Assim como Bombril é sinônimo de palha de aço, cotonete é como chamamos as hastes flexíveis e gillette é como as pessoas preferem chamar os barbeadores, quando pensamos em sedan médio é impossível não falar de Toyota Corolla. A fórmula desenhada por ele e sucesso global até hoje não é a mesma do BYD King. E isso é ótimo para ele.
Um sedan médio padrão é o tipo de carro que preza pelo prazer ao volante. Em geral, são carros mais baixos, de suspensão mais firme, boa habilidade nas curvas e um bom ponto de partida para um carro esportivo. Tanto que a maioria dos sedans ou flerta com o segmento de esportivos ou tem uma versão mais apimentada – nem que para isso vire um hatch.
E isso não faz parte do currículo do BYD King. Ele é um carro voltado nitidamente para o conforto e para a eficiência energética. Considere, como exemplo, que um Corolla Hybrid em seu melhor dia fará, no máximo 735 km. Já o BYD King consegue sem esforço passar de 1.000 km com um tanque.

Fórmula da economia
Para chegar a esse impressionante número, o BYD King opera uma mágica que envolve dois motores e um conjunto de baterias moderno. A base é o 1.5 quatro cilindros aspirado de 110 cv e 13,8 kgfm de torque que opera conjuntamente com o conjunto elétrico de 197 cv e 33,1 kgfm. Ao todo, são 235 cv.
A grande diferença para o sistema da Toyota é que o BYD é híbrido plug-in e também tem como diferença o protagonismo do sistema. No Corolla, o motor 1.8 aspirado que é o mais usado, enquanto o elétrico auxilia, no King é o contrário. A maior parte do tempo são os 197 cv do motor elétrico que estão em pleno funcionamento.

Com isso, ele tem comportamento típico de um carro elétrico, com acelerações instantâneas e fortes. Ele tem uma agilidade invejável e uma linearidade na entrega de torque que faz com que pareça um carro mais refinado. O motor 1.5 entra em ação somente para auxiliar em situações específicas. Até na estrada, ele deixa o motor elétrico trabalhando.
A depender do modo de bateria escolhido pelo motorista, o BYD King deixa o motor a combustão funcionando como gerador de energia elétrica para carregar as baterias. É possível escutar o motor roncando e uma leve vibração presente quando o sedan está em movimento. Mas, ao parar, ele sempre desativa o 1.5 quatro cilindros.

Segundo a BYD, o King roda 78 km só no modo elétrico. Mas o modo SOC na central multimídia permite manejar a carga mínima entre 25% e 70%. Em diversos testes que fiz com carros da marca, a bateria nunca zerou. Basta deixar no modo certo. Por isso, aquele medo de acabar a bateria e acabar a performance é um certo mito. Ou falta de atenção.
Modus operandi
Um dos pontos no qual o BYD King mais diverge de todos os outros sedans médios é na dirigibilidade. Ele é um carro voltado totalmente ao conforto. A suspensão é bem macia, mas não chega a ser um pudim como o típico de carros chineses. Por conta disso, o modelo sai mais de frente e balança em curvas mais abusadas.

Por outro lado, a absorção de impactos em asfalto ruim é muito boa, especialmente porque os pneus 215/55 R17 são bem borrachudos e fazem com que as rodas pareçam minúsculas nele. A direção elétrica também vai para o lado do conforto, oferecendo assistência bem presente e um filtro evidente do que acontece no asfalto.
Vale destacar que o BYD King se dá bem na estrada com alta velocidade. Ele é estável e, novamente, confortável. Como a autonomia é grande, se torna um bom companheiro de viagem. Uma das boas novas da linha 2026 é que a marca chinesa finalmente corrigiu um dos defeitos que tinha em relação ao Corolla: falta de sistema ADAS.

Os King GL 2026 contam com frenagem autonoma de emergência, alerta de mudança de faixa, piloto automático adaptativo, sistema de manutenção em faixa, alerta de tráfego cruzado e alerta de ponto cego. São itens bem calibrados e surpreendentemente pouco intrusivos para um carro chinês. Menos o alerta de aproximação que dispara o pisca-alerta até se um mosquito passar rápido perto do King.
Faltou só um
Uma das correções que faltou ao BYD King 2026 é a inclusão de teto solar. Por mais que o do Toyota Corolla seja pequeno, esse tipo de item é muito apreciado por compradores de sedans médios. Especialmente quando se chega em um valor de R$ 175.990 como é o caso do modelo.

De série, entretanto, ele traz itens como seis airbags, chave presencial, partida remota, carregador de celular por indução, bancos dianteiros com ajuste elétrico, câmeras 360 graus, monitoramento de pressão dos pneus, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, farol com acendimento automático e assistente de luz alta.
Há ainda freio a disco nas quatro rodas, painel de instrumentos totalmente digital, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, ar-condicionado digital de duas zonas, retrovisores elétricos com rebatimento automático, rodas de liga-leve de 17 polegadas (com novo desenho na linha 2026) e auto-hold.

