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Disputa forte

BYD Dolphin Mini vs Geely EX2: qual o melhor elétrico barato? | Comparativo

Queridinhos do público, Geely EX2 e BYD Dolphin Mini se enfrentam em um comparativo pela disputa de melhor carro elétrico barato

9 min de leitura

Se hoje o Brasil entendeu o que carro elétrico significa e a importância desse segmento, pode agradecer ao BYD Dolphin Mini e ao Geely EX2. Eles, junto ao Dolphin, são os carros mais vendidos do país para clientes PF e também figuram entre os mais vendidos quando somamos os emplacamentos para PJ.

Quem pensa hoje em entrar no mundo dos carros elétricos tem cada vez mais opções na faixa acima da dupla. Mas qual dos dois modelos é a melhor porta de entrada para a eletrificação? Este comparativo busca a resposta para isso.

Quanto custam?

Logo na largada, o BYD Dolphin Mini saiu em vantagem. Ele custa R$ 118.990 na versão GS e R$ 119.990 na GL. Na prática, a versão de entrada pode ser totalmente ignorada porque traz menos itens, que não justificam a diferença irrisória no valor de tabela. Tanto que o modelo das fotos é o topo de linha.

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de traseira  com um fundo azul forte
BYD Dolphin Mini vs Geely EX2 [Auto+ / João Brigato]

Já o Geely EX2 é mais caro. Começa em R$ 123.800 na versão de entrada Pro e chega a R$ 136.800 na topo de linha Max, que está presente neste comparativo. Com isso, temos uma vantagem de R$ 3.810 para o Dolphin, se compararmos GS com Pro, ou de R$ 16.810 se levarmos em conta as versões deste comparativo.

Mas o Geely EX2 Max justifica o preço maior por ter mais equipamentos. Um dos mais importantes é o sistema ADAS completo, com farol alto automático, piloto automático adaptativo, sistema de manutenção em faixa e frenagem autônoma de emergência. Esses itens estão completamente ausentes no Dolphin Mini em qualquer versão.

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de frente com um fundo azul forte
Geely EX2 vs BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]

O Geely ainda tem como exclusividades a saída de ar para o banco traseiro, controle de descida, painel de instrumentos digital de verdade, banco traseiro bipartido, frunk, tampão no porta-malas e luzes no banco traseiro. Só o BYD, porém, tem volante com ajuste de profundidade e Android Auto e Apple CarPlay sem fio, enquanto no EX2 a conexão ocorre via cabo.

A grande vantagem é que ambos trazem uma lista bem completa de itens de série, como banco do motorista com regulagem elétrica, chave presencial, faróis full-LED com acendimento automático, câmera 360 graus, retrovisores elétricos e vidros elétricos nas quatro portas. O one touch funciona apenas para o motorista no Dolphin Mini e para todos no Geely.

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de traseira com um fundo azul forte
BYD Dolphin Mini vs Geely EX2 [Auto+ / João Brigato]

Mini e Max

Como o EX2 foi pensado para concorrer com o Dolphin e com o Dolphin Mini ao mesmo tempo, ele é um carro maior que seu rival neste comparativo. O Geely é 35,5 cm mais longo, 9 cm mais largo e tem entre-eixos 15 cm maior, mas empata com o rival na altura. Além disso, o porta-malas é 145 litros maior: 230 litros no Dolphin Mini contra 375 litros no Geely.

E há outro ponto: o EX2 conta com um frunk de 70 litros, enquanto o Dolphin Mini não tem espaço de armazenamento extra na dianteira. Isso se reflete diretamente no espaço interno, que é bem generoso em ambos. Eu, com 1,87 m, me sento confortavelmente na segunda fileira dos dois.

No BYD, porém, sobra um dedo de distância para o banco dianteiro, enquanto no Geely sobra um palmo fechado. O espaço para a cabeça é igual em ambos, e eles são muito confortáveis por lá, com assento na inclinação adequada, piso plano e boa largura. Detalhe: só o EX2 tem saída de ar e carregador USB para a turma do fundão.

Cores físicas e cores digitais

A cabine do Geely EX2 e do BYD Dolphin Mini não poderia ser mais contrastante. O primeiro aposta em revestimentos de cores chamativas, como o azul com detalhes laranja presente no modelo testado. Já o segundo tem vários tons de cinza, mas traz luzes decorativas no painel e nas portas com o horizonte da China.

Os dois trazem acabamento em plástico duro, com somente a parte mais central do painel e parte das portas com revestimento macio. Entretanto, a qualidade percebida do Geely é melhor, especialmente nos plásticos utilizados. O Dolphin até traz mais revestimento macio, mas os plásticos duros têm textura simples.

Outro ponto que pesa contra o BYD é o painel de instrumentos. Ele tem uma tela digital ao centro com várias funções, mas o velocímetro, o medidor de autonomia, o nível de bateria e o medidor de força usam luzes simples. Já o Geely tem um painel digital pequeno, mas completo e visualmente agradável.

O mesmo acontece com a central multimídia: o Dolphin Mini tem 10,1 polegadas contra 14,6 polegadas do EX2. A tela do Geely tem mais qualidade e é mais fácil de usar, trazendo fixo o comando de ventilação do ar-condicionado, enquanto o BYD finge ter ar de duas zonas, mas oferece apenas uma. Nenhum tem comando de ventilação automático.

