Os híbridos e elétricos conquistaram o consumidor brasileiro pela autonomia e pela economia no posto. No entanto, longe dos olhos do público, o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) sofreu uma alteração estratégica em sua portaria que redefine as regras para as montadoras. Sem alardes, o governo modificou o cálculo da eficiência energética das frotas.
Não se trata de uma nova métrica de consumo, mas de uma contabilidade que altera o peso regulatório de cada tecnologia. Essa equação invisível dita quais modelos as marcas manterão nas lojas e quais serão sentenciados ao fim da linha nos próximos anos.
A lógica da compensação
No Programa MOVER, o governo não fiscaliza carros isoladamente. O que vale é a média de eficiência de toda a frota vendida pelo fabricante ou importador ao longo do ano. Na prática, uma marca ganha o direito de vender modelos beberrões, desde que equilibre a balança com veículos altamente eficientes.
A grande mudança está nos multiplicadores. A nova regra permite que tecnologias limpas valham por dois, três ou até quatro veículos no fechamento da conta. É o atalho perfeito para as fabricantes evitarem multas pesadas sem precisar abandonar o motor a combustão do dia para o noite.

O bônus da contabilidade criativa
A conta funciona como um bônus de eficiência. Imagine uma marca que vende mil carros a combustão e apenas cem elétricos. Pelas normas de 2027, esses cem elétricos ganham peso três na planilha oficial. Para o governo, essa empresa não emplacou 1.100 carros, mas sim 1.300, sendo 300 deles considerados nota máxima.
Essa matemática facilita o cumprimento das metas ambientais com muito menos esforço técnico. Segundo a portaria de 2027, o peso regulatório segue uma escala rígida:
- Híbridos: valem até 1,5 carro;
- Híbridos Plug-in (PHEV): valem até 2;
- Elétricos a bateria (BEV): valem 3;
- Célula de combustível (Hidrogênio): valem 4.
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O fim da era do motor puro
O MOVER funciona como um relógio de areia: os benefícios têm prazo de validade. O governo sinaliza que a eletrificação é a prioridade do agora. Quem larga na frente garante os bônus; quem retarda a tecnologia verá as vantagens desaparecerem conforme a eletrificação virar padrão.
Para a engenharia nacional, o limite do motor a combustão chegou ao teto. Mesmo com injeção direta, downsizing e ciclos de alta eficiência como Miller ou Atkinson, o ganho marginal é insuficiente para as metas atuais. A eletrificação tornou-se obrigatória, nem que seja por meio de sistemas híbridos leves (MHEV).

O impacto no showroom entre os híbridos e elétricos
Para o consumidor, essa matemática é invisível, mas o resultado aparece na vitrine. O carro elétrico deixou de ser um nicho de imagem para virar o salva-vidas das planilhas. Além disso, muitos modelos existem menos pelo lucro direto e mais para gerar créditos que sustentam o portfólio da marca.
As consequências práticas são inevitáveis: modelos tradicionais saem de linha, preços sobem para cobrir tecnologias novas e a eletrificação forçada chega aos segmentos populares. Os híbridos viram o novo padrão, enquanto elétricos de entrada tornam-se peças vitais para a sobrevivência dos fabricantes no mercado brasileiro.

E você, considera comprar um modelo 100% elétrico ou híbrido? Escreva sua opinião nos comentários.


