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Nissan Ariya é o maior desperdício que a marca já fez com o Brasil | Avaliação

É tão bom se surpreender com um carro, mas é tão triste saber que um potencial gigante como o Nissan Ariya será desperdiçado.

8 min de leitura

O Nissan Ariya é, sem dúvida, o melhor carro da Nissan que já testei. Refinado, bom de andar, muito potente e bonito para caramba, ele mostra o potencial que a marca atingiu com os elétricos depois do insosso Leaf. Mas já pode tirar o cavalinho da chuva, infelizmente, porque ele não será vendido no Brasil.

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Importado em um lote minúsculo que circula entre executivos da marca, departamentos de pesquisa e jornalistas, o Nissan Ariya veio para provar a evolução da fabricante no segmento de elétricos. Além disso, ele está por aqui preparando terreno para os chineses N7, NX8 e para a caminhonete híbrida Frontier Pro.

Por que o Nissan Ariya não virá ao Brasil?

Mas por que não trazer o Nissan Ariya ao Brasil? Existem alguns motivos. O primeiro é o preço. O SUV elétrico tem valor estimado na casa dos R$ 400 mil. Hoje, ele é produzido na China e no Japão e, mesmo no país que mais produz e consome carros elétricos no mundo, custa caro. Os preços variam de 199.900 yuan a 289.900 yuan, como na versão testada Platinum+ e-4orce.

Nissan Ariya branco traseira
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Se em reais parece pouco, afinal seria algo entre R$ 149.490 e R$ 261.660, saiba que o NX8 que a Nissan pretende vender aqui é maior e custa entre 149.990 e 199.990 yuan. Já o Kicks antigo, que ainda não foi substituído pelo Kait na China, parte de 89.800 yuan. Aí fica fácil entender por que o Ariya não está nos planos para o Brasil.

Sabor Infiniti

Parte do alto custo do Nissan Ariya se deve à sua sofisticação. Ele é um carro verdadeiramente refinado e luxuoso. Por dentro, a cabine mistura couro azul nos bancos e console central com elementos em cobre e suede azul que percorre todo o carro: painel, portas, coluna C e área traseira.

interior Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
interior Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Todo o acabamento é muito bem executado, com montagem exemplar e materiais de textura digna de um carro premium. Some a isso a madeira que reveste painel e console e ficará fácil entender o nível de Infiniti que esse Nissan alcança. Há ainda iluminação decorativa nas portas e na parte inferior do painel inspirada em arquitetura moderna.

Um dos pontos mais interessantes do Ariya é que os comandos do ar-condicionado e de alguns modos de condução ficam esculpidos diretamente na madeira. Parecem botões touch, mas são físicos e exigem certa pressão para serem acionados. Além disso, o console central é motorizado e pode se mover para frente ou para trás para melhorar o aproveitamento de espaço.

cabine Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

De maneira genial, a Nissan instalou um segundo porta-luvas na parte central do painel, já que o console central tem espaço apenas para o celular no carregador por indução ou para dois copos. Outro detalhe interessante é que volante e banco se afastam bastante para facilitar a entrada do motorista.

O espaço é farto em todas as áreas, especialmente na traseira. Mesmo sendo um SUV cupê, ele acomoda cinco adultos sem dificuldades por conta das dimensões generosas. O porta-malas leva 645 litros e conta com divisórias práticas para carregadores e outros itens. A tampa tem abertura elétrica, mas a Nissan esqueceu do tampão.

Moderno contraste

Com o mesmo conceito visual do novo Nissan Kicks, o painel de instrumentos digital e a central multimídia do Nissan Ariya têm excelente qualidade. Entretanto, os gráficos parecem datados. Falta um toque maior de modernidade e também mais facilidade de uso. A central, principalmente, é um pouco confusa e lenta.

Como o modelo não é vendido oficialmente no Brasil, nenhuma das telas foi traduzida para português. Por isso, é necessário recorrer ao inglês ou ao espanhol para utilizar o sistema. A central conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Além disso, o espaço dedicado ao celular no console central é muito prático. Em contrapartida, as câmeras do sistema 360 graus têm qualidade bastante baixa para um carro desse nível.

Z elétrico

Ao volante, o Nissan Ariya surpreende pela dinâmica de esportivo. A suspensão é mais firme do que se espera de um Nissan, mas lembra bastante o comportamento de carros premium e esportivos. Isso se torna ainda mais interessante porque a direção também é pesada.