Um padrão estabelecido
Assim como a maioria dos carros chineses é conhecido por ter suspensão de pudim, outra coisa que é reconhecidamente marca dos modelos orientais é o nível de acabamento elevado. No caso do BYD King, ele nitidamente está um patamar acima do Toyota Corolla em qualidade interna.
Há muito material macio, com superfícies revestidas em material emborrachado e imitação de couro contrastando em pontos específicos. Ele tem mais plásticos do que é presente nos irmãos Song, mas a BYD soube trazer texturas e cores interessantes para dar um ar mais sofisticado à cabine do King.

O console central alto é muito bem montado, sendo sólido e bem preso. Até mesmo o descanso de braço central é duro para levantar e abaixar, indicando qualidade. Outro ponto são as portas, que contam com dois puxadores, ambos revestidos em imitação de couro, mas de qualidade.
O que deixa a desejar, contudo, são os bancos. Eles não são confortáveis, cansando depois de algumas horas atrás do volante, especialmente no trânsito. Além disso, o revestimento claro suja com muita facilidade – a unidade testada tinha 3.300 km rodados e o banco do motorista já estava todo encardido.



Já o espaço interno é bom para um sedan médio, oferecendo boa área para o motorista, com ajustes de profundidade e altura do volante, além de ajuste para o cinto de segurança. Quem senta atrás disfruta de uma boa área para pernas e cabeça. Já o porta-malas leva 450 litros e tem os bancos dobrados com facilidade, além de práticos nichos na lateral.
Atualizando o sistema
Um dos pontos positivos de carros chineses também é a atualização constante de sistemas dos carros. O BYD King recebeu uma nova arquitetura para a central multimídia na qual corrigiu muita coisa. Agora o menu do ar-condicionado fica fixo na parte inferior da tela, mesmo quando o Android Auto ou o Apple CarPlay estão em uso.


Claro que não é tão bom quanto um comando físico, mas já resolve muita coisa. Além disso, a central trava menos e está mais fácil de ser usada. Contudo, ainda existem alguns sistemas com traduções incompletas ou com termos incorretos como se o Google Tradutor tivesse feito a mudança de linguagem.
A tela continua desnecessariamente girando de um lado para o outro, mas ainda não funcionando o espelhamento de celular quando a mesma se encontra na posição vertical. Tanto a central, quanto o painel de instrumentos, trazem tela de excelente definição, fácil leitura e personalização leve.

Veredicto
Se você é um entusiasta de sedans médios e gosta de um carro com ótima dinâmica para dirigir e coloca isso como prioridade número um, o BYD King não é para você. Agora, se busca um carro confortável, extremamente eficiente, bem acabado e com preço relativamente justo, coloque o modelo chinês na sua lista de prioridades.
Ao invés de seguir a fórmula de Toyota Corolla, Honda Civic e Nissan Sentra, o BYD King tenta trilhar o próprio caminho trazendo outros atributos e até se aproximando do estilo de rodagem dos SUVs, só abrindo mão da posição alta de dirigir. No final das contas, talvez a BYD tenha dito ao King o típico ditado de mãe: “você não é todo mundo”. E isso fez bem a ele.
Você teria um BYD King? Conte nos comentários.



Tenho uma TAOS 2023 Confortline e estou pensando em trocar pelo BYD King, pensando em Economia de combustivel e segurança
Eu tbm… Mas adoro minha Taos!
Gostaria muito de possuir o King, sou motorista de app Uber, tenho 70 anos e possuo um Versa 1.0 ano 20/20. Mas o King está muito caro e faria uma boa diferença nos meus rendimentos de app, por sou aposentado pelo INSS e recebo uma mincharia. Por isso tenho que complementar a minha renda para dar uma vida melhor para minha família.
Tenho um a pouco mais de um mês, o carro é tão gostoso de dirigir que dá vontade de virar Uber só pra passar o dia dentro dele. Pegar estrada então, nem se fala! Aliando isso ao fato de ter energia solar em casa, o gasto com combustível só acontece em viagens longas, e de forma super econômica. Carrão!
Se a autonomia é como a do Song Pro, esquece que vai chegar nos 1.000 km com um tanque. Só se viajar a 80 e 90 km/h e olhe lá! Viajando a 110 km/h em estrada plana de Uberaba a Aquidauana ou em pista dupla de Uberaba para São Paulo, nao chegou a 700 km e não fez mais de 13,4 km/l no modo híbrido!
O problema dos carros chineses é o pós venda…coisa que a Toyota é 1000
Tenho um corolla gli 2025 jamais eu compraria o King! Quem tem corolla só troca por outro corolla!
Eu teria. Não tenho nenhum…
A falta de um teto solar é um pecado nele. Tem luzes internas traseiras de leitura?
Saudade do Honda Civic…
Comprei. É carrão. Para quem gosta de carro. Espaço, tecnológico, ótimo acabamento, firme na estrada, anda muuuuito. Tenho pé pesado, mas fiz mais de 16/L em estrada. Quem gosta de sedan de verdade é obrigado a testar.
Tenho um Jetta R – Line 2020, e não troco por esse chinês de forma alguma!!
Tem que melhorar muito.
Tbm tenho um Jetta TSI highline 2013 versão de 211 cv e não o troco nunca por um byd king desses em definitivo.