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Nova caminhonete na área

Rodamos mais de 1.200 km com a Ram Dakota. É dura na queda? | Impressões

No asfalto, na chuva e na lama, encaramos diferentes tipos de terreno e de condições climáticas para saber se a caminhonete Ram Dakota é bruta

10 min de leitura

Antes de chegar às concessionárias, um novo carro percorre milhares, até milhões de quilômetros em testes e validações. De forma similar, rodamos mais de 1.200 km pelo Pantanal Sul-Mato-Grossense a bordo da Ram Dakota. Teve de tudo: sol, céu azul, chuva, muita chuva, poeira, além de longos deslocamentos entre o asfalto e a lama para comprovar se a nova caminhonete do fabricante é, de fato, dura na queda.

Se as caminhonetes da Ram representam o eu cheguei lá no mundo agro, a Ram Dakota não apenas resgata um nome que virou sonho de consumo nos anos 1990 e 2000, como também soma no lineup ao lado da Rampage, em quatro configurações, tabelada a partir de R$ 228.990, e das full-size 1500, 2500 e 3500.

São duas versões para a Dakota: Warlock (a partir de R$ 289.990), com proposta mais parruda e visual de poucos amigos, e Laramie, nomenclatura herdada das full-size 1500, 2500 e 3500, cujo foco está no luxo e nos ares do country norte-americano. Independentemente da escolha, a missão é clara: seduzir clientes de Chevrolet S10, Ford Ranger e cia.

Caminhonete Ram Dakota Warlock branca parada de traseira com árvores ao fundo
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Logo de cara, você até pode achar que estamos diante de mais um caso de rebadge. Afinal, a Ram Dakota é baseada na Fiat Titano. Só que esta nova caminhonete da Ram vai além de uma simples troca de emblemas, sendo, em determinados pontos, mais refinada do que a caminhonete média da Fiat.

Dakota foi um sonho de consumo

A Dodge Dakota viveu uma era de ouro no Brasil, sendo alçada ao sonho de consumo nas das décadas de 1990 e 2000. Feita em Campo Largo (PR), de 1998 a 2001, teve motores 2.5 de quatro cilindros, V6 3.9 e o lendário V8 5.2, além de carrocerias com cabine simples, estendida e dupla (Quad Cab). Esta última, na reta final na unidade, posteriormente adquirida pela Fiat para produzir os motores da família E.torQ.

Viajando 25 anos à frente, a nova Dakota oferece robustez e uma dirigibilidade interessante ao combinar o propulsor 2.2 turbodiesel ao câmbio automático de oito marchas. Um motor já conhecido por equipar o Jeep Commander, a Ram Rampage, bem como a Fiat Titano. Segundo os dados de ficha técnica são declarados 200 cv e 45,9 kgfm.

Motor 2.2 turbodiesel da caminhonete Ram Dakota
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Potência e torque na média do segmento, onde parte dos consumidores convencionou a achar que utilitários abaixo dos 200 cv são um ponto fora da curva, a exemplo da GWM Poer P30, com 184 cv e 48,9 kgfm. No caso da nova Ram Dakota, ela pode não oferecer os 226 cv e 40 kgfm do propulsor V8 5.2, mas tem seus pontos altos.

Uma das qualidades está no funcionamento liso e suave, seja nas baixas, médias ou altas rotações. Ao exigir do pedal do acelerador, o ruído do propulsor Pratola Sierra invade um pouco a cabine, mas é evidente que o tratamento acústico realizado é superior ao da Fiat Titano. São produtos para públicos distintos. Afinal, a Dakota começa em R$ 289.990, enquanto o preço inicial da Fiat Titano Volcano é de R$ 263.990. Ou seja, uma diferença de R$ 26.000 no bolso do consumidor. Duas fórmulas, porém, com propostas distintas.

Caminhonete Ram Dakota Warlock branca parada de frente
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Dirigibilidade da Ram Dakota

Com um funcionamento suave do propulsor turbodiesel, a Ram Dakota também é beneficiada pelo trabalho da caixa automática de oito velocidades. Trata-se da mesma ZF 8HP, só que com calibrações específicas para cada fabricante. Na balança, não há diferença entre as versões Warlock e Laramie, ambas com peso em ordem de marcha de 2.150 kg.

Ela é ligeiramente 30 kg mais pesada que a Fiat Volcano (2.120 kg), mas a Ram Dakota acorda com disposição, apesar do turbolag (atraso antes de o turbocompressor pegar para valer). Depois que embala vai bem. Isso ficou comprovado nos longos trajetos de asfalto que encerramos no Pantanal Sul-Mato-Grossense. Não há falta de fôlego partindo da imobilidade ou durante as ultrapassagens.

Além disso, é possível trocar sequencialmente as marchas movendo a alavanca seletora de marchas à esquerda. Também estão disponíveis quatro modos de condução: Normal, Sport, Snow (neve) e Sand/Mud (areia/lama). Eles ajustam a forma que o desempenho é passado ao motorista.

Em determinados momentos utilizamos o Sand/Mud para enfrentar os trechos de lama sob forte chuva, o que ajudou no comportamento da caminhonete, assim como o bloqueio mecânico do diferencial traseiro e a tração 4×4, que pode ser selecionada por um comando giratório no console central.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Tração off-road para que te quero

A chuva torrencial fez a estrada virar uma pista com baixa aderência igual a dançar no gelo. Mesmo na lama, o controle da Ram Dakota agradou e a tração pode ser traseira, 4×4 com reduzida ou 4×4 Auto. Dependendo da força aplicada no pedal do acelerador, o eixo dianteiro é conectado automaticamente garantindo maior controle e precisão à caminhonete.

