A indústria sempre explora o uso de novos materiais, itens e tecnologias, mas houve um tempo em que o ápice do requinte era o teto de vinil acolchoado. Além disso, ostentar a comodidade de um telefone com fio no console central representava o máximo do prestígio automotivo.
Antes da atual hegemonia das telas, a exclusividade era materializada em componentes físicos e táteis. Hoje, alguns itens parecem saídos de um antiquário, revelando soluções de engenharia que mudaram o gosto e a comodidade dos consumidores. Selecionamos cinco deles.
Acendedor de cigarro

O acendedor de cigarro praticamente não mudou desde a década de 1920. Ele é um dos sobreviventes da história e permaneceu idêntico, utilizando um sistema simples de mola e resistência. Contudo, sua função original foi subvertida: de item para fumantes, ele se transformou na tomada 12V que hoje carrega a bateria dos smartphones.
O tamanho da tomada foi padronizado globalmente pela norma ANSI, o que a tornou a primeira porta de energia universal para veículos. Aliás, atire a primeira pedra quem nunca se queimou nele! Apesar disso, o acendedor de cigarro é cada vez mais difícil de ser encontrado nos carros modernos.
CD-Player

O CD-player revolucionou o áudio antes do MP3 e dos serviços de streaming. O Lincoln Town Car 1987 foi pioneiro de fábrica. Os primeiros leitores pulavam em buracos, que geravam interrupções no áudio. Por isso, foram criados “buffers” de memória que guardavam segundos da música, para não quebrar o clima na hora do solo de bateria ou de guitarra.
Como a maioria dos aparelhos comportava um disco, surgiram as disqueteiras. Elas eram instaladas no porta-malas ou sob o banco do carona. A popularidade dos CD-Players atraiu os ladrões, forçando a criação das frentes removíveis, que após destacadas eram guardadas em estojos semelhantes dos de óculos.
Teto de vinil

A indústria testou diversos materiais ao longo das décadas e o teto revestido de vinil acolchoado foi o ápice da sofisticação antes de cair em desuso. O estilo viveu seu auge global entre 1960 e 1970, marcando época como um símbolo de status e luxo automotivo. Os fabricantes colavam o material diretamente sobre o aço. Contudo, a umidade penetrava por rachaduras ou pelas bordas, o que resultava no apodrecimento da chapa do teto.
No Brasil, o Chevrolet Opala imortalizou a cobertura parcial, sendo conhecida oficialmente como Teto Las Vegas. Além dele, o Ford Landau fez do vinil sua característica mais marcante, utilizando o material para definir sua identidade de prestígio.
Para-choque sem pintura

Antigamente, as versões básicas ostentavam os para-choques sem pintura. Isso trazia uma sensação de simplicidade aos chamados carros de entrada. Empresas de frotas e serviços ainda utilizam essa estética hoje em dia. Entretanto, a história guarda um detalhe interessante
Nos anos 1980 e 1990, ter um para-choque sem pintura não era simplista. O Fiat Uno 1.5R ou o Renault Twingo mostravam a peça sem tinta como parte da estética. A mudança de pensamento ocorreu quando as marcas perceberam que a pintura na cor da carroceria entregava uma imagem de sofisticação. Entretanto, as versões aventureiras ainda usam a estética com os plásticos sem pintura.
Telefone

Ter um telefone no carro era o luxo máximo, como no Mercedes Classe S W140 (carro da foto), que trazia o Motorola International 2700. Além do sedan da estrela de três pontas, o BMW Série 7 E38 também oferecia essa comodidade exclusiva.
Sendo alimentado pela bateria do carro, o sistema mantinha ligações estáveis com uma antena externa potente no vidro ou porta-malas. Todavia, para discar, o usuário utilizava o fone como em um aparelho residencial, garantindo sinal em áreas remotas.
E você, qual desses itens chegou a usar ou guarda na memória? Escreva nos comentários.



