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Simca: a marca que ligou marcas chefe da Stellantis no passado

Antes mesmo da Stellantis surgir, a Simca foi uma marca que conseguiu juntar as principais marcas do grupo sem perceber

4 min de leitura

Dizem que não existe coincidência na vida. Ainda assim, as marcas da Stellantis já tiveram suas histórias conectadas antes mesmo de formarem um grupo. A Simca, que já atuou no Brasil, liga as trajetórias de Fiat, Peugeot e Chrysler. Hoje, essas três são pilares da Stellantis.

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Criada em 1935 na França, a Simca surgiu como subsidiária da Fiat. O nome vem de Société Industrielle de Mécanique et Carrosserie Automobile. A ideia era produzir carros da marca italiana em solo francês. Assim, a empresa buscava espaço em um mercado dominado por Peugeot, Citroën e Renault.

Os primeiros projetos eram baseados em modelos da Fiat. Além disso, a marca aproveitava projetos descartados pela italiana. Até 1938, o nome oficial era Simca-Fiat. Depois, a empresa retirou o sobrenome. Com isso, reforçou sua independência e facilitou exportações, exceto para a Itália.

Simca Cinq [divulgação]
Simca Cinq [divulgação]

Em 1946, a Simca manteve a produção de carros. Isso ocorreu mesmo no período de guerra, ao contrário de várias concorrentes. Esse movimento deu fôlego para a marca crescer. Em 1951, lançou o Aronde. Esse foi o primeiro modelo totalmente desenvolvido pela própria Simca.

Expansão e aproximação com a Ford

A evolução abriu portas para novos mercados. Um deles foi o Brasil. Em 1954, a Ford França enfrentava crise. Nesse cenário, a Simca comprou sua fábrica. Em troca, a Ford adquiriu 15,2% das ações da marca francesa. Assim, a Simca ganhou mais independência em relação à Fiat.

Simca Chambord [divulgação]
Simca Chambord [divulgação]

Entra a Chrysler

De olho na Europa, a Chrysler precisava agir rápido. Ford e General Motors já tinham forte presença local. A GM comprou marcas regionais. Já a Ford abriu subsidiárias em vários países, com sucesso limitado.

Diante disso, a Chrysler adotou estratégia híbrida. Em 1958, comprou os 15,2% da Simca que estavam com a Ford. Assim, virou parceira da Fiat. Esse movimento iniciou uma relação que, anos depois, culminaria na FCA.

Simca 1100 [divulgação]
Simca 1100 [divulgação]

A ideia era manter a Simca como desenvolvedora de carros para a Europa. Ao mesmo tempo, esses modelos poderiam chegar aos Estados Unidos. Em contrapartida, a Chrysler venderia seus carros na Europa por meio da Simca, sem rebadge.

A estratégia avançou. Em 1971, a Chrysler comprou as ações da Fiat na Simca. Nessa fase, o nome Simca já não existia mais. Ele havia sido substituído por Chrysler um ano antes. Anos depois, o cenário se inverteu. A Chrysler enfrentou crise severa, enquanto a Fiat passou a comprar participação na empresa.

Matra-Simca Rancho [divulgação]
Matra-Simca Rancho [divulgação]

Oi Peugeot

A operação europeia da Chrysler acumulava prejuízos. A empresa também enfrentava dificuldades nos Estados Unidos. Por isso, precisava se desfazer de ativos na Europa. Nesse ponto, entra a Peugeot, outro pilar da atual Stellantis.

A Chrysler decidiu vender suas marcas europeias. Assim, ofereceu Simca e Talbot à PSA por um euro simbólico. A negociação foi concluída em 1977. Com isso, a Peugeot assumiu a operação e incorporou as marcas.

Simca 2 Litre [divulgação]
Simca 2 Litre [divulgação]

O nome Simca já havia sido encerrado anos antes. Já a Talbot foi mantida por um período curto. Ela serviu para vender modelos herdados da fase Chrysler. Depois, também foi descontinuada.

Um projeto de sedã compacto mudou de nome e virou Peugeot 309. Além disso, a PSA continuou produzindo o Dodge Omni, conhecido como Talbot Horizon, até 1979. Esses carros atendiam à Chrysler no mercado norte-americano.

Talbot Horizon [divulgação]
Talbot Horizon [divulgação]

Você já conhecia essa marca que liga as principais líderes da Stellantis? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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