Enquanto os SUVs parecem tanques de guerra no trânsito, ocupando espaço e consumindo combustível fóssil ou vegetal, o BYD Dolphin SE é uma unidade de reconhecimento leve. Compacto e ágil, o 100% elétrico do fabricante chinês vence o trânsito não pela brutalidade, mas sim pela agilidade proporcionada pelo torque instantâneo e a condução silenciosa.
Ele chegou para ser uma opção intermediária e o BYD Dolphin SE (de Special Edition) cobra R$ 164.990 contra os R$ 149.990 do Dolphin GS, bem como é mais barato do que o irmão Dolphin Plus, a alternativa mais canhão da família, que entrega 204 cv por R$ 184.800. Mas, o que ele traz e por que está no degrau do meio da família?

BYD Dolphin SE: o que muda no visual e no tamanho da carroceria?
Mais maduro visualmente, o BYD Dolphin SE mostra uma evolução da linha Ocean. A dianteira ganhou faróis afilados e entradas de ar funcionais no para-choque. Atrás, a assinatura luminosa foi renovada com lanternas de efeito ondulado, complementadas por lentes refletivas horizontais na base do para-choque traseiro.
Pode parecer história de marketing, mas sim, o BYD Dolphin SE é 15,5 cm mais comprido em relação ao Dolphin GS. Isso ocorre porque ele compartilha a mesma carroceria do Dolphin Plus, que mede 4,29 m de uma extremidade à outra. Além disso, ele também empresta a suspensão traseira multilink, que beneficiou a dinâmica do 100% elétrico da BYD.


Fita métrica e as evoluções do habitáculo
De resto na ponta da fita métrica, o BYD Dolphin SE continua com as mesmas medidas. Ou seja, com 1,57 m de altura, 1,77 m de largura e 2,70 m de entre-eixos (equivalente a um sedan médio). Embora mostre uma mudança na dianteira maior, não foi incluído um frunk sob o capô a exemplo de outros modelos livres de emissões. O porta-malas continua com capacidade volumétrica de 250 litros.
Apesar disso, ao abrir a porta é onde estão as evoluções do BYD Dolphin SE. Afinal, o habitáculo abriu um novo capítulo tirando de cena os acabamentos claros e em laranja, deixando a cabine majoritariamente em preto, sendo mais elegante, prática, mais madura e pensada para o consumidor brasileiro.

O seletor de marcha rotativo saiu de cena indo parar na coluna de direção, como nos modelos da Mercedes-Benz, bem como outra alteração está nos modos de condução concentrados em um único lugar à esquerda do console central, com o ajuste do volume à direita do console central.
Além disso, o carregador de smartphone por indução passou a ser de 50W e os porta-copos foram redesenhados. O volante de base achatada preserva a boa empunhadura, só que recebeu dois botões personalizados (um para cada mão), com funções voltadas para trocar a fonte do sistema de som ou o destino do navegador.



Multimídia não é mais giratória e traz sistema Google
A multimídia agora tem Sistema Automotivo da Google, permitindo baixar aplicativos, e segue com 12,8 polegadas, mas perdeu a capacidade de girar para ficar na posição horizontal ou vertical. Algo que, na prática, não tinha muito sentido. Além disso, passou a ter conexão 5G. Já o quadro de instrumentos digital foi de 5 para 8,8 polegadas, sendo capaz de mostrar o Google Maps em ambas as telas.
Embora tenha recebido essa modernidade, não é possível espelhar os mapas do Android Auto. O ar-condicionado é duas zonas, sendo de uma zona nas demais configurações da família. Um destaque da cabine está no desenho dos bancos com o do motorista ajustável eletricamente. Eles são diferentes com o encosto de cabeça separado e a construção utilizando espumas de ótima densidade. Além disso, são ventilados.



Isso cooperou tanto no conforto quanto na sustentação do corpo, bem como não cansam o corpo após horas a fio ao volante. Aliás, são qualidades estendidas aos ocupantes traseiros, que ainda encontram as saídas dedicadas e um bom espaço para as pernas e os joelhos por conta do entre-eixos de 2,70 m. Ou seja, igual ao do Toyota Corolla.
Além disso, o pacote de segurança contempla os assistentes de condução ADAS de nível 2, incluindo detecção de pontos cegos, controlador de velocidade adaptativo, assistente de permanência em faixas, alerta de colisão frontal, traseira, de mudança de faixas e tráfego cruzado. No frigir dos ovos, são itens do Dolphin Plus em uma embalagem mais econômica.