Outro ponto é que a quantidade de porta-objetos é maior no Geely, inclusive com um compartimento fechado por tampa no console central. A vantagem inegável do Dolphin Mini, entretanto, está na presença de regulagem de profundidade no volante. O do EX2 só regula em altura, mas é um volante pequeno. Ainda assim, ambos têm boa posição de dirigir e uma vasta possibilidade de regulagem no banco.

Diferenças mecânicas enormes

Geely EX2 e BYD Dolphin Mini são carros elétricos, e as coincidências terminam por aí. A concepção de cada um deles segue caminhos bem diferentes. O BYD tem motor dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm de torque, sendo um pouco mais potente e torcudo do que um carro 1.0 três cilindros aspirado.

Por conta disso, ele é lento: leva 14,9 segundos para chegar aos 100 km/h e, se colocarmos no modo Eco, não passa de 115 km/h. A velocidade máxima no modo normal é de 130 km/h. A instantaneidade do torque elétrico dá agilidade para o uso urbano, mas subidas mais íngremes fazem lembrar que falta potência.

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de frente com um fundo azul forte
Geely EX2 vs BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]

Na estrada, o Dolphin Mini sofre para fazer ultrapassagens e manter velocidade constante. Além disso, o gerenciamento de bateria faz com que ele gaste bastante no ciclo rodoviário. Ao contrário do Geely EX2, que consegue gerenciar bem o uso da carga e, como tem velocidade máxima de 140 km/h, oferece uma sobra maior para a rodovia.

São 116 cv e 15,3 kgfm de torque providos por um motor na traseira. Como ele é apenas 61 kg mais pesado que o rival, os números extras se refletem em um carro mais rápido e ágil. Tanto que chega aos 100 km/h em 10,1 segundos. Ele não faz feio na estrada, inclusive fazendo parecer que sua velocidade máxima poderia ser bem maior.

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de traseira com um fundo azul forte
BYD Dolphin Mini vs Geely EX2 [Auto+ / João Brigato]

Em questão de autonomia, o EX2 roda 289 km e o Dolphin Mini fica em 280 km, segundo o Inmetro. Na prática, eles passam tranquilamente de 300 km com carga completa, algo que nossos testes atestaram. Mas, no trecho São Paulo–Campinas, o Geely gastou menos bateria que seu rival.

Vale lembrar também que o EX2 é mais rápido para carregar, aceitando carregadores de 70 kW contra 40 kW do rival. Em tomada residencial ou wallbox, ambos chegam a 6,6 kW. A densidade de bateria do Geely também é um pouco maior: 39,4 kWh contra 38 kWh.

Geely EX2 vs BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]
Geely EX2 vs BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]

Não parecem da mesma categoria

A concepção de um modelo e do outro muda totalmente a experiência ao volante. Sair do Geely EX2 para o BYD Dolphin Mini provoca um choque de realidade. O Dolphin Mini é bom para dirigir, mas disfarça muito bem o fato de ser um carro simples e pensado para ser barato.

Ele é mais barulhento ao rodar, com a suspensão constantemente gerando ruídos internos, assim como os pneus finos 175/55 R16. Apesar de ter recebido uma readequação para o Brasil, a suspensão do Dolphin Mini ainda é mole demais, fazendo com que ele fique muito suscetível a ventos laterais na estrada e balance bastante.

BYD Dolphin Mini vs Geely EX2 [Auto+ / João Brigato]
BYD Dolphin Mini vs Geely EX2 [Auto+ / João Brigato]

Em ruas mal asfaltadas, não é incomum que ele dê fim de curso com um barulho forte ao cair em um buraco. A direção, por outro lado, é muito bem calibrada, ficando leve nas manobras e assumindo peso adequado com mais velocidade.

Já o Geely EX2 parece, e é, um carro mais sofisticado. Ele transmite maior solidez ao rodar, com silêncio a bordo garantido pelo melhor isolamento acústico e pelos pneus mais largos. Por ter tração traseira, ele tem comportamento mais arisco no limite, mas, no dia a dia, quase ninguém vai notar a diferença de layout.

A suspensão também prioriza o conforto e tem uma penalidade. O motorista pode até não perceber, mas os passageiros traseiros sentem que o EX2 fica quicando, e o balanço aparece com nitidez ao passar por ruas ruins. A direção, por ser pequena, é mais direta que a do Dolphin Mini, além de ser um pouco mais pesada e prazerosa de dirigir. Características que a força extra reforça.

Veredicto

O Geely EX2 sai vencedor com folga deste comparativo. Como produto, ele é superior em tudo: especialmente dirigibilidade, motorização, tecnologia e ambiente interno. A diferença de preço entre o BYD Dolphin Mini GS e o EX2 Pro, de apenas R$ 3.810, já vale a pena. Mas junte mais um pouco e leve o EX2 Max de R$ 136.800, porque os itens a mais justificam.

No final das contas, a única vantagem que o Dolphin Mini tem em relação ao EX2 é a maior rede de concessionárias e a conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay. Só que perder o comparativo não significa que o Dolphin Mini deve ser ignorado. Afinal, ele é um produto bem superior a muitos carros a combustão na mesma faixa de preço.

Você teria um BYD Dolphin Mini ou um Geely EX2? Conte nos comentários.

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