*com informações de Rafael Pocci Déa
O mercado brasileiro está recebendo tantas fabricantes chinesas que já ficou difícil de lembrar todos os nomes, letras e números de cada marca/modelo. E agora a 23º fabricante chinesa, a BAIC, um dos maiores grupos automotivos da China, dá início oficialmente às suas operações por aqui. A estreia acontece com o Arcfox T1, um hatch elétrico que parte de R$ 129.900 e chega contra BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT.
Apesar de ser apresentado como um crossover compacto, o T1 é um hatch com dimensões generosas para sua faixa de preço. São 4,33 m de comprimento , 1,86 m de largura, 1,57 m de altura e 2,77 m de entre-eixos, além de um porta-malas de 459 litros. Ou seja, mais comprido que os rivais que ficam entre 4,12 m de comprimento e até maior que um VW T-Cross de 4,21 m.
A BAIC também não pretende depender apenas do preço para conquistar espaço. O modelo terá duas versões, além que a fabricante realizou adaptações específicas para as condições de rodagem brasileiras e prepara uma rede própria de concessionárias.

Durante a apresentação, Oswaldo Ramos, chefe de operação da BAIC no Brasil (COO), deixou claro que a intenção é buscar consumidores que hoje estão em fabricantes tradicionais, além daqueles interessados em trocar um carro a combustão por um elétrico. “Nós queremos os clientes da Hyundai, da Jeep e quem deseja um elétrico”, afirmou o executivo.
Quanto custa o BAIC Arcfox T1 no Brasil?
A BAIC confirmou duas configurações para o mercado brasileiro. A versão de entrada, chamada Pro, custa R$ 129.900 em condição promocional, enquanto a Max sai por R$ 139.900. A diferença de R$ 10 mil está principalmente na quantidade de equipamentos de conforto e tecnologia.

Os preços anunciados durante o lançamento serão válidos até 31 de dezembro de 2026 ou enquanto durar o estoque de 600 unidades. Com isso, o Arcfox T1 fica em uma posição bem disputada de preço.
Ele custa mais que o BYD Dolphin Mini (R$ 118.990 – R$ 119.990), mas oferece uma carroceria maior e mais equipado. Ao mesmo tempo, entra diretamente na disputa com o Geely EX2 (R$ 123.800 – R$ 136.800), o BYD Dolphin (R$ 149.990 – R$ 169.990), o GAC Aion UT (R$ 139.990 – R$ 159.990) e MG4 Urban (R$ 134.990 – R$ 154.990).

No visual, a BAIC preferiu uma carroceria com aparência de crossover, usandouma dianteira fechada, faróis estreitos e maçanetas semifechadas. O T1 também herda parte da linguagem visual apresentada no conceito Arcfox 77, principalmente nas linhas mais limpas e no conjunto de iluminação.
A versão Pro tem rodas de aço de 17 polegadas, enquanto a Max recebe rodas de liga leve de 18 polegadas. Serão quatro opções de cores externas: Branco Polar, Prata Aurora, Prata Elétrico e Cinza Eclipse. Já o acabamento interno poderá ser escolhido em Cinza Champagne ou Preto Noir.
Motor de 95 cv e autonomia de 283 km

Debaixo da carroceria, o Arcfox T1 tem um motor elétrico de 95 cv e 17,9 kgfm. Não é uma potência alta, principalmente quando pegamos os rivais, mas a proposta da BAIC é trazer eficiência e conforto urbano do que do desempenho esportivo.
A bateria tem capacidade de 42,3 kWh e segundo Inmetro, o T1 tem autonomia de 283 km. Alguns dos seus rivais trazem mais potência e autonomia, como o Geely EX2 com 116 cv e 289 km; MG4 Urban de 150/160 cv e 299/359 km; o Dolphin com 95/177 cv e 291/330 km, entre outros.

A velocidade máxima informada é de 140 km/h. O modelo também oferece funções V2L e V2V, que permitem utilizar a energia da bateria para alimentar equipamentos externos ou fornecer eletricidade a outro veículo compatível.
Suspensão foi adaptada para as ruas brasileiras
Embora seja importado da China, o Arcfox T1 passou por uma série de ajustes para atender às condições brasileiras. A própria fabricante confirmou que fez trabalhos específicos na suspensão, além de acrescentar equipamentos que não estavam previstos originalmente para o modelo.

