A segurança de uma marca de saber que ela é de nicho pode ser uma faca de dois gumes. Afinal, os clientes que ela possui são fiéis se seus produtos novos seguirem as filosofias estabelecidas pelos antigos. Entretanto, dificilmente ela se abre a um novo universo e a novos compradores.
Com o Suzuki eVitara, a HPE vive esse dilema. Sem a possibilidade de vender o icônico Jimny por aqui e sem ainda força para homologar carros mais modernos da marca, a solução do grupo HPE foi apelar para a eletricidade.
Vale lembrar que o grupo também controla a Mitsubishi no Brasil e vai ceder parte da sua fábrica para a GAC produzir automóveis por aqui. Mas o mais interessante é que, durante todo discurso de lançamento, fizeram questão de reforçar um conceito primordial.

Eles afirmam que o eVitara não é um carro elétrico da Suzuki, mas sim um Suzuki elétrico. Essa inversão guarda uma ideia importante: ele não é só um elétrico genérico, mas sim algo que tem seu DNA e, por um acaso, não bebe suco de dinossauro.
Filho de Jimny com Swift Sport
Apesar de hoje a maior força da Suzuki, a nível internacional, serem seus carros de baixo custo feitos na Índia, dois modelos sintetizam a alma da marca. O Jimny é um dos maiores monstros do off-road, enquanto o Swift Sport mostra que esportividade não precisa de motor grande.

Na essência, o eVitara leva um pouco de cada modelo. São 174 cv e 19,6 kgfm de torque providos pelo motor elétrico dianteiro e 65 cv e 11,6 kgfm de torque no traseiro. No total, o modelo entrega 184 cv e 31,2 kgfm de força bruta.
Com isso, ele tem um comportamento de um carro dianteiro no qual a tração traseira auxilia em momentos específicos. Ele puxa com força e tem uma boa entrega de performance, embora em doses comedidas e sem aquela pegada absurda de muito elétrico premium ou chinês.