Na prática, o Ariya esconde o jogo. Ele parece um SUV tranquilo como o Kicks, mas herdou muito mais do DNA do Z e dos Infiniti. O comportamento em curvas é excelente, com pouca inclinação da carroceria e respostas rápidas.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Mas não pense que ele é um carro punitivo. Pelo contrário. A suspensão é firme, mas absorve muito bem os impactos. Já a direção, embora pudesse ser um pouco mais leve em manobras, entrega uma condução refinada e prazerosa.

Outro destaque é o excelente isolamento acústico. Mais uma vez, ele reforça a sensação de que a Infiniti desenvolveu esse carro e alguém apenas trocou o logotipo pelo da Nissan. Aliás, globalmente, o Ariya foi o primeiro modelo da marca a usar o novo emblema iluminado na dianteira por 20 LEDs.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Forte, mas não um canhão

A única versão do Nissan Ariya que temos disponível por aqui é a Platinum+ e-4orce. O nome significa a combinação de dois motores elétricos, um em cada eixo, entregando 394 cv e 61,2 kgfm de torque. Estamos falando de um SUV com 4,64 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,66 m de altura, 2,77 m de entre-eixos e 2.294 kg.

Na prática, ele acelera muito bem, mas não é um canhão. A Nissan optou por uma calibração mais linear, na qual as acelerações acontecem de forma progressiva e elegante. Você pode acelerar fundo no modo Sport e o Ariya arrancará forte, porém sem trancos ou socos nas costas.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato] motor
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Ao mesmo tempo, a agilidade está sempre presente. As retomadas impressionam e deslocam seus órgãos internos sem esforço, mas sem aquela patada típica de alguns elétricos. A autonomia declarada é de 529 km pelo ciclo WLTP. Durante os testes, ele rodou de São Paulo a Campinas duas vezes sem pedir recarga. Porém, aí surgiu o perrengue.

Como a unidade testada veio com spec dos Estados Unidos e ela não é compatível com os carregadores usados no Brasil. Foi necessário utilizar um adaptador, que limita a velocidade de recarga e restringe o uso a carregadores lentos em corrente alternada. Como resultado, foram necessários dois dias para recuperar a carga total.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Calibração certeira

De série, o Nissan Ariya traz diversos sistemas de segurança ativa, como frenagem autônoma de emergência, manutenção em faixa e piloto automático adaptativo. Além disso, todos funcionam muito bem e proporcionam uma condução semiautônoma natural.

Por outro lado, o alerta de ponto cego se torna praticamente obrigatório. Isso porque o retrovisor do lado do motorista usa uma lente com zoom que cria um enorme ponto cego, capaz de esconder carros de porte médio. Sem o sensor, mudanças de faixa se tornam bastante complicadas.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Itens de série

  • Ar-condicionado digital de três zonas
  • Teto panorâmico
  • Chave presencial
  • Bancos dianteiros com regulagem elétrica, memória, aquecimento e resfriamento
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Câmeras 360 graus
  • Piloto automático adaptativo
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta
  • Porta-malas com abertura elétrica
  • Alerta de ponto cego
  • Sensor de chuva
  • Aquecimento no banco traseiro
  • Sistema de som assinado pela Bose
  • Retrovisor central com câmera auxiliar

Veredicto

O Nissan Ariya pode ser descrito como o maior desperdício da história da Nissan no Brasil, mas existe uma explicação para isso. Ele é um carro verdadeiramente luxuoso e refinado, com dirigibilidade e números que o colocariam tranquilamente como rival de Audi, Volvo, BMW e Mercedes, sendo melhor do que vários deles.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]
Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Entretanto, o preço também o coloca exatamente na faixa dessas marcas. E aí o peso do emblema se torna um obstáculo para a Nissan. Contra os SUVs elétricos chineses, ele fica devendo telas mais modernas e números mais chamativos, ainda que seu conjunto seja excelente. Os chineses simplesmente mostraram que conseguem entregar mais por menos.

Por isso, inclusive, a Nissan vai apostar no Brasil em modelos eletrificados desenvolvidos na China em vez de trazer o Nissan Ariya. Uma pena. Porque o carro é realmente muito bom e surpreende pela qualidade.

Nissan Ariya [Auto+ / João Brigato]

Ficha técnica

  • Motores: dois elétricos
  • Potência: 394 cv
  • Torque: 61,2 kgfm
  • 0 a 100 km/h: 4,8 segundos
  • Autonomia: 529 km (WLTP)
  • Dimensões: 4,64 m de comprimento / 1,90 m de largura / 1,66 m de altura / 2,77 m de entre-eixos
  • Altura do solo: 17 cm
  • Porta-malas: 645 litros
  • Peso: 2.294 kg

Você teria um Nissan Ariya? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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