O conjunto tem suspensão dianteira independente do tipo McPherson, enquanto a traseira trabalha com eixo de torção. A BAIC informou que o desenvolvimento envolveu cerca de 8 mil quilômetros de testes durante quatro meses, com 192 parâmetros de ajuste.
A intenção foi adequar o comportamento do carro às características das ruas e estradas brasileiras, que precisam mais da suspensão por causa de buracos, lombadas e irregularidades no asfalto. Aliás, as alterações não ficaram restritas à suspensão. O modelo brasileiro também ganhou estepe do tipo run-flat, cobertura para o porta-malas e proteção inferior para os conectores de alta tensão.

A BAIC ainda adicionou um carregador de celular no console central e realizou alterações nos comandos da central multimídia, permitindo acessar funções do veículo mesmo durante o uso do Apple CarPlay.
Arcfox T1 aposta em equipamentos de carros mais caros
O pacote de equipamentos também aparece entre os argumentos da fabricante. A versão Max, por exemplo, oferece teto panorâmico com cortina elétrica, bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, além de função de memória para os ajustes.

O teto tem um vidro com área de aproximadamente 1,12 m², enquanto o conjunto panorâmico ocupa uma superfície maior da carroceria. A cortina elétrica permite bloquear a entrada de luzl.
Os bancos dianteiros ainda podem ser bastante reclinados, chegando a 73 graus. Segundo a BAIC, essa configuração permite formar uma superfície de descanso de aproximadamente 1,60 metro.

Na segurança, o T1 dispõe de recursos de assistência à condução, incluindo frenagem automática de emergência, alerta de colisão frontal e aviso de saída de faixa. Também foram apresentados controle de cruzeiro adaptativo com função Stop & Go, assistente de permanência em faixa e sistema para condução em congestionamentos.
Já a versão Max acrescenta recursos de estacionamento automático, além de assistência para passagens estreitas e uma função capaz de memorizar trajetórias durante manobras de ré.
BAIC quer clientes de Hyundai e Jeep e terá 50 lojas

A chegada do T1 também representa o início de uma operação mais ampla da BAIC no Brasil. O grupo chinês possui marcas como Arcfox, Stelato, BAIC e Foton, além de participar de joint ventures com Mercedes-Benz e Hyundai na China.
Por aqui, entretanto, a estratégia inicial será concentrar os produtos BAIC e Arcfox nas mesmas concessionárias. A Stelato deverá chegar em um segundo momento, posicionada como uma alternativa de luxo dentro do grupo.

A fabricante pretende alcançar 50 lojas até novembro de 2026. Segundo as informações apresentadas durante o evento, boa parte das concessionárias estará aberta a partir de 30 de outubro, enquanto o lançamento oficial da operação brasileira está marcado para 11 de novembro.
Também existe uma preocupação em começar pelo tipo de veículo que possui maior potencial de vendas no país. Durante a apresentação, Oswaldo Ramos explicou por que a fabricante escolheu um compacto elétrico para inaugurar essa nova fase. “Estamos oferecendo produtos com os desejos dos brasileiros. Trouxemos um compacto porque é o que vai vender”, afirmou.
Estratégia GWM

A marca também pretende facilitar a compra pela internet. Assim como Ramos implementou na GWM quando trouxe a outra chinesa ao Brasil, a GWM, o Arcfox T1 também terá uma loja oficial no Mercado Livre, que direcionará o consumidor para a plataforma de pedidos da fabricante. A reserva do veículo será feita mediante pagamento de R$ 5 mil.
Já no pós-venda, a BAIC anunciou uma estrutura logística em Itajaí, Santa Catarina, operada em parceria com a Foton. A previsão apresentada contempla cobertura de 97% das peças consideradas mais críticas, com recebimento de novos lotes ao longo de novembro.

A fabricante também prepara assistência 24 horas e um serviço chamado BAIC Concierge, previsto para o final de novembro. O atendimento será realizado por telefone e WhatsApp, com acompanhamento das solicitações dos proprietários. A ofensiva da fabricante não ficará restrita ao T1. A BAIC já confirmou que fará o pré-lançamento do elétrico Arcfox T5 em 11 de novembro.
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