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Honda Accord vs. JAC E-J7: não quer um BMW Série 3? | Comparativo

No mundo dos sedãs de luxo, o BMW Série 3 domina, mas Honda Accord e JAC E-J7 apresentam alternativas ecologicamente corretas
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]

No Brasil quando o assunto é sedã médio de luxo, a resposta quase unânime é: BMW Série 3. Ainda que existam muitos concorrentes competentes como Volvo S60, Audi A4 e Mercedes-Benz Classe C, o Série 3 domina mais da metade do segmento. Mas quem quer uma alternativa ecologicamente correta e fora dos premium? Tem agora à disposição Honda Accord e JAC E-J7.

Pode até parecer presunçoso dizer que um Honda e um JAC concorrem com um BMW Série 3. Mas, ambos têm preço semelhante ao do sedã alemão e porte mais generoso. A vantagem ainda é que o Accord é híbrido e fica na faixa do Série 3 de entrada. Já o E-J7 é mais barato que todos eles e o único 100% elétrico da categoria.

Passado, presente e futuro

Enquanto os concorrentes diretos nessa categoria de preço têm motores a combustão, JAC E-J7 e Honda Accord apostam na eletrificação. O japonês é híbrido com um sistema pouco usual aqui no Brasil. Seu motor gasolina 2.0 quatro cilindros aspirado funciona boa parte do tempo como gerador de energia para carregar as baterias do motor elétrico.

JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
Ele não fica diretamente conectado às rodas, o que gera um estranhamento quanto ao seu ronco que não condiz com o quanto ele está andando. Na maioria das situações, ele funciona somente como gerador, mas em momentos em que o motor elétrico é menos eficiente, ele entra em ação e impulsiona o carro com ou sem ajuda da eletricidade.

Na prática, a Honda diz que o Accord e:HEV tem 215 cv e 32,1 kgfm de torque, mas a performance varia em momentos em que apenas o motor elétrico de 184 cv e 32,1 kgfm de torque atua ou todo conjunto combinado. Já o JAC E-J7 é mais simples, com um sistema de motor dianteiro elétrico tradicional de 192 cv e 34,7 kgfm de torque.

JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
Diferença é absurda na hora de acelerar. O JAC acelera de 0 a 100 km/h em apenas 6,4 segundos. Ele arranca em um piscar de olhos, mas não sabe lidar bem com tanta força. As rodas lixam o asfalto e ele sai de frente sem muito rumo, deixando o controle de tração e estabilidade acertar a trajetória.

Já o Honda dispara forte por conta do motor elétrico, pouco tempo depois o ronco do motor invade a cabine como em um carro CVT. Ele é mais lento, chegando aos 100 km/h em 7,5 segundos, mas não quer dizer que seja um carro devagar. Compensa o número inferior com uma excelente estabilidade nas arrancadas e solidez do conjunto.

JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]

Vai mais longe pagando menos

Em questão de custos, não dá para brigar com o JAC E-J7. Carregar um carro elétrico é mais barato e ele ainda custa menos que o Accord: R$ 264.900 contra R$ 299.000. Sua autonomia total com baterias cheias é de 402 km. Contudo, o Honda roda o dobro com um tanque cheio: 821 km na estrada e 845 km na cidade, segundo dados oficiais da marca.

Isso só é possível graças ao consumo de 17,6 km/l na cidade e 17,1 km/l na estrada. O JAC consome 16 kWh a cada 100 km segundo a marca. Na prática, o Honda precisa ser abastecido menos vezes do que o JAC necessita ser carregado. E vale lembrar que por não ser plug-in, o japonês usa o motor a combustão e o freio regenerativo para carregar.

JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]

Heranças

Um dos melhores pontos do Accord é sua dirigibilidade. O sedã parece um Civicão de maneira positiva: faz bem as curvas, é sólido e tem suspensão e direção nitidamente calibradas para o prazer ao dirigir. Ele é mais firminho e tem direção mais pesada, mas com o ajuste que se espera de um sedã de luxo com tocada mais esportiva ao volante.

O JAC E-J7 é o extremo oposto. Tem suspensão mole para agradar aos chineses, o que faz dele um carro muito confortável nas conduções urbanas, mas aquém do esperado na curva. Os pneus 215/55 R17 da Giti tem pouca aderência, deixando os controles de tração e estabilidade cortarem a força do acelerador a todo tempo em curvas mais animadas.

JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 vs Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
A pouca estabilidade do JAC nas curvas o faria ficar para trás do Honda em uma pista sinuosa, mesmo ele tendo aceleração mais forte. Já a direção é excessivamente leve a todo tempo, mas compensa por ser bem direta e rápida. Faltou ao estreante E-J7 aquele ajuste final que a Volkswagen já fez no E-JS4 para se comparar aos rivais alemães de luxo.

