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BYD Song Pro 2027 perdeu potência e ficou melhor | Impressões 

Carro híbrido mais vendido do Brasil perdeu  potência, aumentou a autonomia elétrica e recebeu ajustes de suspensão para conversar melhor com o brasileiro

9 min de leitura

Quando o BYD Song Pro chegou ao Brasil, em julho de 2024, já se mostrava um produto maduro e bem definido. Porém, ainda estava longe de conversar completamente com o gosto do brasileiro. Naquela época, a BYD praticamente tirava os carros do navio, fazia a homologação e os colocava nas concessionárias. Só que essa política mudou bastante. Agora, na linha 2027, o Song Pro chega mais alinhado ao nosso mercado.

Por R$ 176.999 na versão GL, ele mira mais do que diretamente o Jaecoo 7 Elite (R$ 189.990). Já a GS de R$ 199.990 entra na briga contra Geely EX5 Pro (R$ 189.990), e GWM Haval H6 One (R$ 199.000). Além disso, Song Pro e Haval H6 passam a ser os únicos chineses flex nessa faixa.

Só que as mudanças não se limitam ao novo visual ou à possibilidade de abastecer com etanol já que ele virou flex. A BYD também mexeu no conjunto híbrido e, principalmente, na suspensão. O Auto+ dirigiu o SUV por apenas 15 km, em um circuito curto, mas suficiente para perceber que a evolução aparece rapidamente.

Menos potência para rodar mais

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

O Song Pro 2027 continua usando o motor 1.5 aspirado, e não o 1.5 turbo do irmão Song Plus. Contudo, a BYD também mudou a filosofia do conjunto híbrido. No Song Plus, a marca aumentou a participação do motor a combustão. Aqui, fez justamente o contrário e mexeu no propulsor elétrico.

O motor 1.5 flex mantém seus 98 cv. Já o elétrico, que antes entregava 193 cv, caiu para 163 cv. Com isso, a potência combinada passa a 219 cv na versão GS e 218 cv na GL. O torque sofreu a redução mais perceptível. Antes, o conjunto entregava 43 kgfm. Agora, são 30,6 kgfm. Consequentemente, o Song Pro também ficou um pouco mais lento. 

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Segundo a BYD, o GS passou de 7,8 para 8,8 segundos no 0 a 100 km/h. O GL cumpre a mesma prova em 8,6 segundos, ajudado pelos 60 kg a menos. Na prática, sinceramente, a diferença permanece pequena. Talvez o motorista mais crítico, atento e com o sensor de torque muito bem calibrado perceba a redução com maior facilidade.

Ela existe e aparece quando você exige tudo do conjunto, mas passa longe de transformar o Song Pro em um carro lento. E assim como todo híbrido plug-in que prioriza o motor elétrico, ele entrega torque imediatamente. Portanto, as saídas continuam rápidas, as retomadas são coerentes e as ultrapassagens acontecem sem sofrimento.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Claro, não espere um SUV esportivo ou uma aceleração capaz de colar todos no banco. Ainda assim, ele responde bem, ganha velocidade com honestidade e continua mais do que suficiente para o uso familiar.

A BYD preferiu autonomia

Segundo apuração do Auto+, a BYD tomou essa decisão por uma questão mercadológica. A marca entendeu que seu cliente aproveitaria mais uma autonomia elétrica maior do que alguns cavalos adicionais. É a mesma escola aplicada ao Song Plus: menos preocupação com números de desempenho e mais foco em rodar sem ligar o motor a combustão.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Na versão GL, a autonomia homologada pelo Inmetro passou de 49 para 57 km, um crescimento de aproximadamente 16%. Ele usa uma bateria de 13,1 kWh. Já a GS mantém a bateria maior, de 18,3 kWh, mas passou de 62 para 72 km homologados. Novamente, a melhora fica próxima de 16%.

No uso real, porém, a expectativa é ainda mais animadora. Na versão GS, espere algo entre 100 e 110 km rodando apenas com eletricidade, dependendo do trânsito, do relevo e do uso do ar-condicionado. Para quem consegue carregar em casa e roda principalmente na cidade, isso significa passar vários dias sem usar gasolina ou etanol.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Além disso, a autonomia também permite encarar trechos rodoviários menores sem depender tanto do motor 1.5. Somando bateria e combustível, a BYD divulga até 1.075 km com gasolina e 775 km com etanol para o GL. No GS, os números sobem para 1.105 km e 805 km, respectivamente. Ou seja, o Song Pro perdeu um pouco de força no papel, mas ganhou justamente onde o proprietário tende a perceber mais no cotidiano.

Finalmente mais firme

Se a mudança do conjunto híbrido precisa de  atenção para ser percebida, a nova suspensão se apresenta nos primeiros metros. A BYD afirmou durante a apresentação que deixou o Song Pro mais firme. E, desta vez, não se trata apenas de uma frase de material publicitário.