A Ram Dakota não precisa de correções para se manter em linha reta durante os trajetos fora de estrada andando com vigor, mesmo em condições adversas. Na versão Warlock, as rodas de 17 polegadas calçam pneus de medidas 265/65, enquanto na Laramie elas são de 18 polegadas com borrachudos 265/60.

O perfil 65 ajuda a suspensão a trabalhar, bem como garante o conforto ao passar por buracos ou remendos no asfalto. Na Laramie, que usa pneus 265/60 é possível notar uma mínima diferença devido ao perfil mais baixo e, consequentemente, os obstáculos são mais sentidos pelos ocupantes. A direção assistida eletricamente é rápida e precisa tanto ao esterço quanto ao retorno.

Suspensões parrudas e capacidade de carga

O conjunto de suspensões da Ram Dakota emprega arquitetura independente com braços sobrepostos à frente e eixo rígido na traseira. Com boa absorção de impactos, transmite uma calibração mais confortável em relação a da Fiat Titano. Não apenas isso, pois o controle e coxinização da carroceria com cabine dupla é elogiável. Isso somado ao bom ajuste do conjunto de suspensões coopera no bem-estar dos ocupantes.

Contudo, estamos em uma caminhonete média e capacidade na caçamba é algo que pode decidir a compra ou não da Ram Dakota. O utilitário médio oferece uma capacidade volumétrica de 1.210 litros e de carga útil de 1.020 kg. Essas capacidades não mudam entre as versões Warlock e Laramie.

Caçamba da caminhonete Ram Dakota Warlock
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Comparada a Fiat Titano Volcano, aparecem 1.109 litros e carga útil de 1.020 kg. Destaque para a tampa do compartimento dedicado ao transporte de carga com sistema de amortecimento, que facilita a operação com uma mão tanto na abertura quanto no fechamento. Além disso, o capô é sustentado por molas a gás. O destaque da Warlock é o santantônio no estilo da Ram TRX. Nas duas, a capacidade de reboque é de 3.500 kg.

Ram Dakota: visual e acabamento interno

Enquanto a versão Warlock vai para o visual parrudo, com acabamentos escurecidos e rodas de 17 polegadas, a Laramie se diferencia pelos cromados, assim como faz a full size 1500 e a Rampage Laramie 2.2. Eles aparecem principalmente na grade frontal, na capa dos retrovisores e as rodas são de 18 polegadas nesta configuração.

Um destaque está na faixa iluminada conectando os faróis full led, os quais estão disponíveis em ambas Ram Dakota. Além disso, há uma diferença no revestimento interno. Enquanto a Warlock vai para o lado escurecido, a Laramie aposta nos tons marrom, como faz a Ram 3500 Limited Longhorn.

Ram Dakota Warlock e Laramie paradas de dianteira

As duas configurações trazem quadro de instrumentos digital de sete polegadas, multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, ar-condicionado de duas zonas, com saídas para os ocupantes traseiros, carregador de smartphone com refrigeração e sistema de câmeras de 540º fornecendo uma visão ampla do que acontece no entorno da caminhonete.

Pacote de equipamentos e segurança

Ao abrir a porta da cabine, há um evidente cuidado nos materiais empregados ao acabamento, sendo mais esmerados aos utilizados na Fiat Titano. As laterais de portas e o painel são macios ao toque. O banco do motorista é ajustável eletricamente nas duas versões, enquanto o emblema do carneiro está estampado no apoio de braço frontal.

Já quem viaja atrás encontra um bom espaço para as pernas e os joelhos por conta do entre-eixos de 3,18 m, sendo superior lado a lado a Chevrolet S10 (3,09 m), Mitsubishi Triton (3,13 m) ou a Nissan Frontier (3,15 m).Apesar disso, essa medida da Ram Dakota é inferior em relação à Ford Ranger (3,27 m).

Painel da caminhonete Ram Dakota Warlock
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Entre os itens de série, as versões Warlock e Laramie incorporam recursos de assistência à condução, como sistema de monitoramento de ponto cego; sistema de manutenção de faixa de rodagem; piloto automático adaptativo com alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência e detecção de pedestres e ciclistas.

O pacote ainda contempla o alerta de tráfego traseiro cruzado, que é exclusivo da configuração Laramie, por exemplo. Ainda em segurança, as duas opções da Ram Dakota são equipadas com seis airbags, freio a disco nas quatro rodas, aliás, com acionamento progressivo do pedal, e controle eletrônico de estabilidade com assistente de rampa e de descida.

Veredicto

A Ram Dakota é baseada na Fiat Titano, mas não é uma simples troca de emblema que define a nova caminhonete média do fabricante. Mais refinada, ela mostra um acabamento interno mais esmerado, bem como uma menor incidência de ruídos, seja do motor em rotações mais altas ou de aerodinâmica. Além disso, é perceptível que o conjunto de suspensões absorve com maior maciez as irregularidades do piso.

Os números de potência e de torque estão dentro da média do segmento. A Ram Dakota anda com disposição, proporcionando tanto ultrapassagens seguras quanto boas retomadas de velocidade. Outro destaque está na qualidade perceptível do acabamento interno, com áreas macias ao toque e um bom espaço para as pernas e os joelhos de quem viaja na segunda fileira. Se a marca Ram significa o eu cheguei lá no mundo agro, a nova Dakota pode encurtar o caminho diante das irmãs full-size.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

E você, o que achou da nova Ram Dakota? Acha que ela fará sucesso diante da Chevrolet S10, Ford Ranger e cia? Escreva sua opinião nos comentários.


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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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