Grandezas escalares

A grande vantagem do Honda Accord e do JAC E-J7 frente ao BMW Série 3 e seus rivais é o porte. Ambos são considerados sedãs grandes, sendo o Honda ainda maior: são 4,88 m de comprimento contra 4,77 m do JAC. Na largura são 1,82 m no chinês contra 1,86 m do japonês, que dá o troco em altura: 1,51 m contra 1,45 m, respectivamente.

[Auto+ / João Brigato]
O porta-malas deles é generoso: 590 litros no E-J7 e 574 litros no Accord. Essas medidas avantajadas se traduzem em uma cabine verdadeiramente espaçosa. O espaço traseiro é vasto mesmo para passageiros altos, com destaque especial para a área das pernas. A cabeça não é tão bem tratada por conta do perfil acupezado da dupla – em especial o E-J7.

Inegavelmente bonitos, eles abordam estilos diferentes. O E-J7 tem teto com pintura contrastante e linhas fortes por toda carroceria. A traseira é seu ponto mais belo, com lanternas conectadas e linhas elegantes. Já o Accord se parece em demasia com um Civic de grande porte, apesar de ser um sedã bem bonito, em especial de frente.

[Auto+ / João Brigato]
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Escolas opostas

Já o interior contrasta bastante entre os dois modelos. O Honda tem montagem melhor, materiais de mais qualidade e um visual mais tradicional. Todos os comandos são feitos em botões grandes e fáceis de serem usados, o que fez a central multimídia ter tela pequena e de definição apenas ok para a categoria.

O painel de instrumentos parcialmente digital e o volante são os mesmos do City, o que dá vantagem para o modelo de entrada. Mas há cuidado extra na montagem dos materiais, em especial no couro dos bancos e volante que está anos luz à frente do que é usado nos Honda nacionais. Nesse quesito, ele chega bem perto dos modelos de luxo.

Honda Accord [Auto+ / João Brigato]
Já o JAC E-J7 aposta na modernidade. Tem painel de instrumentos totalmente digital e uma central multimídia verticalizada de grande porte e tela de qualidade. Pena ter menus confusos e um layout de celular do camelô. O painel digital e o volante são os mesmos do E-JS4 e poderiam ser mais sofisticados no sedã elétrico.

Bancos em couro tem ajuste elétrico somente no assento, enquanto o Honda tem até lombar elétrica e memória. Ao menos o couro usado é de qualidade e há uma interessante textura no material usado nas portas. A montagem é boa, mas há plástico rígido nas portas que não combina com a generosa porção de material macio nas portas.

JAC E-J7 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-J7 [Auto+ / João Brigato]

Lista de faltas

A lista de equipamentos talvez seja a maior falha do JAC E-J7 na tentativa de ser uma alternativa sólida ao BMW Série 3 e à trupe de sedãs de luxo. Ele deve e muito em equipamentos até para o Accord. Ainda que seja uma lista de muitos itens, para a faixa de preço é pouco.

Ambos são equipados com quatro airbags, câmera de ré, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, teto solar (panorâmico no JAC), faróis full-LED, chave presencial, controle de tração e estabilidade, monitoramento de pressão dos pneus, ar-condicionado digital (duas zonas no Honda e uma no JAC), além de central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay.

[Auto+ / João Brigato]
Importado somente na versão topo de linha Touring, o Accord dá um banho em equipamentos. Ele tem a mais airbags de cortina, farol alto automático, indicador de fadiga, alerta de ponto cego, assistente de manutenção em faixa, vetorização de torque, alerta de tráfego cruzado, piloto automático adaptativo e frenagem autônoma de emergência.

Soma-se à lista volante com ajuste de profundidade, retrovisores com rebatimento automático, banco dianteiro com refrigeração, retrovisor eletrocrômico, limpador de para-brisa automático, partida remota, GPS integrado, head-up display e carregador de celular por indução.

 [Auto+ / João Brigato]
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Veredicto

Como produto, o Honda Accord é nitidamente superior ao JAC E-J7. É mais gostoso de andar, mais refinado na construção, muito mais equipado e a cabine quase não deve nada aos alemães de luxo. Contudo, o JAC vence esse comparativo por W.O. A Honda suspendeu as importações do Accord momentaneamente por conta da crise dos semicondutores.

O Brasil não receberá novos estoques do sedã grande híbrido da Honda até que a produção nos EUA se estabilize e haja espaço para o nosso mercado. Ele corre o risco até de sair de linha ou, quando voltar, ter preço bem mais alto que o atualmente cobrado. Se não fosse por isso, sua vitória sobre o JAC E-J7, mesmo custando R$ 35 mil a mais, seria de lavada.

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João Brigato

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