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Guerra dos importados

Anfavea articula cotas e sobretaxa contra carros chineses

A Anfavea apresentou ao governo federal um pacote de medidas contra o avanço dos veículos chineses

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O aumento dos veículos importados levou a Anfavea a acionar o governo federal. Segundo a agência AutoData, em reportagem do jornalista Pedro Kutney, a associação aproveitou o fim das eleições para levar formalmente propostas para conter a entrada de veículos estrangeiros.

Entre janeiro e setembro de 2026, as importações registraram 106,4% sobre o mesmo período de 2025. Um movimento puxado pelas marcas asiáticas. Portanto, a diretoria da entidade esteve em Brasília com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, acompanhado por treze vice-presidentes da associação, apresentou o balanço sobre a evolução do mercado nos últimos 10 anos. Além disso, detalhou três frentes para proteger a produção local: salvaguardas temporárias, a criação da CIDE Automotiva e o estabelecimento de cotas limitadoras de importação.

MG IM6 [divulgação]
MG IM6 [divulgação]

Sobretaxa emergencial para marcas sem fábrica no país

A primeira proposta apresentada ao Executivo prevê a aplicação de salvaguardas comerciais temporárias. Sobretudo, estabelece uma tributação extra sobre a importação por empresas que só trazem veículos do exterior e não possuem linhas de montagem no Brasil.

Para preservar as associadas da Anfavea, isenta da tarifa adicional os modelos importados que complementam o portfólio com produção local. Aliás, a medida não atinge a entrada de componentes e kits desmontados nas modalidades CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), garantindo continuidade de montagens no país por grupos como Stellantis, General Motors e Renault Geely.

A entidade sugeriu a criação da CIDE Automotiva por meio de projeto de lei. Isso incidiria sobre o valor dos veículos importados, somando-se à alíquota de 35% do Imposto de Importação, que já atingiu o teto legal permitido.

Conforme revelado pela AutoData, embora bastidores citassem uma alíquota inicial de 10% para a contribuição, a Anfavea esclareceu que os percentuais serão calibrados depois da conclusão de estudos, que revelem a diferença de competitividade entre os produtos nacionais e os importados. A proposta da CIDE também pode ser estendida à importação de autopeças e componentes.

Cotas: GWM Wey 07 [Auto+ / João Brigato]
GWM Wey 07 [Auto+ / João Brigato]

Cotas de importação inspiradas no modelo europeu

A terceira e mais profunda medida propõe a fixação de cotas volumétricas para automóveis vindos da China. A Anfavea defende limitar a entrada a um teto entre 2,5% e 3% do total do nosso mercado, o que corresponderia a um volume de 75.000 a 90.000 unidades/ano.

Apenas nos primeiros nove meses do ano, o Brasil recebeu quase 255.000 veículos prontos de marcas chinesas, além de mais de 100.000 unidades importadas sob a forma de kits desmontados. O cenário espelha a decisão recente da União Europeia, que limitou a 350.000 unidades anuais.

Segundo o presidente da Anfavea à AutoData, o governo federal recebeu as pautas e encaminhou os textos às equipes jurídicas para análise de viabilidade e enquadramento legal. A expectativa, sobretudo, é obter desdobramentos a partir de novembro, logo após a Fenatran (de 9 a 13 de novembro). Todavia, os executivos também alertaram o Executivo sobre a preocupação com o aumento de custos operacionais e trabalhistas para os próximos anos.

Você acredita que o Brasil deve adotar cotas e impostos extras para conter os carros chineses? Escreva nos comentários!

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