BYD Dolphin SE usa o conjunto do Yuan Pro
O BYD Dolphin SE emprega o mesmo conjunto e a bateria do Yuan Pro. Sendo assim, oferece 177 cv e 29,6 kgfm. No Dolphin GS (95 cv e 18,3 kgfm), enquanto no Dolphin Plus são 204 cv e 31,6 kgfm. Além disso, no Dolphin SE a bateria é de 45,12 kWh, com potência de recarga em corrente contínua (DC) de 80 kW, o que permite saltar de 30% a 80% em apenas 20 minutos.
O alcance puramente elétrico e livre da emissão de poluentes do Dolphin SE é de até 272 km, segundo o Inmetro. Isso significa 19 km a menos em relação ao Dolphin GS. Já o Yuan Pro oferece até 250 km. Ao volante, no modo de condução Eco, o mais brando, o Dolphin SE transmite uma sensação de agilidade e eficiência no trânsito.


A tração integral junto da relação peso-potência de 8,39 kg/cv possibilita ganhar velocidade com zero emissão de ruídos. Aliás, o único presente é o da rolagem dos pneus de medidas 205/50 R17 no asfalto, dependendo da condição do piso, pois o Dolphin SE é bem isolado acusticamente, inclusive sem sofrer ruídos aerodinâmicos. Além do programa Eco, há o Normal, que muda um pouco o comportamento e as reações do BYD.
Modo Sport transforma o elétrico em um canhão
Ao passar para o modo Sport, o BYD Dolphin SE vira um canhão. Se o Eco privilegia a eficiência, como o próprio nome diz, na cidade, no Sport ele arranca com ferocidade à frente transmitindo boas doses de diversão ao volante. Mostra até uma tendência de sair de frente, necessitando aplicar um contra-esterço para colocar ordem na casa ao abusar do pedal do acelerador. Já o modo Snow funciona para pisos escorregadios.
A direção assistida eletricamente é direta e precisa ao esterço, contribuindo na sensação de boa dirigibilidade do Dolphin SE. Mas as suspensões merecem um capítulo à parte. Elas adotam a arquitetura MacPherson no eixo frontal e multibraço atrás, mostrando uma calibração firminha que abdicou do ajuste mole do Dolphin GS.

Portanto, ataca com vontade as curvas sem transmitir uma rolagem de carroceria, da mesma forma que convive bem em nosso asfalto pela forma que filtra e absorve as irregularidades do piso. Sem dúvidas, uma grande característica técnica do Dolphin SE.
Nada mal para um 100% elétrico que chega aos 100 km/h em oito segundos e crava 160 km/h de velocidade máxima. A versão GS cumpre as mesmas provas em 10,9 segundos e o Plus em sete segundos (ambos com máxima de 160 km/h).


Veredicto
Sem dúvidas, o BYD Dolphin SE é o melhor Dolphin de todos os tempos. Com potência e torque na medida, ele pode ser a indicação ideal para quem deseja um elétrico para o dia a dia que entregue um bom fôlego. O melhor de tudo é que a diferença para o Dolphin GS é de R$ 15.000, o que a torna pequena diante da quantidade de evoluções.
Mesmo assim, nesse segmento temos outras possibilidades a serem levadas em conta. Uma delas é o GAC Aion UT Elite, que cobra R$ 159.990 oferecendo 204 cv e 21,4 kgfm, além de até 310 km de autonomia. Outra opção é o GWM Ora 03 BEV58 (R$ 169.000), que possui 171 cv, 25,5 kgfm e alcance de até 315 km.

Ainda no universo da GWM, o Ora 5 acabou de chegar ao nosso mercado por R$ 159.900. Ou seja, um preço bem próximo do Dolphin SE (R$ 164.990), mas oferecendo 4,47 m de comprimento, 2,72 m de entre-eixos e um porta-malas de 362 litros.
E você, o que achou do BYD Dolphin SE? Acha que a diferença de R$ 15.000 sobre a versão de entrada vale a pena ou você iria direto para os modelos da GWM ou da GAC? Escreva nos comentários!


