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Correção necessária

Toyota no Brasil: erros estratégicos que a marca cometeu

De cortes de custos no Corolla Cross à demora em reagir aos chineses, confira os tropeços da Toyota no mercado brasileiro

4 min de leitura

Embora a Toyota mantenha uma fidelidade invejável entre os clientes, sua trajetória no país não foi isenta de tropeços. Mesmo uma gigante consolidada pode falhar ao ler os desejos do consumidor ou ao subestimar a a concorrência, resultando em escolhas que, por vezes, mancharam o brilho de sua eficiência operacional.

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Nesta análise, revisitamos cinco momentos em que a marca dormiu no ponto ou tomou decisões questionáveis. De projetos de baixo custo que não caíram no gosto popular a detalhes técnicos que geraram polêmica entre os entusiastas, veja onde o fabricante precisou recalcular a rota para não perder terreno em nosso mercado.

Toyota Etios

Toyota Etios prata de frente em movimento na cidade
Toyota Etios [Divulgação]

O Etios foi o resultado de uma leitura equivocada sobre o que o brasileiro esperava de um compacto. Projetado originalmente para o mercado indiano sob baixo custo extremo, ele desembarcou no Brasil com um design datado e um painel central rudimentar. Sobretudo, o problema foi agravado pelo timing: ele chegou exatamente quando Chevrolet Onix e Hyundai HB20 elevavam a régua do segmento com design moderno e tecnologia.

Apesar de ser mecanicamente irrepreensível e robusto, o Toyota Etios levou um tempo até receber melhorias internas e correções de estilo. No fim, o compacto serviu como uma lição valiosa para a Toyota sobre a importância da estética e do acabamento para o consumidor sul-americano.

Corolla Cross

Toyota Corolla Cross XRX Hybrid estático
Toyota Corolla Cross XRX Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

Antes da sua última atualização, o Toyota Corolla Cross brasileiro foi alvo de críticas por cortes de custos em relação ao modelo global. Dois detalhes se tornaram famosos: o freio de estacionamento acionado pelo pé, solução comum em caminhonetes antigas, e o silencioso do escapamento muito aparente. Esses elementos passavam a impressão de um carro incompleto para sua faixa de preço.

Curiosamente, as vendas do modelo nunca sofreram com essas polêmicas, mas a imagem de sofisticação da marca foi colocada em prova. A Toyota resolveu a questão do freio eletrônico, mas o episódio serviu para mostrar que o consumidor está atento aos detalhes e não aceita facilmente soluções datadas em um projeto que carrega o prestigiado nome Corolla.

Lexus

Lexus NX 450h+ verde de frente
Lexus NX 450h+ [Auto+ / João Brigato]

No início de suas operações de expansão no Brasil, a Toyota cometeu o erro estratégico de abrigar a divisão de luxo dentro das concessionárias convencionais. A experiência de compra para um cliente disposto a investir meio milhão de reais em um SUV de alto padrão era prejudicada ao dividir o mesmo pátio e recepção com modelos de entrada da marca mãe.

O atendimento premium exige exclusividade e um ambiente que reflita o valor do produto. Felizmente, a Toyota corrigiu e passou a investir em concessionárias próprias e exclusivas para a Lexus, com padrões de hospitalidade e serviços diferenciados. Foi uma separação vital para que a marca pudesse construir sua identidade no Brasil, longe da imagem puramente utilitária e pragmática dos veículos da Toyota.

A estagnação híbrida diante da ofensiva chinesa

Toyota Yaris Cross XRX Hybrid prata estático
Toyota Yaris Cross XRX Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

A Toyota foi pioneira absoluta ao lançar os primeiros híbridos flex do mundo, garantindo uma vantagem competitiva confortável por anos com a dupla Corolla e Corolla Cross. No entanto, essa liderança gerou um certo comodismo técnico. Enquanto a marca japonesa mantinha o mesmo conjunto mecânico, os fabricantes chinesas invadiram o mercado com sistemas híbridos plug-in mais potentes, baterias maiores e uma eficiência energética que desafiou a hegemonia japonesa.

Hoje, os modelos híbridos da Toyota representam uma fatia menor das vendas do que poderiam se a marca tivesse evoluído o sistema com a mesma velocidade dos concorrentes. Ao não atualizar a entrega de performance e autonomia elétrica de seus eletrificados, a Toyota permitiu que novos concorrentes ocupassem o topo da pirâmide tecnológica, forçando-a agora a correr atrás do tempo perdido.

