um corredor marítimo estratégico que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar da Arábia.
Entre 20% e 25% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo passam ali todos os dias. O Irã controla a margem norte da região e tem capacidade militar para restringir ou até bloquear a navegação. Se isso acontecer, a oferta global encolhe demais e prejudica todos os países de uma vez só.

Mesmo que nada seja feito de fato na hora, uma simples ameaça de interrupção já faz o mercado reagir, pois investidores passam a precificar o risco de faltar petróleo, o que resulta que o barril sobe antes mesmo de faltar produto fisicamente.
Nas últimas horas, embarcações já ficaram ancoradas na região e houve até relatos de danos a navios. Desta forma, o mercado entende que qualquer sinal de bloqueio é como um choque imediato de oferta. Só isso já prejudica, e muito, os preços do petróleo no mundo todo.
Produção iraniana e efeito cascata na região

O Irã responde por algo entre 4% e 4,5% da produção mundial de petróleo, com cerca de 3,3 milhões de barris por dia. Em termos isolados, não parece dominante. Todavia, o país está cercado por gigantes da produção de petróleo, como a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Só essa região concentra mais de um quarto da produção global e quase metade das reservas conhecidas. Se o conflito aumentar ainda mais ou atingir infraestrutura de países vizinhos, o impacto vai deixar de ser pontual e passa a ser estrutural.

Nesse cenário, analistas já falam em petróleo a US$ 120, algo próximo de R$ 600 por barril. Para entendermos melhor no cenário da gasolina, um barril tem 159 litros. Se ele chegar a US$ 120, isso equivale a algo próximo de R$ 3,70 por litro de petróleo bruto.
Como o petróleo representa cerca de um terço do preço da gasolina no Brasil, uma disparada prolongada pode empurrar o litro para perto dos R$ 7,50 ou até R$ 8, dependendo do câmbio. Atualmente, o preço médio da gasolina está a R$ 6,45.
Dólar piora a situação

Em momentos de guerra, investidores vão atrás de ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro. Isso tende a valorizar a moeda americana frente a moedas emergentes, como o real. E aí, que o Brasil se dá mal duplamente. Como o petróleo é negociado em dólar, o Brasil paga mais caro pelo barril e ainda tem um câmbio desfavorável.
Mesmo produzindo petróleo, o país importa parte relevante dos combustíveis, ainda mais o diesel. Além disso, os preços internos seguem referências internacionais. Se o Brent sobe e o dólar também, a pressão sobre a Petrobras aumenta.
Diesel é o principal canal de transmissão

Os especialistas do mercado estão dizendo que o diesel é que tende mais a sofrer com todo esse cenário. Isso acontece porque o diesel não tem misturas que a gasolina oferece obrigatoriamente, e até consegue aliviar o impacto quando o petróleo sobe. Ele acompanha muito mais de perto o preço internacional. E o diesel subindo, ele impacta toda a logística nacional, já que move os caminhões, tratores, ônibus, entre outros.
Se o diesel encarece, o frete sobe. Com frete mais caro, alimentos e produtos em geral também ficam mais caros. Desta forma, o conflito geopolítico se transforma em inflação doméstica. Mesmo que não haja escassez física de combustível no Brasil, o chamado prêmio de risco geopolítico já aumenta os custos de transporte marítimo, seguros e financiamento. Tudo isso está dentro no preço final.
Petróleo a US$ 100 é inevitável?

O mercado já trabalha com diferentes cenários. Em uma hipótese de conflito limitado e breve, o barril pode se estabilizar entre US$ 75 e US$ 80, algo próximo de R$ 375 a R$ 400.
Se houver bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou expansão da guerra para outros países, os US$ 100, ou cerca de R$ 500, são plausíveis. Já em uma escalada ampla, US$ 120 não estão descartados.

Ainda assim, há limites. A economia global está menos aquecida do que em 2022 e juros elevados reduzem a demanda. Um petróleo muito caro também prejudicaria os grandes consumidores, como China e Estados Unidos, o que cria pressão política para ter uma estabilização.
E o Brasil pode ganhar com isso?
Existe um lado positivo, ao menos em tese. O Brasil exporta petróleo, e com o barril mais caro, a receita externa aumenta. No entanto, para o consumidor comum, o efeito tende a ser negativo no curto prazo, pois a gasolina pode sofrer ajustes. No entanto, é o diesel o verdadeiro termômetro da economia.
E você, o que acha de toda essa guerra que pode influenciar os preços dos combustíveis? Deixe seu comentário!




