Quando o BYD Song Pro chegou ao Brasil, em julho de 2024, já se mostrava um produto maduro e bem definido. Porém, ainda estava longe de conversar completamente com o gosto do brasileiro. Naquela época, a BYD praticamente tirava os carros do navio, fazia a homologação e os colocava nas concessionárias. Só que essa política mudou bastante. Agora, na linha 2027, o Song Pro chega mais alinhado ao nosso mercado.
Por R$ 176.999 na versão GL, ele mira mais do que diretamente o Jaecoo 7 Elite (R$ 189.990). Já a GS de R$ 199.990 entra na briga contra Geely EX5 Pro (R$ 189.990), e GWM Haval H6 One (R$ 199.000). Além disso, Song Pro e Haval H6 passam a ser os únicos chineses flex nessa faixa.
Só que as mudanças não se limitam ao novo visual ou à possibilidade de abastecer com etanol já que ele virou flex. A BYD também mexeu no conjunto híbrido e, principalmente, na suspensão. O Auto+ dirigiu o SUV por apenas 15 km, em um circuito curto, mas suficiente para perceber que a evolução aparece rapidamente.
Menos potência para rodar mais



O Song Pro 2027 continua usando o motor 1.5 aspirado, e não o 1.5 turbo do irmão Song Plus. Contudo, a BYD também mudou a filosofia do conjunto híbrido. No Song Plus, a marca aumentou a participação do motor a combustão. Aqui, fez justamente o contrário e mexeu no propulsor elétrico.
O motor 1.5 flex mantém seus 98 cv. Já o elétrico, que antes entregava 193 cv, caiu para 163 cv. Com isso, a potência combinada passa a 219 cv na versão GS e 218 cv na GL. O torque sofreu a redução mais perceptível. Antes, o conjunto entregava 43 kgfm. Agora, são 30,6 kgfm. Consequentemente, o Song Pro também ficou um pouco mais lento.

Segundo a BYD, o GS passou de 7,8 para 8,8 segundos no 0 a 100 km/h. O GL cumpre a mesma prova em 8,6 segundos, ajudado pelos 60 kg a menos. Na prática, sinceramente, a diferença permanece pequena. Talvez o motorista mais crítico, atento e com o sensor de torque muito bem calibrado perceba a redução com maior facilidade.
Ela existe e aparece quando você exige tudo do conjunto, mas passa longe de transformar o Song Pro em um carro lento. E assim como todo híbrido plug-in que prioriza o motor elétrico, ele entrega torque imediatamente. Portanto, as saídas continuam rápidas, as retomadas são coerentes e as ultrapassagens acontecem sem sofrimento.



Claro, não espere um SUV esportivo ou uma aceleração capaz de colar todos no banco. Ainda assim, ele responde bem, ganha velocidade com honestidade e continua mais do que suficiente para o uso familiar.
A BYD preferiu autonomia
Segundo apuração do Auto+, a BYD tomou essa decisão por uma questão mercadológica. A marca entendeu que seu cliente aproveitaria mais uma autonomia elétrica maior do que alguns cavalos adicionais. É a mesma escola aplicada ao Song Plus: menos preocupação com números de desempenho e mais foco em rodar sem ligar o motor a combustão.

Na versão GL, a autonomia homologada pelo Inmetro passou de 49 para 57 km, um crescimento de aproximadamente 16%. Ele usa uma bateria de 13,1 kWh. Já a GS mantém a bateria maior, de 18,3 kWh, mas passou de 62 para 72 km homologados. Novamente, a melhora fica próxima de 16%.
No uso real, porém, a expectativa é ainda mais animadora. Na versão GS, espere algo entre 100 e 110 km rodando apenas com eletricidade, dependendo do trânsito, do relevo e do uso do ar-condicionado. Para quem consegue carregar em casa e roda principalmente na cidade, isso significa passar vários dias sem usar gasolina ou etanol.

Além disso, a autonomia também permite encarar trechos rodoviários menores sem depender tanto do motor 1.5. Somando bateria e combustível, a BYD divulga até 1.075 km com gasolina e 775 km com etanol para o GL. No GS, os números sobem para 1.105 km e 805 km, respectivamente. Ou seja, o Song Pro perdeu um pouco de força no papel, mas ganhou justamente onde o proprietário tende a perceber mais no cotidiano.
Finalmente mais firme
Se a mudança do conjunto híbrido precisa de atenção para ser percebida, a nova suspensão se apresenta nos primeiros metros. A BYD afirmou durante a apresentação que deixou o Song Pro mais firme. E, desta vez, não se trata apenas de uma frase de material publicitário.

