A Caoa Changan não desembarca no país apenas para testar o mercado ou ser uma presença passageira, conforme garante Peng Tao, vice-presidente executivo da fabricante. Pelo contrário, a marca quer se estabelecer como uma das maiores fabricantes chinesas presentes no Brasil.
A estratégia chega ao ponto de haver vontade de superar a própria Chery em volume. Tanto que a promessa da Changan é de alto volume. Para atingir esse objetivo audacioso, ela contará com a força de distribuição do grupo Caoa.
Expansão da rede e divisão de lojas
Durante o primeiro contato da imprensa brasileira com a marca, Li Yuanxing, gerente geral das operações da Changan na América Latina, revelou que a rede terá 40 concessionárias no país. A ideia é que esses pontos já estejam operando plenamente em 2026, utilizando uma estratégia múltipla de ocupação de mercado.
Segundo Jan Telecki, diretor de marketing da Caoa, em conversa com o Auto+, a Changan terá endereços exclusivos em locais estratégicos, mas também aproveitará a infraestrutura existente. Dessa forma, algumas revendas que hoje são exclusivas da Chery poderão ser rachadas ao meio para abrigar os modelos da Changan.


Além disso, como a Caoa é dona do maior grupo de concessionárias Ford no Brasil, o grupo também poderá dividir as lojas da marca do oval azul para receber a nova chinesa. Essa prática de compartilhar endereços entre marcas do mesmo grupo já é comum entre Fiat e Jeep.
Em Campinas, no interior de São Paulo, por exemplo, é possível ver Audi, Chevrolet e GWM dividindo o mesmo prédio de forma pacífica. Logo em frente, temos MG, Citroën e Peugeot no mesmo endereço. Essa estratégia de marcas não parceiras no mesmo logar é algo que a Caoa deve replicar com facilidade aproveitando seus 150 pontos atuais da Chery e sua rede Ford.

Engenharia brasileira e o teste das lombadas
Durante a apresentação, Peng Tao reforçou que a Changan será feita “do Brasil para o Brasil”. Para sustentar essa afirmação, ele destacou o trabalho de 100 engenheiros da Caoa e da marca chinesa que modificaram os carros nacionalizados.
Um detalhe curioso, revelado pelo executivo, é que o Uni-T brasileiro terá um porta-copos maior, atendendo à demanda nacional por garrafas de água grandes dentro do veículo. Além disso, a marca construiu uma pista de testes específica em seu complexo em Chongqing para simular o pavimento rústico brasileiro.

O traçado é repleto de lombadas e imperfeições, justamente para garantir que a adequação ao nosso mercado seja real e não apenas teórica. Esse nível de compromisso com o ajuste de suspensão e estrutura é um diferencial que nem todas as marcas chinesas aplicam em seus projetos de exportação.
Tropicalização versus desenvolvimento exclusivo
Contudo, ao ser questionado sobre a possibilidade de criar carros totalmente inéditos para o nosso mercado, o executivo voltou a focar nas modificações profundas feitas no Uni-T.
Isso indica que, por enquanto, a Changan não deve seguir os passos da BYD no desenvolvimento de modelos exclusivos para o Brasil. A prioridade imediata da empresa reside em realizar uma tropicalização verdadeira sobre sua base global de modelos já existentes.
![CAOA Changan Uni-T [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/02/changan_uni-t_16.webp)
Você teria um carro da Changan sabendo dessa adaptação para o Brasil? Conte nos comentários.



