A primeira vez que guiei o Volkswagen Tiguan foi em 2009, à época do lançamento, com o 2.0 TSI de 200 cv e tração integral 4Motion. Eram outros tempos, mas, baseado no Golf de quinta geração, que não esteve à venda no Brasil, o SUV feito na base PQ46, arrancava sorrisos pela desenvoltura. Da mesma forma, que a opção R-Line, na segunda geração a partir de 2018.
Um GTI de salto alto, com 220 cv e 35,7 kgfm vindos do 2.0 sobrealimentado (EA888) junto da caixa de dupla embreagem e sete marchas. Só que, nem sempre o SUV da Volkswagen navegou por um céu de brigadeiro. Afinal, na reestilização da segunda geração, oferecida nos anos-modelo 2024 e 2025, o motor foi recalibrado para 186 cv e 30,6 kgfm. Sobretudo, passou a ter tração dianteira e câmbio automático de oito marchas.
No entanto, não podemos viver de passado. E o Volkswagen Tiguan retomou a sua melhor forma. E já deixo uma provocação: não há escola melhor do que a alemã para quem gosta de guiar. Embora já tenha acomodado até sete passageiros, agora há espaço para cinco, bem como a nomenclatura Allspace não existe mais. Só que agora são 272 cv e 40,8 kgfm, aliás, muito bem distribuídos!

Portanto, o Volkswagen Tiguan retornou ao nosso mercado unicamente na versão R-Line 350 TSI, a partir de R$ 299.990. Um valor no mesmo degrau de SUVs chineses equipados com tecnologia HEV ou PHEV, como o GWM Haval H6 ou o BYD Song Plus, mas que, em contrapartida, te recompensa com uma dinâmica afiada, resgatando aquela aura de outros tempos do utilitário esportivo, cujo nome é uma mistura entre Tigre e Iguana.
Pedigree onde os olhos não enxergam
Das antecessoras PQ46 e MQB, o novo Volkswagen Tiguan passou a ser sustentado pela plataforma MQB Evo, uma arquitetura flexível e robusta. Da mesma forma, o motor de quatro cilindros 2.0 TSI está em nova geração. Isso assegura um comportamento aceso desde os baixos giros e entregando o característico fôlego, sem muita presença do turbolag (atraso antes de o turbocompressor pegar para valer).
Aliás, o Volkswagen Tiguan não sofre de asma em nenhuma faixa de rotação, pois arranca ou retoma a velocidade com facilidade. Com meia carga no pedal do acelerador e no modo de condução Eco, o mais brando, o SUV já responde de forma malcriada, ganhando velocidade sem esforço à medida que o câmbio engole as marchas sem titubear.


O Volkswagen Tiguan voltou a ser um SUV nascido para quem gosta de acelerar, sem preocupações com perfumarias ou médias de consumo incríveis. Embora faça médias honestas sem apelar para nenhuma ajuda de baterias ou da eletricidade, seja para reduzir o esforço do motor térmico ou para ajudar nas acelerações. Ou seja, um carro puro!
A relação peso-potência de 6,69 kg/cv vindo dos seus 1.820 kg em ordem de marcha, faz o Volkswagen Tiguan sair da imobilidade aos 100 km/h em 7,4 segundos. A velocidade máxima é de 210 km/h. Só para citar, o GWM Haval H6 PHEV35 Flex (R$ 290.000) cumpre a mesma prova em 4,8 segundos, bem como faz até 126 km no modo 100% elétrico (Inmetro).

É um SUV custo-benefício?
Por menos de R$ 300.000 você leva um SUV rojão. E que no uso cotidiano, não é sentida a atuação do câmbio automático de oito marchas. Trata-se de um carro que caminha à frente com disposição, sem nem aplicar meio curso no pedal do acelerador. O Volkswagen Tiguan arranca rápido e na estrada, mesmo em velocidades superiores, não sofre com ruídos aerodinâmicos, rodando silenciosamente.
Somente dependendo do tipo de asfalto é possível escutar e sentir o trabalho do conjunto de suspensões, aliás, McPherson no eixo frontal e multibraço atrás. O ajuste mais firme é típico da Volkswagen e concilia o conforto dos até cinco passageiros sem esquecer de serpentear nas curvas transmitindo uma baixa rolagem de carroceria.


É um SUV que dá margem de erro ao condutor e ainda possibilita entrar pendurado nas curvas, mantendo a trajetória. Grudado no chão, um dos grandes responsáveis por essa desenvoltura do novo Volkswagen Tiguan é a tração integral 4Motion sob demanda, que se responsabiliza por colocar ordem na casa. As rodas de 19 polegadas calçam pneus de medidas 225/45.
Jatão
Da mesma forma que anda à frente com vontade, o Volkswagen Tiguan não te faz um habitué das visitas aos postos de abastecimento. De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o SUV da Volkswagen crava médias urbanas de 8,9 km/l e rodoviárias de 12,1 km/l bebericando unicamente gasolina.O tanque de combustível do SUV é de 59,1 litros.
Embora tenha uma aura de carro norte-americano, nas curvas percebe-se uma baixa inclinação da carroceria, assim como a direção é esperta ao esterço. No entanto, no programa Eco ela fica ligeiramente leve demais ao trafegar mais rapidamente. Para corrigir essa característica e ser feliz ao volante, basta selecionar o programa Sport.

