A Stellantis matou boa parte dos seus motores V8 nos últimos anos e colocou o Hurricane 3.0 de seis cilindros em linha no lugar, como é o caso da Ram 1500 no Brasil. A potência nunca foi exatamente o problema. A resposta em baixa, porém, dificilmente consegue copiar aquela pancada imediata de um V8 supercharged. A divisão esportiva das marcas Jeep Ram e Chrysler, SRT, resolveu mexer justamente nisso.
A divisão esportiva apresentou uma nova tecnologia chamada eBoost Air, que adiciona um compressor elétrico ao motor Hurricane biturbo. A ideia é acabar praticamente com o turbo lag e fazer o seis-cilindros responder ao acelerador como os antigos V8 supercharged da Dodge, Ram e Jeep. Desta forma, a SRT já colocou o sistema em um Jeep Grand Cherokee conceito, embora ainda não confirme se pretende levá-lo para produção.
Mas o que a SRT fez no Hurricane?
Primeiro vamos entender o problema. Um turbocompressor utiliza os gases do escapamento para girar sua turbina e comprimir o ar enviado ao motor. Quanto mais ar entra, mais combustível pode entrar também e, consequentemente, mais potência aparece.

Entretanto, existe um pequeno atraso entre pisar no acelerador e o turbo atingir a pressão necessária. É o famoso turbo lag que chamamos e está em todo canto dos carros, seja eles de baixa cilindrada como o Volkswagen T-Cross, Fiat Fastback e Peugeot 2008, ou carros maiores como a Ram 1500.
Com turbos maiores, esse problema pode ainda aumentar. Por outro lado, utilizar turbinas pequenas melhora a resposta em baixa, mas acaba limitando a capacidade de gerar muita potência em rotações mais altas. Foi justamente nesse espaço que a SRT colocou o eBoost Air.
É praticamente um supercharger elétrico

Antes dos dois turbos convencionais do Hurricane, a SRT instalou um compressor movimentado apenas por eletricidade. Quando o motorista pisa no acelerador em baixa rotação e os turbos ainda não estão trabalhando com força total, esse compressor entra em ação imediatamente.
Assim, ele já pressuriza o sistema de admissão antes mesmo de existir fluxo suficiente de gases no escapamento para acordar os dois turbos. Conforme a rotação sobe e as turbinas convencionais passam a produzir toda a pressão necessária, uma válvula controlada eletronicamente desvia o fluxo. A partir daí, o Hurricane volta a respirar pelo caminho normal.

Ou seja, o compressor elétrico não precisa trabalhar o tempo inteiro. Ele aparece justamente naquele pequeno intervalo em que o motorista já pediu potência, mas os turbos ainda estão se preparando para entregá-la.
Não é exatamente um turbo elétrico
Apesar de ter a mesma ideia de eliminar o lag como os modelos 992.2 da Porsche, existe uma diferença. No um e-turbo da Porsche, o motor elétrico está inserido dentro do próprio turbocompressor. Ele fica posicionado no mesmo eixo físico, exatamente entre a roda do compressor (caixa fria) e a roda da turbina (caixa quente).

Não há um supercharger extra no motor Já o eBoost Air utiliza um compressor completamente separado antes dos dois turbos do Hurricane. Portanto, ele nem sequer possui o lado quente ligado ao escapamento. Para facilitar, podemos pensar nele quase como um pequeno supercharger elétrico colocado antes dos turbos.
Hurricane pode ficar ainda mais forte
Hoje, a versão High Output do Hurricane 3.0 já está longe de ser um motor fraco. No Dodge Charger Scat Pack SIXPACK, o seis-cilindros biturbo entrega 558 cv. É atualmente a versão de produção mais potente do Hurricane. Além disso, o motor trabalha com até 30 psi de pressão nos turbos, pouco mais de 2 bar.

O problema é justamente conciliar uma pressão tão alta com respostas instantâneas em qualquer rotação. Com o eBoost Air cobrindo a parte de baixa, teoricamente a SRT pode trabalhar com turbos ainda maiores no futuro sem transformar o motor em algo morto antes deles encherem.
Assim, o compressor elétrico entrega a resposta inicial. Logo depois, os dois grandes turbos assumem e continuam empurrando o motor em alta. É justamente daí que vem a comparação com os antigos V8 supercharged.
A SRT quer a resposta de um V8

Quem já dirigiu um motor grande com compressor mecânico sabe bem a diferença. Diferentemente de um turbo convencional, o supercharger não precisa esperar os gases do escapamento aumentarem. Como ele está mecanicamente ligado ao motor, a pressão aparece praticamente junto com o acelerador.
Por isso, um V8 supercharged entrega aquela sensação de força praticamente instantânea em baixa rotação. Segundo a SRT, o Hurricane equipado com eBoost Air ficou muito mais próximo desse comportamento.

Isso não significa que um seis-cilindros virou um V8 e muito menos que terá o mesmo ronco. A ideia está apenas na forma como o torque chega quando o motorista pisa. E, principalmente em um carro pesado como um Grand Cherokee, essa resposta imediata faz bastante diferença.
Ainda não está pronto para produção
Só existe um detalhe importante: por enquanto, tudo isso continua sendo um conceito. A SRT não revelou potência, torque, tensão do sistema elétrico ou quanto o compressor consegue pressurizar. Também não apresentou números de desempenho ou testes de durabilidade.
![Dodge Charger Scat Pack [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/11/dodge_charger_daytona_scat_pack_4-door40.webp)
Portanto, ainda não sabemos se essa tecnologia aparecerá realmente em um Jeep, Dodge ou Ram de produção. Além disso, colocar mais um compressor debaixo do capô não acontece de graça. O sistema precisa de energia elétrica, refrigeração e espaço. Ao mesmo tempo, adiciona mais componentes, peso e complexidade justamente em um motor que já utiliza dois turbocompressores.
Ainda assim, não estamos falando de uma tecnologia impossível. Mercedes-Benz e Audi, por exemplo, já trabalharam com compressores elétricos para preencher a resposta dos turbos. A diferença é que a SRT pretende utilizar isso no Hurricane principalmente para desempenho, não para eficiência.
Você teria um Grand Cherokee SRT com Hurricane ou ainda ficaria com o antigo V8? Deixe seu comentário!