O pequeno circuito tinha asfalto, terra, pedras, lombadas, buracos e até aquelas costelas de vaca capazes de revelar rapidamente uma suspensão mal ajustada. Em todas essas situações, o SUV respondeu melhor. Os amortecedores agora entregam um feedback mais preciso e trabalham com um curso mais firme, mas sem bater seco. Assim, o Song Pro filtra bem as irregularidades sem deixar a carroceria navegar solta depois de cada ondulação.
Esse sempre foi um ponto aceitável no modelo anterior. Porém, agora ele está mais durinho, controla melhor os movimentos e continua sem transferir pancadas fortes para a cabine. Com isso, o SUV também passa uma sensação mais plantada em velocidades maiores. A carroceria se segura melhor nas mudanças de direção e transfere menos peso nas curvas.

Não deu para explorar completamente esse comportamento em apenas 15 km. Ainda assim, em umas leves curvas em velocidades mais altas, a melhora apareceu com o aumento de confiança ao volante.
Direção também ganhou peso
A direção continua com um peso mais firm, porém aparenta uma leve melhora ainda mais, embora a BYD não tenha divulgado nada. De qualquer forma, o volante está mais pesadinho, direto e responsivo. Esse peso ajuda a transmitir uma sensação maior de controle, principalmente quando o ritmo aumenta.

Ainda existe, porém, uma leve artificialidade. A direção mantém aquele pequeno ponto morto no centro, como se demorasse alguns instantes para começar a conversar com as rodas. A BYD vem corrigindo isso aos poucos em seus lançamentos. No Song Pro 2027, ainda com a leve melhora, ele ainda não entregue a naturalidade dos melhores modelos do segmento.
Pedal de freio menos borrachudo
A BYD também melhorou a modularidade do pedal de freio. Antes, os pedais de freios tinha a sensação mais esponjosa. Isso dificultava entender exatamente quanto o carro iria desacelerar. Agora, o pedal entrega mais sensibilidade e facilita a dosagem. Você consegue parar os 1.700 kg do GL ou os 1.760 kg do GS de forma mais natural, sem precisar corrigir a pressão no final da frenagem.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas direção, suspensão e freios são justamente os pontos que constroem a confiança ao dirigir. E o Song Pro evoluiu nos três.
Os bancos finalmente melhoraram
Outro ponto em que sempre peguei no pé da BYD eram os bancos. A espuma excessivamente firme e o encosto de cabeça fixo dificultavam encontrar uma posição realmente confortável. Na linha 2027, a marca finalmente mexeu nisso.



Agora, os bancos estão mais macios e recebem ajuste de altura para o apoio de cabeça. Com isso, apoiam melhor o corpo e melhoram bastante a ergonomia. A cabine também abandona os revestimentos claro e passa a oferecer apenas a combinação Dark Grey. O volante ainda oferece um ajuste de profundidade curto. Entretanto, como os bancos melhoraram, agora você encontra a posição de dirigir com mais facilidade.
Tecnologia mais integrada
O painel digital de 8,8 polegadas agora aparece integrado ao painel, em vez de parecer uma tela colocada posteriormente sobre a coluna de direção. Já a central multimídia de 12,8 polegadas recebeu um software atualizado, com respostas mais rápidas e uma organização melhor dos comandos.



Além disso, o sistema passa a oferecer Google Maps nativo. O motorista também pode espelhar o Waze, facilitando a navegação sem depender exclusivamente do Apple Carplay ou Android Auto sem fio.
Espaço continua sendo uma das forças
Por fim, o espaço interno permanece como um dos melhores argumentos do Song Pro. Com o banco dianteiro ajustado para minha altura de 1,88 m e todo recuado, ainda sobraram cerca de quatro dedos entre meus joelhos e o encosto.



Portanto, adultos altos conseguem viajar atrás sem grandes sacrifícios. O piso praticamente plano e a boa largura da cabine também ajudam quem ocupa o assento central.
Veredicto
O primeiro contato foi curto demais para revelar consumo, comportamento rodoviário ou conforto em viagens longas. Porém, bastaram poucos quilômetros para mostrar que a BYD mexeu nos pontos certos. Inclusive, o Song Pro 2027 não precisava virar outro carro. Precisava apenas conversar melhor com o brasileiro.

A perda de potência assusta mais na ficha técnica do que ao volante. Em troca, ganhou mais autonomia elétrica, uma suspensão mais brasileira, direção mais ajustada, freios mais naturais e bancos finalmente mais confortáveis. Foi uma escolha menos emocionante, mas mais inteligente.
E você, compraria o BYD Song Pro 2027? Deixe seu comentário!