De todo modo, o Volkswagen Tiguan retomou aquele convite de acelerar e transmitindo um comportamento tipicamente de hatch alto. É sim totalmente novo e com 52 cv extras. Contudo, o câmbio automático de oito marchas não é breve quanto a caixa automatizada de dupla embreagem, mas atua de forma impecável ao motor EA888. É eficiente nas mudanças quanto nas reduções.
Na estrada, a transmissão catapulta três ou mais marchas ao pisar mais forte no pedal do acelerador. Além disso, o ruído do turbocompressor enchendo junto da válvula aliviando a pressão do sistema é música para os ouvidos de quem gosta de carro. Se for para comparar as gerações, esta está mais para a primeira, guardadas as devidas proporções, no quesito diversão ao volante. Já os freios usam discos ventilados em ambos os eixos. Nas frenagens mais fortes, não há a tendência de a carroceria transferir cargas tampouco da dianteira afundar.


Volkswagen Tiguan é espaçoso
O novo Volkswagen Tiguan mede 4,69 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,66 m de altura e 2,79 m de entre-eixos. Já o porta-malas oferece uma capacidade volumétrica de 423 litros (VDA) e há espaço para até cinco ocupantes. Ao contrário da geração passada, que podia receber até sete ocupantes.
Ao abrir a porta, o painel é majoritariamente marcado por linhas horizontalizadas e modernas, que buscam referências nos atuais modelos da marca. Não apenas é uma cabine bem isolada acusticamente, como também mostra a faixa central do painel com revestimento imitando madeira, enquanto o conjunto de telas é composto pelo multimídia de 15 polegadas e quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas.

Os bancos são revestidos em couro, podendo ser em duas tonalidades (marrom e preto), enquanto as laterais de portas e o painel mostram áreas macias ao toque, o que ajuda a criar uma ambientação de conforto ao SUV. A Volkswagen equipou o novo Tiguan com comandos táteis, seja para o ar-condicionaos quanto para o seletor rotativo no console central.
Todos os comandos estão posicionados à mão, e a facilidade de chegar onde queremos é ajudada pelos menus intuitivos do multimídia VW Play com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, onde podemos selecionar desde o modo de condução até o ajuste e a intensidade da massagem para o motorista e o passageiro. Os assentos frontais ainda contemplam aquecimento, ventilação e memória.



Modo de ambientação da cabine
Ainda pelo seletor central no console é reservada uma função que possibilita escolher entre os modos de atmosfera da cabine, que ocorre por meio de sons e iluminação pré-programada ajudando o condutor a ficar mais relaxado ao encarar o trânsito pesado dos grandes centros urbanos.
No entanto, apesar da cabine espaçosa, por conta da tração 4Motion, o quinto ocupante do banco traseiro perde um pouco do conforto para as pernas e os joelhos. Contudo, não há almoço grátis e concessões devem ser feitas em nome da segurança e do prazer em dirigir. Outra particularidade aparece no seletor giratório de marcha do câmbio.

Ele fica na coluna de direção, sendo herdado dos elétricos da Volkswagen. Para escolher a posição do câmbio é necessário movimentar para frente e para trás ao invés de movimentar para cima e para baixa. Confesso, que logo nos primeiros dias causou certa estranheza. Apesar disso, a falta do Auto Hold obriga o motorista a pressionar o pedal do freio nos semáforos, por exemplo.
Mesmo assim, em segurança, o pacote de série inclui seis airbags, controlador de velocidade adaptativo com função Stop & Go, frenagem autônoma de emergência, assistente de estacionamento e sensores dianteiros/traseiros, detector de fadiga e de ponto cego, assistente de tráfego cruzado traseiro e alerta de desembarque seguro, para citar.




Veredicto
O Volkswagen Tiguan R-Line 2026 é sob medida para o entusiasta, que viu o mercado matar as peruas, mas se recusa a abrir mão do prazer ao volante. É o tipo de carro que te recompensa na dinâmica e te faz sorrir até numa ida rápida à padaria. Aliás, para encontrar esse nível de precisão e acerto em outro modelo, só indo para as marcas de luxo tradicionais.
O problema é que, na casa dos R$ 300.000, a rivalidade chinesa cobra forte com seus híbridos cheios de tela, mais espaço, acabamento caprichado e números de potência e torque de encher os olhos.No entanto, não são envolventes igual a um carro alemão, principalmente igual ao Volkswagen Tiguan.

Ficha técnica
- Preço: R$ 299.990
- Motor: 2.0 quatro cilindros turbo
- Potência e torque: 272 cv e 40,8 kgfm
- Transmissão: automática de 8 marchas
- 0 a 100 km/h: segundos
- Tração: integral sob demanda
- Medidas: 4,69 m de comprimento / 1,86 m de largura / 1,66 m de altura / 2,79 m de entre-eixos
- Porta-malas: 423 litros (VDA)
- Altura livre do solo: 18,5 cm
- Consumo gasolina: 8,9 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada
E você, na faixa dos R$ 300.000, iria de Volkswagen Tiguan ou de SUVs chineses híbridos? Escreva nos comentários!