E você, concorda que a Toyota dormiu no ponto com os híbridos ou acha que a robustez da marca ainda supera a tecnologia chinesa? Qual erro você acrescentaria nesta lista? Escreva nos comentários.

11 comentários em “Toyota no Brasil: erros estratégicos que a marca cometeu”

  1. Alderico

    João, concordo que a Toyota vacilou em todos os aspectos citados na reportagem. O principal, na minha opinião, foi manter, até hoje, carros híbridos com pouca potência enquanto os chineses cresciam no número de vendas entregando opções de veículos mais potentes, tecnológicos e bonitos. Outro fator importantíssimo para o sucesso dos chineses foi praticar preços mais competitivos do que a Toyota e ter promoções (bônus) frequentes, aumentando o número de veículos vendidos – carros na rua recebendo elogios dos proprietários é igual a consolidação no mercado.

  2. Rodrigo

    O maior erro estratégico não foi citado na matéria: ficar 40 anos no país produzindo um único veículo, o Bandeirante. A marca não viu potencial pra mais do que isso de 1958 a 1998?

  3. Francisco José Barbosa Gonçalves

    Creio que um dos maiores erros da Toyota no Brasil foi tirar precocemente a Fielder do mercado.

  4. Wagner

    Infelizmente a Toyota tenta enfiar goela abaixo, o Yaris no lugar do Corolla Cross, que era oferecido através de PCD com o modelo XR que ocupava a mesma faixa de preço, simplesmente ela não vai vender mais nenhum Corolla Cross.

  5. Walter

    Sim, sempre atrasada, imagine o lançamento agora do RAV4 só na opção HEV para competir com Chineses PHEV mais potentes, onde o Haval H6 HEV custa 100 kR$ a menos. Se bem que não há disponibilidade de PHEV para exportação para o Brasil e este custaria 50 kR$ a mais.

  6. Flavio ivano

    Concordo plenamente, sou descendente de japoneses e já fui um toyoteiro. Tive um Corolla Cross recente e vendi devido a falta de potência e muito barulho no motor quando exigido Fiz test drive do Yaris cross e é igual. Desisti da Toyota. Comprei um Yuan Pro muito mais tecnológico e silencioso

  7. Célio Cardoso

    Toyota corolla não poder ser bastecido com álcool é vergonhoso, carros fabricados apartir de 2020.
    Causa problemas serissimos no comando de válvulas. Próprios vendedores orientam para não abastecer com álcool.

  8. Paulo

    Os Japoneses deram bobeira, qualidade indiscutível dos seus produtos, mais tinha que ter se antecipado a esses Chineses, que só sabem fazer pirataria.

  9. Cristina Araújo F Penna

    Ainda prefiro a confiabilidade da marca Toyota as novidades Chinesas.
    Mesmo não entregando tanta performance.
    Acabei de adquirir um Yaris Cross e estou muito satisfeita.
    Este é o décimo carro da marca Toyota que adquirimos em casa. Já tivemos 5 corollas três Hilux. Agora temos uma Sw4w ( marido ) e o Yaris ( meu)
    É uma marca que dificilmente dá problemas e a revenda é garantida.
    Já tivemos inúmeros outros carros de outras marcas mas sempre davam muito problema de manutenção.
    Voltamos a ter um Toyota novamente pela confiança na marca. Yaris tem 10 anos de garantia e o sistema híbrido que gera energia com a própria mecânica do carro.
    Japonês para mim, pela própria cultura é um povo muito correto, que preza pela qualidade e transparência nas ações.
    Prefiro esperar os Chineses mais alguns anos para ver se todas as novidades vão valer de fato mesmo a pena.
    Só o tempo dirá…. Enquanto isto vamos continuar no que está nos atendendo muitíssimo bem.

  10. Altamiro ribeiro

    Concordo sempre fui fã da toyota meu ultimo carro foi o rav4 ai comprei
    Um haval 6 34. Foi quando percebi que a toyota estava atraz na tecnologia

    É uma pena constatar isto

  11. Vinícius

    E o preço de lançamento do Yaris Cross? Agora, está ainda mais caro. A Toyota, muitas vezes, subestima a capacidade de discernimento do consumidor brasileiro…

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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