A China é uma nação de aproximadamente 1,41 bilhão de pessoas que se posiciona estrategicamente à frente de outras potências globais. Dos gafanhotos, larvas e escorpiões degustados no palito em barracas móveis aos carros híbridos e elétricos que conquistaram o mercado, o país soube ditar com inteligência as novas regras da humanidade, assim como da mobilidade.
Independente do posicionamento político ou das crenças, a China preserva costumes que podem parecer controversos sob o olhar ocidental. Embora distante cerca de 17.580 km e 18.030 km de São Paulo, a capital Pequim, e a cidade de Guangzhou, são centros em ebulição de pessoas e veículos, como pudemos conferir de perto em uma viagem a convite da Geely.
O trânsito da China como zona de guerra

Muita gente e muito carro formam a equação para um trânsito caótico, que faz dos congestionamentos brasileiros aprendizes de tumulto. Atravessar na faixa nem sempre é sinônimo de segurança; afinal, muitos motoristas avançam sem aviso prévio. Além disso, a onipresença das buzinas quebra o silêncio constante produzido pela frota de carros elétricos e híbridos, que utilizam placas verdes, enquanto os modelos a combustão exibem chapas azuis.
Por vezes, a pressa dos motoristas chineses resulta em colisões entre automóveis e motocicletas, cenas que presenciamos em algumas ocasiões. É comum vê-los passando raspando por outros veículos ou, pior, por caminhões e ônibus em manobras arriscadas. Também é possível notar motociclistas se jogando entre os pedestres, ignorando qualquer divisão de espaço.
Shopping Center: o novo showroom automotivo


Este é um comportamento curioso dos chineses: é possível comprar um carro dentro de um shopping center. Paralelamente às lojas, existem quiosques com modelos estacionados nos próprios corredores, uma jogada inteligente que otimiza o uso do espaço urbano.
Diferente do Brasil, a China revolucionou o setor com este modelo de venda direta. A estratégia prioriza a conveniência, levando os veículos para onde o fluxo de público já acontece e transformando o carro em um item de consumo tão acessível quanto um smartphone. Esses espaços funcionam para o cliente conhecer a tecnologia, pagar um preço fixo e finalizar a compra via aplicativo, eliminando as negociações tradicionais.
A China e a obsessão pelo entre-eixos alongado


Na China, é comum encontrar modelos como o Mercedes-Benz Classe C e GLC ou o BMW Série 3 com o entre-eixos alongado. Essa característica reflete uma combinação de prestígio social, pois o carro é visto como um símbolo de status. Aliás, o comprimento extra sinaliza que o proprietário possui recursos para ser conduzido por um motorista.
Além disso, essa configuração permite que o consumidor desfrute do espaço interno de categorias superiores sem arcar com os altos impostos aplicados a motores de maior litragem, tornando o veículo a solução ideal para famílias que buscam luxo.
O vale-tudo das motocicletas na China

Algo que parece impensável no Brasil e que pode gerar uma multa de R$ 880,41, além de sete pontos na CNH, é transitar na calçada com motocicletas ou ciclomotores. Já em Pequim, a quantidade desse tipo de veículo é avassaladora e é comum vê-los circulando livremente em meio aos pedestres ou sem respeitar a faixa.
Com propulsão elétrica e zero ruído, o risco de atropelamento é constante e a atenção deve ser redobrada. E os chineses não costumam aliviar a mão: as e-bikes passam embaladas e brotam ao seu lado sem qualquer aviso. Como a fiscalização para esse tipo de veículo nas calçadas costuma ser mais frouxa, o resultado é um verdadeiro caos organizado entre pedestres e veículos de duas rodas.
As minivans e o gosto por carros alemães e americanos


Esse paralelo mostra que a China vive uma dualidade no mercado automotivo. As minivans (MPVs) são verdadeiras salas de estar móveis, focadas no conforto absoluto de quem viaja no banco de trás, com poltronas de primeira classe e tecnologia de ponta, inclusive empregadas no transporte de aplicativos, como os modelos da Voyah ou até executivas da Maybach.
Contudo, as ruas de Pequim e Guangzhou mostram uma variedade de modelos da Mercedes-AMG, como o G63, BMW M3, Ferrari, Lamborghini e Porsche. No fim das contas, o prestígio chinês se divide em dois caminhos: o prazer de ser visto ao volante de um superesportivo e a soberania de ser conduzido com o máximo de amplitude e comodidade em um modelo familiar e amplo.
Depois de ver como a China prioriza o conforto e a praticidade de comprar carros em shoppings, você acha que o Brasil está muito atrasado ou prefere o nosso estilo de vida? Escreva nos comentários.



