Quando o segmento de SUVs médios recebeu Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos, lá em 2021, a categoria era largamente dominada pelo Jeep Compass e os modelos chineses nem faziam cócegas. Hoje, na faixa dos R$ 200 mil, a quantidade de opções no mercado é gigantesca, entre elas o Volkswagen Taos Comfortline.
Tabelado em R$ 199.990, a versão de entrada do SUV da Volkswagen promete ser o próximo passo para um dono de T-Cross e oferece a confiabilidade da marca alemã diante dos SUVs chineses. Mas, em uma categoria em que ser bom não é mais suficiente, o que sobrou para o Taos?
Surpresa de entrada
Recentemente testamos o Taos Highline aqui no Auto+, com direito até a um comparativo com o Corolla Cross. Por isso, me surpreendi tanto ao entrar no Comfortline. Antigamente, essa versão de entrada deixava muito claro que tinha coisa faltando. Agora, não mais. Aliás, até visualmente ele é mais interessante.

Isso porque a versão Highline manteve as rodas antigas, ao contrário do Comfortline. Já por dentro, em vez do couro todo preto, ele mistura faixas em couro artificial branco com pedaços de tecido e um material no centro do banco. Não são revestimentos premium, mas têm qualidade até interessante e trazem mais cor à cabine.
Além disso, já no Comfortline, o Taos traz banco do motorista com regulagem elétrica, faróis full-LED com tecnologia IQ.Light, painel de instrumentos totalmente digital, chave presencial, ar-condicionado digital de duas zonas e central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Na prática, não sentirá falta de nada.

Infelizmente, é ele
Só que o Volkswagen Taos é, infelizmente, o SUV médio com o pior acabamento da categoria. O painel é todo revestido em plástico duro, salvo a faixa central em couro, que também envolve plásticos duros. Na porta, a parte mais alta é macia, enquanto a seção intermediária tem couro.
Na prática, a cabine do Taos seria ok na categoria do T-Cross. Mas, na faixa dos R$ 200 mil, onde os chineses apresentam materiais de mais qualidade e visual mais sofisticado, fica parecendo que a Volkswagen desenhou seu SUV para outra categoria. Ao menos ela dá aula quanto às telas.

Apesar de não ter uma central multimídia enorme como a dos chineses ou um painel de instrumentos digital cheio de firulas, ela aposta em uma usabilidade exemplar. O painel de instrumentos é o mesmo há 10 anos, mas segue eficiente, fácil de usar, de boa leitura e descomplicado. Especialmente agora, com botões físicos no volante.
Já a central multimídia VW Play Connect, desenvolvida no Brasil, tem uso muito facilitado, aplicativos próprios que dispensam até o uso do celular conectado, além de ser rápida e visualmente bem bonita. Contudo, ainda insiste em travar com o Android Auto ou o Apple CarPlay sem fio em momentos aleatórios.


Maior do que parece
Apesar de ser um SUV médio de entrada, como o Jeep Compass e o Toyota Corolla Cross, o Volkswagen Taos é muito espaçoso. Eu, com 1,87 m de altura, consigo me sentar atrás de um motorista de mesmo porte com uma folga de cinco dedos para os joelhos e também para a cabeça.
Vale lembrar que a versão Comfortline não tem teto solar, o que amplia a área para a cabeça. O porta-malas leva 498 litros, mais do que suficiente para famílias grandes. Além disso, tem banco bipartido para ajudar a ampliar o espaço e dois ganchos para sacolas. Por dentro, a quantidade de porta-objetos é generosa.



Frequentador de posto
Assim como diversos outros carros da Volkswagen com plataforma MQB, o Taos Comfortline usa motor 1.4 TSI de quatro cilindros turbo, com 150 cv e 25,5 kgfm de torque. A mudança aqui está na transmissão automática de oito marchas, em vez da caixa de seis velocidades que T-Cross Highline, Virtus Exclusive e Nivus GTS usam.
Ela ajudou a diminuir o delay chato do acelerador que acometeu os motores TSI da Volkswagen nos últimos tempos por conta do Proconve PL8. Além disso, deveria ajudar no consumo. Mas não é o caso. Durante nossos testes, o Taos cravou média de 6,7 km/l em um trecho com 50% de cidade e 50% de estrada. Na rodovia, o máximo atingido foi de 8 km/l. Na cidade, chegou a 5,9 km/l.

Oficialmente, a Volkswagen declara consumo de 7,7 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada com etanol, o mesmo combustível usado durante a nossa avaliação. Já com gasolina, ele sobe para 11,1 km/l e 13,3 km/l. Lembrando que, na faixa dos R$ 200 mil, temos híbridos como GWM Haval H6 e Jaecoo 7, a situação do Taos fica bem complicada.
Arroz com feijão bem feito
Apesar da sede exagerada, o Volkswagen Taos anda bem. O câmbio automático de oito marchas sabe trabalhar com o 1.4 TSI para extrair o máximo de força possível. As retomadas são boas, assim como as acelerações, e ele tem um ronquinho bem interessante. Para uso regular e cotidiano, não vai sentir falta.

Por ser um Volkswagen, claro que a qualidade da dirigibilidade recebeu atenção. Ele é um carro mais confortável que o típico da marca, sem aderir à tradicional suspensão firminha alemã. Afinal, é um carro mais voltado ao uso familiar e pensado para o mercado norte-americano, com algumas raízes chinesas.
Entretanto, ele é um VW. Com isso, é um SUV mais na mão, bom de curva e divertido de guiar. O volante é relativamente pesado e permite uma tocada com mais segurança mesmo em altas velocidades. Aliás, o Taos é um bom estradeiro e prefere sempre um ritmo mais acelerado.

Considere o fato de que a área envidraçada dele é enorme e a posição de dirigir é mais alta. Assim, perceberá que o Taos consegue agradar a diversos públicos diferentes. Atenção ainda para os sistemas de auxílio à segurança, como alerta de ponto cego e ACC, muito bem calibrados.
Principais itens de série
- Ar-condicionado digital de duas zonas
- Chave presencial
- Seis airbags
- Piloto automático adaptativo
- Frenagem autônoma de emergência
- Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
- Faróis com tecnologia IQ.Light e acendimento automático
- Câmera de ré
- Vidros elétricos nas quatro portas
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Painel de instrumentos totalmente digital
- Banco do motorista com regulagem elétrica
Veredicto

O Volkswagen Taos continua um carro bom. Ele tem espaço interno farto, é muito gostoso de dirigir e a lista de itens de série da versão Comfortline faz pensar se realmente há necessidade de ir para o Highline por pouca coisa a mais. Seus únicos poréns, analisando-o individualmente, são o acabamento ruim e o consumo nada comedido.
Só que a faixa dos R$ 200 mil hoje já está lotada de outros SUVs com o mesmo ou até mais espaço interno, cabine mais esmerada e motorização eletrificada. Eles não são tão bons dinamicamente quanto o SUV da Volkswagen. Mas, em todo o resto, entregam mais pelo mesmo.
Ficha técnica
- Preço: R$ 199.990
- Motor: 1.4 quatro cilindros turbo flex
- Potência e torque: 150 cv e 25,5 kgfm
- Transmissão: automática de 8 marchas
- 0 a 100 km/h: 9 segundos
- Tração: dianteira
- Medidas: 4,46 m de comprimento / 1,84 m de largura / 1,62 m de altura / 2,68 m de entre-eixos
- Porta-malas: 498 litros
- Altura livre do solo: 18,5 cm
- Consumo etanol: 7,7 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada
- Consumo gasolina: 11,1 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada
Você teria um Volkswagen Taos Comfortline? Conte nos comentários.

