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Cores menos vibrantes

Cupra redefine sua paleta visual e deixa o amarelo para a Ferrari

A Cupra oficializou o fim das cores vibrantes em seus modelos em troca de consolidar uma identidade premium

5 min de leitura

A Cupra oficializou que tirou de cena as cores vibrantes em seus futuros lançamentos em troca de uma nova identidade. A nova estratégia prevê que a paleta dos próximos modelos seja composta predominantemente por tons foscos e sóbrios. A decisão de deixar cores como vermelho e amarelo para a Ferrari é uma escolha consciente de posicionamento. Essa mudança busca trazer um ar de exclusividade e elegância.

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Aliás, houve um período em que os modelos da Cupra eram associados a tons de amarelos, que funcionavam como apelo comercial. No entanto, os próximos carros da marca chegarão apenas com cores discretas. O objetivo é distanciar a Cupra de suas raízes na Seat, elevando o status para um outro patamar de design.

Cupra Terramar  parado de traseira
Cupra Terramar [Divulgação]

Cupra: do amarelo vibrante ao acabamento em cobre

Antes de se consolidar como fabricante independente em 2018, a Cupra atuava como a divisão esportiva da Seat. Os primeiros hatches eram baseados nas linhas Ibiza e Leon, que utilizavam tons vibrantes de amarelo como característica visual. Com o passar dos anos, essa identidade tornou-se um sinônimo dentro do universo da Cupra, criando um forte vínculo visual com o público.

Entretanto, a estratégia recente adotou uma rota oposta, priorizando a sofisticação. Nos últimos anos, a marca introduziu detalhes em cobre como uma das principais características de seus modelos eletrificados. Essa transição gradual para uma paleta de cores mais suaves reflete um novo posicionamento premium.

Seat Leon Cupra R vermelho em movimento de dianteira
Seat Leon Cupra R [Divulgação]

Identidade visual focada em sofisticação técnica

Francesca Sangalli, Diretora de Cores e Acabamentos da Seat e da Cupra, detalhou à Autocar a lógica por trás da nova estratégia. Segundo a executiva, com informações também publicadas pelo Carscoops.com, a marca agora aposta em cores neutras e acabamentos diferenciados. O foco principal está nos tratamentos foscos e o desenvolvimento de novas pigmentações. Essa abordagem destaca as superfícies dos carros sem a necessidade de cores chamativas.

Sangalli ainda confirmou que tonalidades como vermelho ou amarelo não retornarão ao catálogo da Cupra nos próximos lançamentos, além de afirmar que cores fortes devem permanecer associadas à identidade de marcas como a Ferrari ou outros fabricantes de nicho. Para a executiva, esse tipo de visual não combina com o atual posicionamento tecnológico e premium que a Cupra deseja projetar.

O próximo passo na eletrificação

O Cupra Raval surge como um dos modelos mais aguardados para consolidar essa nova filosofia de design e performance. Além disso, o compacto elétrico terá como principal objetivo rivalizar diretamente com o Alpine A290 no território europeu. Com o Raval, a marca espera atrair um público jovem que valoriza a sustentabilidade sem abrir mão da exclusividade visual.

A resistência de parte dos compradores em relação à nova paleta cromática não parece preocupar a direção da Cupra. Afinal, a estratégia baseia-se na premissa de que os clientes buscam exatamente o que ela representa em sofisticação e exclusividade. Para o fabricante, a nova gama de cores não é um limitador. Essa abordagem foca em um consumidor que valoriza o design minimalista e prefere o refinamento técnico ao impacto visual.

Cupra Terramar [Divulgação]

Ao manter-se firme nessa decisão, a Cupra consolida seu posicionamento dentro do Grupo Volkswagen. A empresa acredita que a consistência visual será o principal pilar para garantir o reconhecimento global de seus produtos nos próximos anos. Embora o utilitário Terramar tenha estreado com a opção vermelho Desire, os demais modelos da gama já seguem as novas diretrizes. Contudo, as recentes atualizações de portfólio mostram que a marca prioriza tons que fogem totalmente do óbvio no mercado.

Nomenclaturas sofisticadas e mercado global

Exemplos dessa nova fase são o verde Manganês Fosco, exclusivo do novo Raval, e o verde Floresta Escuro, que reforçam a proposta de exclusividade. A estratégia foca em oferecer variações cromáticas que mantenham a sobriedade, evitando a saturação excessiva de antigamente. Com isso, a Cupra estabelece um padrão estético que privilegia o tratamento da cor e a textura dos materiais.

A Seat adota uma estratégia oposta à da sua divisão de performance na renovação de seu portfólio de produtos. Enquanto a Cupra prioriza tons sóbrios, os novos Ibiza e Arona podem ser configurados nas cores vibrantes Liminar Red, Hypnotic Yellow e Fiord Blue. Além disso, a diferenciação visual entre as duas casas torna-se, portanto, um elemento fundamental para evitar a canibalização de vendas dentro do grupo.

A Cupra não é a única fabricante a utilizar a cor como um pilar estratégico fundamental na indústria automotiva. Em 2023, a Fiat fez um anúncio global declarando o fim da produção de veículos na cor cinza em sua linha. A fabricante italiana justifica a decisão como um esforço para tornar as ruas mais vibrantes e coloridas com seus novos modelos. Essa movimentação demonstra como a escolha cromática tornou-se uma ferramenta poderosa para definir a identidade de marca na atualidade.

E você, acha certa a decisão da Cupra de abrir mão das cores vibrantes? Escreva nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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