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Holden Barina: o hatch que já foi Chevrolet, Suzuki e Daewoo

Engenharia de emblema em seu estado máximo é quando um carro é vendido por várias marcas, mas o Holden Barina fez o caminho oposto

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Na indústria automotiva, é muito comum observar um modelo único sendo comercializado por diversas fabricantes diferentes. Um exemplo recente dessa prática é a Ram ProMaster City. Ela nada mais é que uma Fiat Scudo com outro logotipo.

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Entretanto, esse mesmo projeto também atende pelos nomes de Peugeot Expert, Citroën Jumpy, Opel Vivaro e Toyota ProAce. Por outro lado, o Holden Barina representa um exemplo fascinante e raro do caminho inverso nessa estratégia industrial.

A Holden foi uma marca do grupo General Motors criada na Austrália que encerrou suas atividades em 2021. Ela ficou famosa pela criação das Utes e por fabricar o Chevrolet Omega em suas últimas gerações. Contudo, a marca nunca desenvolveu compactos próprios.

Holden Barina de primeira geração cinza de frente
Holden Barina [reprodução]

Pela lógica, um compacto da Holden deveria ser derivado da Chevrolet ou da Opel. O Barina seguiu esse caminho, mas também teve DNA da Suzuki. Ou seja, ele subverteu a ordem natural ao ser um carro originado de várias marcas distintas.

A fase japonesa sob a pele da Suzuki

Holden Barina de primeira geração cinza de traseira
Holden Barina [reprodução]

Em 12 de fevereiro de 1985, a Holden lançou seu primeiro hatch compacto batizado de Barina. Na realidade, o modelo era um Suzuki Swift de primeira geração. Esse projeto japonês contava apenas com motor 1.0 de quatro cilindros aspirado com 55 cv.

A segunda geração do Holden Barina chegou em 1989 com o visual clássico do Suzuki Swift que conhecemos no Brasil. Nessa época, o Swift se tornou um produto global. Consequentemente, ele foi comercializado nos Estados Unidos sob a marca Geo Metro.

Curiosamente, as unidades produzidas na Nova Zelândia utilizavam as lanternas do Metro americano. Já os exemplares vindos do Japão mantinham o conjunto óptico original da Suzuki. Ambos conviviam pacificamente nas vitrines das concessionárias australianas da época.

A transição para a plataforma europeia da Opel

Quando chegou o momento de substituir a segunda geração, a Holden não pôde contar com a Suzuki. Houve um hiato estratégico entre a terceira e a quarta geração do hatch japonês. Assim, foi necessário buscar uma nova parceira dentro do grupo GM.

Em 1994, surgiu a terceira geração do Holden Barina baseada no Opel Corsa B. Na Austrália, o modelo utilizava motores 1.2, 1.4 e 1.6 aspirados importados da Espanha. Assim como no Brasil, o veículo oferecia carrocerias de duas e quatro portas.

Holden Barina Cabrio verde de traseira
Holden Barina Cabrio [reprodução]

Além disso, em 1997, a Holden lançou uma exótica versão conversível que só existiu no mercado australiano. O modelo parecia uma adaptação de baixa qualidade e se tornou um fracasso retumbante. Apenas 581 unidades foram comercializadas antes do cancelamento da versão.

A quarta geração do Barina manteve a lógica de espelhar os lançamentos da Opel na Europa. Em 2001, o modelo foi totalmente renovado sobre a base do Corsa C. Ele utilizava motores 1.4 e 1.8, exatamente como os conjuntos mecânicos aplicados no mercado brasileiro.

O DNA sul-coreano e a queda na segurança

Importar o Corsa da Europa tornou-se uma operação excessivamente cara e deficitária para a marca. Por isso, a Holden adotou uma abordagem de baixo custo para a quinta geração em 2005. O novo Barina passou a ser baseado no Chevrolet Aveo.

Esse projeto também era conhecido globalmente como Daewoo Kalos e vinha importado da Coreia do Sul. O modelo recebeu duras críticas pelo acabamento inferior ao antecessor europeu. Além disso, sua nota de segurança no A-NCAP despencou de cinco para duas estrelas.

Uma reestilização foi aplicada em 2008 para manter o fôlego comercial até a sexta geração. Paralelamente, em 2010, surgiu o Barina Spark, que era o Chevrolet Spark com logotipos trocados. Esse subcompacto específico resistiu no catálogo da Holden até 2016.

Holden Barina Spark verde de frente
Holden Barina Spark [divulgação]

A última geração baseada no Chevrolet Sonic

Em 2011, a Holden revelou a derradeira geração do Barina baseada no Chevrolet Sonic. Vale notar que o nome Sonic será reutilizado agora em 2026 em um novo SUV subcompacto derivado do Onix. Tal qual seus antecessores, as mudanças eram restritas aos emblemas frontais.

Holden Barina [divulgação]
Holden Barina [divulgação]

Mecanicamente, o modelo oferecia o motor 1.6 aspirado em carrocerias hatch e sedan. Em 2013, a Holden ainda lançou a versão RS com motor 1.4 turbo herdado do Cruze. Contudo, a reestilização final de 2016 durou apenas dois anos no mercado.

Com a queda forte nas vendas da Holden e a preferência do consumidor local por caminhonetes e SUVs, o Barina morreu em 2018 sem deixar sucessor. Dois anos depois, a GM decidiu fechar as portas da Holden e hoje em dia atua apenas como importador de modelos da Cadillac, da Chevrolet Silverado e do SUV GMC Yukon, além do Corvette.

Você já conhecia essa árvore genealógica confusa do Holden Barina? Conte sua opinião nos comentários.


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