BYD Song Pro 2027  suspensão
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

O pequeno circuito tinha asfalto, terra, pedras, lombadas, buracos e até aquelas costelas de vaca capazes de revelar rapidamente uma suspensão mal ajustada. Em todas essas situações, o SUV respondeu melhor. Os amortecedores agora entregam um feedback mais preciso e trabalham com um curso mais firme, mas sem bater seco. Assim, o Song Pro filtra bem as irregularidades sem deixar a carroceria navegar solta depois de cada ondulação.

Esse sempre foi um ponto aceitável no modelo anterior. Porém, agora ele está mais durinho, controla melhor os movimentos e continua sem transferir pancadas fortes para a cabine. Com isso, o SUV também passa uma sensação mais plantada em velocidades maiores. A carroceria se segura melhor nas mudanças de direção e transfere menos peso nas curvas.

BYD Song Pro 2027 suspensão
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Não deu para explorar completamente esse comportamento em apenas 15 km. Ainda assim, em umas leves curvas em velocidades mais altas,  a melhora apareceu com o aumento de confiança ao volante.

Direção também ganhou peso

A direção continua com um peso mais firm, porém aparenta uma leve melhora ainda mais, embora a BYD não tenha divulgado nada. De qualquer forma, o volante está mais pesadinho, direto e responsivo. Esse peso ajuda a transmitir uma sensação maior de controle, principalmente quando o ritmo aumenta.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões interior
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Ainda existe, porém, uma leve artificialidade. A direção mantém aquele pequeno ponto morto no centro, como se demorasse alguns instantes para começar a conversar com as rodas. A BYD vem corrigindo isso aos poucos em seus lançamentos. No Song Pro 2027, ainda com a leve melhora, ele ainda não entregue a naturalidade dos melhores modelos do segmento.

Pedal de freio menos borrachudo

A BYD também melhorou a modularidade do pedal de freio. Antes, os pedais de freios tinha a sensação mais esponjosa. Isso dificultava entender exatamente quanto o carro iria desacelerar. Agora, o pedal entrega mais sensibilidade e facilita a dosagem. Você consegue parar os 1.700 kg do GL ou os 1.760 kg do GS de forma mais natural, sem precisar corrigir a pressão no final da frenagem.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Pode parecer um detalhe pequeno, mas direção, suspensão e freios são justamente os pontos que constroem a confiança ao dirigir. E o Song Pro evoluiu nos três.

Os bancos finalmente melhoraram

Outro ponto em que sempre peguei no pé da BYD eram os bancos. A espuma excessivamente firme e o encosto de cabeça fixo dificultavam encontrar uma posição realmente confortável. Na linha 2027, a marca finalmente mexeu nisso.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões interior
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Agora, os bancos estão mais macios e recebem ajuste de altura para o apoio de cabeça. Com isso, apoiam melhor o corpo e melhoram bastante a ergonomia. A cabine também abandona os revestimentos claro e passa a oferecer apenas a combinação Dark Grey. O volante ainda oferece um ajuste de profundidade curto. Entretanto, como os bancos melhoraram, agora você encontra a posição de dirigir com mais facilidade.

Tecnologia mais integrada

O painel digital de 8,8 polegadas agora aparece integrado ao painel, em vez de parecer uma tela colocada posteriormente sobre a coluna de direção. Já a central multimídia de 12,8 polegadas recebeu um software atualizado, com respostas mais rápidas e uma organização melhor dos comandos.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões interior
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Além disso, o sistema passa a oferecer Google Maps nativo. O motorista também pode espelhar o Waze, facilitando a navegação sem depender exclusivamente do Apple Carplay ou Android Auto sem fio.

Espaço continua sendo uma das forças

Por fim, o espaço interno permanece como um dos melhores argumentos do Song Pro. Com o banco dianteiro ajustado para minha altura de 1,88 m e todo recuado, ainda sobraram cerca de quatro dedos entre meus joelhos e o encosto.

BYD Song Pro 2027 GS  porta-malas
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Portanto, adultos altos conseguem viajar atrás sem grandes sacrifícios. O piso praticamente plano e a boa largura da cabine também ajudam quem ocupa o assento central. 

Veredicto 

O primeiro contato foi curto demais para revelar consumo, comportamento rodoviário ou conforto em viagens longas. Porém, bastaram poucos quilômetros para mostrar que a BYD mexeu nos pontos certos. Inclusive, o Song Pro 2027 não precisava virar outro carro. Precisava apenas conversar melhor com o brasileiro.

BYD Song Pro 2027 GS na cor Azul para teste e avaliação e primeiras impressões estático
BYD Song Pro 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A perda de potência assusta mais na ficha técnica do que ao volante. Em troca, ganhou mais autonomia elétrica, uma suspensão mais brasileira, direção mais ajustada, freios mais naturais e bancos finalmente mais confortáveis. Foi uma escolha menos emocionante, mas mais inteligente.

E você, compraria o BYD Song Pro 2027? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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