Certamente, o fôlego é o suficiente para que você não tenha dificuldade alguma em bater os 150 km/h de velocidade máxima. A entrega de torque faz com que o eVitara seja um carro muito ágil nas retomadas em estrada e em vias sinuosas.
Daí que vem o espírito do Swift Sport, junto da suspensão que até que segura bem nas curvas. Contudo, o conjunto apresenta uma tendência um pouco notável de flutuação tal qual um carro chinês. Mas essa característica tem um motivo de existir.
![Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-10-1320x743.webp)
O Suzuki eVitara vai para a terra com autoridade
Quando o eVitara entra no território do Jimny é que você entende o layout da suspensão. Ela filtra magicamente as superfícies ruins da terra e buraqueiras, evitando batidas secas ou impactos que fazem o carro parecer desmontar.
Um elétrico nessa situação, geralmente, bate toda parte inferior e se sente nitidamente desconfortável. O Suzuki não. A força do motor elétrico é estratégica aqui para vencer valetas e buraqueiras pesadas sem qualquer dificuldade.
![Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-26-1320x743.webp)
Enquanto um Jimny com seu humilde motor 1.5 aspirado vai precisar de auxílios da reduzida ou de mais força de pedal para vencer uma pirambeira, o eVitara faz o mesmo com silêncio total. Além disso, se você pisar forte, ele até arranca pedaço de terra.
Para quem tem medo de fazer um off-road e ficar sem bateria, a Suzuki garante 293 km de autonomia. Considere que um Jimny com seu tanque de 40 litros e consumo na faixa de 9,5 km/l na cidade pode ter uma autonomia bem semelhante.
![Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-19-1320x743.webp)
Cada momento de condução difere no SUV
Notável é que o melhor modo de condução para o modelo é o Trail. Nessa situação, o centro de direção fica menos bobo e também ganha mais peso, deixando o Suzuki eVitara mais na mão e mais direto.
Nem no modo Sport a direção não fica tão bem acertada quanto nesse momento, mas já é melhor do que nos outros modos. Por isso, Suzuki, fica a dica de calibração do sistema. Outro sistema que merece atenção é o ADAS, que não é tão natural e fluido quanto poderia ser.
![Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-11-1320x743.webp)
Ele conta com piloto automático adaptativo, sistema de manutenção em faixa, alerta de ponto cego, entre outros. São sistemas que funcionam ok, mas que certamente carecem de um refinamento a mais para o uso diário.
Itens de série Suzuki eVitara
- Bancos com revestimento de couro e tecido com regulagem elétrica para o motorista
- Rodas de liga-leve de 18 polegadas
- Faróis full-LED com acendimento automático
- Freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold
- Teto solar fixo
- Aquecimento nos bancos dianteiros
- Banco traseiro com regulagem sobre trilhos e inclinação
- Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
- Câmeras 360 graus
- Carregador de celular por indução
- Ar-condicionado digital de uma zona
- Retrovisores elétricos com rebatimento automático
- Chave presencial
- Luz de neblina
Por falar em refinamento
Ao tabelar as primeiras unidades do Suzuki eVitara em R$ 259.990, a marca sabe que o colocou em um nicho perigoso. É um mercado em que você tem acesso desde a um Volvo EX30 até modelos chineses com acabamento impecável como Omoda E5 e BYD Yuan Plus.
![interior Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-04-1320x743.webp)
O eVitara não que tenha um acabamento ruim, como acontece no Volvo EX30, mas é decepcionante frente ao que o mercado já oferece. Ele é todo feito em plástico duro, salvo a seção de material emborrachado marrom que traz um interessante contraste visual.
Os plásticos, contudo, têm qualidade, são bem montados e não apresentam rebarbas. A sensação de carro de entrada se dá por conta da tela pequena para a central multimídia e para o painel de instrumentos digital.
![central multimídia, painel e interior Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-02-1320x743.webp)
Só que, para dar a impressão de algo maior, a Suzuki as integrou em uma área só, criando bordas gigantescas para as duas telas. Contudo, elas são boas de usar, vale notar. Outra parte boa é que a maioria dos comandos necessários são físicos.
Há como controlar a temperatura do ar-condicionado e a ventilação diretamente por botões no painel, assim como aumentar o volume do rádio. Seletor de modo de condução e outros controles também estão fáceis para o motorista.
![central multimídia, painel e interior Suzuki e-Vitara [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/03/suzuki-evitara-01-1320x743.webp)
O eVitara é maior do que parece ser
Apesar de ser um carro de dimensões bem compactas, o Suzuki eVitara tem espaço interno melhor do que muito SUV compacto por aí. Claro que não é uma vastidão, mas dá conta de quatro pessoas sem grandes apertos.
Só se você for alto demais, talvez enfrentará um pouco de problema com a área para a cabeça, que é apertada. O porta-malas leva de 224 litros a 310 litros, a depender do layout escolhido para os bancos.

Como o assento traseiro desliza sobre trilhos e pode ser inclinado em ângulos diferentes, o motorista pode escolher quem privilegiar com espaço extra. O porta-malas, porém, não tem abertura elétrica da tampa.
Veredicto
A Suzuki sabe que o eVitara vai vender pouco. E, para ela, está tudo bem. Afinal, não é todo mundo que quer um SUV elétrico para fazer off-road. Mas havia gente que estava disposta a pagar caro por um modelo minúsculo feito para subir parede como era o Jimny.

Só que o público da Suzuki é o que quer esse tipo de carro. Se é a alternativa que a marca tem para sobreviver por aqui, o produto está certeiro para o seu objetivo de volume baixo. Mas ele só vale a pena se você faz muita questão de um Suzuki elétrico. Caso queira essencialmente um SUV elétrico e não tenha preferência por marca, melhor evitar.
Você teria um Suzuki eVitara ou prefere os modelos a combustão da marca? Conte nos comentários.


