A indústria automotiva francesa no início dos anos 2000 viveu uma fase de ousadia extrema e escolhas questionáveis de design. Nesse cenário de experimentação sem amarras, a Peugeot concebeu o seu veículo mais fora da curva: o 1007.
Fusão incomum entre hatch compacto e minivan urbana, o modelo apostava em soluções engenhosas de espaço, mas acumulou tropeços mecânicos e comerciais que o transformaram em um retumbante fiasco de vendas.

Do conceito inovador à estreia das portas elétricas
A gênese do projeto ocorreu no Salão de Paris de 2002 com a apresentação do protótipo Sésame. O conceito ostentava portas laterais corrediças, para-brisas panorâmico e um exótico volume traseiro acoplado à tampa do porta-malas. A recepção do público incentivou a produção em série a partir de 2004, marcando a estreia da numeração com duplo zero. Aliás, código que mais tarde identificaria a linha de SUVs do fabricante.
O principal trunfo de vendas do 1007 residia no par de portas laterais elétricas. O mecanismo deslizava sobre trilhos externos em direção à traseira, permitindo acesso aos quatro assentos individuais em vagas apertadas sem o risco de colidir com carros vizinhos. Para otimizar o modesto espaço interno, os bancos traseiros eram ajustáveis e podiam ser rebatidos para compensar a reduzida capacidade do compartimento de bagagem.


A conexão direta com a picape brasileira
Entre os truques de estilo adotados pela equipe de design, o friso cinza que abrigava os trilhos das portas se conectava diretamente ao topo das lanternas traseiras. Foi exatamente esse conjunto óptico que a operação brasileira da Peugeot reaproveitou anos depois para dar vida à picape Hoggar, derivada do 207 nacional.
Enquanto no 1007 o componente se integrava ao vidro posterior, no utilitário fabricado no Rio de Janeiro a peça recebeu uma moldura plástica entre as lentes para harmonizar a caçamba.
![Peugeot Hoggar [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/03/peugeot_hoggar_xr_edited-1200x720.jpg)
Peso excessivo, câmbio problemático e o fim prematuro
Apesar do porte compacto, com 3,73 m de comprimento e 2,31 m de entre-eixos, o reforço estrutural exigido pelas portas corrediças inflou o peso do veículo. Sobretudo, com 1.291 kg na balança, o 1007 era mais pesado do que muitos SUVs compactos modernos.
Ou seja, sacrificando o rendimento das motorizações 1.4 e 1.6 herdadas do 206. Aliás, a situação se agravava nas versões equipadas com a caixa automatizada 2-Tronic de embreagem simples, conhecida pelas trocas ásperas e baixa durabilidade.
O preço elevado decorrente do mecanismo complexo e o desempenho fraco enterraram as ambições do modelo na Europa. Sem alcançar o volume de produção necessário para cobrir os custos de desenvolvimento, o Peugeot 1007 foi descontinuado em 2009.


E você, encararia um carro compacto com portas elétricas deslizantes ou acha que essa ideia já nasceu errada? Escreva nos comentários!


