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Guerra entre EUA e Irã pode levar combustível a disparar no Brasil

Tensão que acontece no Oriente Médio já mexe com o petróleo e pode pressionar diesel, gasolina e inflação por aqui também

6 min de leitura

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no início deste mês de março já começou a mexer com o preço do petróleo no mundo. O barril do tipo Brent aumentou e há projeções de que possa ultrapassar US$ 100, cerca de R$ 500 na cotação atual. Com isso, obviamente que o Brasil também deverá ser impactado nos próximos dias. 

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O Estreito de Ormuz é a peça-chave do tabuleiro

A principal preocupação do mercado é o chamado Estreito de Ormuz. Esse pedaço do oceano é um um corredor marítimo estratégico que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar da Arábia. 

Entre 20% e 25% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo passam ali todos os dias. O Irã controla a margem norte da região e tem capacidade militar para restringir ou até bloquear a navegação. Se isso acontecer, a oferta global encolhe demais e prejudica todos os países de uma vez só. 

Estreito de Ormuz [Reprodução]

Mesmo que nada seja feito de fato na hora, uma simples ameaça de interrupção já faz o mercado reagir, pois investidores passam a precificar o risco de faltar petróleo, o que resulta que o barril sobe antes mesmo de faltar produto fisicamente.

Nas últimas horas, embarcações já ficaram ancoradas na região e houve até relatos de danos a navios. Desta forma, o mercado entende que qualquer sinal de bloqueio é como um choque imediato de oferta. Só isso já prejudica, e muito, os preços do petróleo no mundo todo. 

Produção iraniana e efeito cascata na região

ataque russo
[divulgação]

O Irã responde por algo entre 4% e 4,5% da produção mundial de petróleo, com cerca de 3,3 milhões de barris por dia. Em termos isolados, não parece dominante. Todavia, o país está cercado por gigantes da produção de petróleo, como a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Só essa região concentra mais de um quarto da produção global e quase metade das reservas conhecidas. Se o conflito aumentar ainda mais ou atingir infraestrutura de países vizinhos, o impacto vai deixar de ser pontual e passa a ser estrutural. 

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Gasolina [divulgação]

Nesse cenário, analistas já falam em petróleo a US$ 120, algo próximo de R$ 600 por barril. Para entendermos melhor no cenário da gasolina, um barril tem 159 litros. Se ele chegar a US$ 120, isso equivale a algo próximo de R$ 3,70 por litro de petróleo bruto. 

Como o petróleo representa cerca de um terço do preço da gasolina no Brasil, uma disparada prolongada pode empurrar o litro para perto dos R$ 7,50 ou até R$ 8, dependendo do câmbio. Atualmente, o preço médio da gasolina está a R$ 6,45. 

Dólar piora a situação

Bomba de combustível (divulgação)

Em momentos de guerra, investidores vão atrás de ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro. Isso tende a valorizar a moeda americana frente a moedas emergentes, como o real. E aí, que o Brasil se dá mal duplamente. Como o petróleo é negociado em dólar, o Brasil paga mais caro pelo barril e ainda tem um câmbio desfavorável.

Mesmo produzindo petróleo, o país importa parte relevante dos combustíveis, ainda mais o diesel. Além disso, os preços internos seguem referências internacionais. Se o Brent sobe e o dólar também, a pressão sobre a Petrobras aumenta.

Diesel é o principal canal de transmissão

[Divulgação]

Os especialistas do mercado estão dizendo que o diesel é que tende mais a sofrer com todo esse cenário. Isso acontece porque o diesel não tem misturas que a gasolina oferece obrigatoriamente, e até consegue aliviar o impacto quando o petróleo sobe. Ele acompanha muito mais de perto o preço internacional. E o diesel subindo, ele impacta toda a logística nacional, já que move os caminhões, tratores, ônibus, entre outros.

Se o diesel encarece, o frete sobe. Com frete mais caro, alimentos e produtos em geral também ficam mais caros. Desta forma, o conflito geopolítico se transforma em inflação doméstica. Mesmo que não haja escassez física de combustível no Brasil, o chamado prêmio de risco geopolítico já aumenta os custos de transporte marítimo, seguros e financiamento. Tudo isso está dentro no preço final.

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Discas CESVI – Combustível Adulterado (divulgação)

O mercado já trabalha com diferentes cenários. Em uma hipótese de conflito limitado e breve, o barril pode se estabilizar entre US$ 75 e US$ 80, algo próximo de R$ 375 a R$ 400.

Se houver bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou expansão da guerra para outros países, os US$ 100, ou cerca de R$ 500, são plausíveis. Já em uma escalada ampla, US$ 120 não estão descartados.

Tanque de combustível (divulgação)

Ainda assim, há limites. A economia global está menos aquecida do que em 2022 e juros elevados reduzem a demanda. Um petróleo muito caro também prejudicaria os grandes consumidores, como China e Estados Unidos, o que cria pressão política para ter uma estabilização.

E o Brasil pode ganhar com isso?

Existe um lado positivo, ao menos em tese. O Brasil exporta petróleo, e com o barril mais caro, a receita externa aumenta. No entanto, para o consumidor comum, o efeito tende a ser negativo no curto prazo, pois a gasolina pode sofrer ajustes. No entanto, é o diesel o verdadeiro termômetro da economia.

E você, o que acha de toda essa guerra que pode influenciar os preços dos combustíveis? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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