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Move Brasil muda regras e exige só 6 meses de motorista de app

Programa virou lei, manteve juros especiais e agora permite financiar carros de até R$ 200 mil em até 84 meses

6 min de leitura

O Move Brasil mudou novamente suas regras, mas desta vez a principal novidade está em quem pode entrar no programa. O motorista de aplicativo não precisa mais comprovar um ano inteiro trabalhando na mesma plataforma para tentar financiar um carro zero km. Agora, seis meses são suficientes.

A mudança veio com a Lei nº 15.503/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira (14). Além de transformar em lei o programa que havia começado por medida provisória, o novo texto mantém uma linha de até R$ 30 bilhões e altera alguns pontos para motoristas, taxistas e entregadores. 

Com isso, o Move Brasil jamais vai dar um carro ao motorista e também não funciona como um desconto direto do governo. Na verdade, ele cria uma linha de financiamento com condições específicas, enquanto o banco continua decidindo se vai ou não emprestar o dinheiro.

Agora bastam seis meses trabalhando por aplicativo

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Quando o Move Brasil nasceu, em maio, o motorista precisava ter pelo menos 12 meses de cadastro ativo na mesma plataforma, além de 100 corridas dentro desse período. A nova regulamentação cortou essa primeira exigência pela metade. A partir de agora são necessários seis meses de atividade e pelo menos 100 corridas, sempre dentro da mesma plataforma. Ou seja, não adianta somar aplicativos diferentes.

Por outro lado, quem tentou entrar anteriormente e ficou de fora porque ainda não havia completado um ano poderá fazer uma nova solicitação caso já atenda à regra atual. Depois do cadastro, o governo prevê até 10 dias úteis para informar se o motorista está habilitado no programa. 

Estar aprovado no Move Brasil não significa ter crédito aprovado

Existem duas aprovações completamente diferentes. A primeira acontece no gov.br. Nessa etapa, o sistema simplesmente verifica se aquela pessoa realmente se enquadra no Move Brasil. No caso do motorista de aplicativo, por exemplo, a própria plataforma envia os dados necessários para confirmar tempo de atividade e número de corridas. 

Nissan Kait na versão Sense Plus estático na cor Cinza Grafite para avaliação e teste
Nissan Kait Sense Plus [Auto+/Luiz Forelli]

Passou? Aí começa a segunda etapa. O motorista procura uma instituição financeira que trabalhe com o programa, e o banco fará uma análise tradicional de crédito. Portanto, renda, histórico financeiro, capacidade de pagamento e outros critérios continuam entrando na conta. O fato de aparecer como elegível no gov.br não obriga nenhum banco a liberar o financiamento. 

Existe, porém, um fundo garantidor por trás dessas operações. No caso de motoristas e taxistas, o FGI pode cobrir até 80% de uma operação, respeitado também o limite de 30% da carteira da instituição financeira. Isso reduz parte do risco assumido pelo banco, mas não significa que o governo pagará 80% do seu carro. 

Posso comprar qualquer carro de até R$ 200 mil?

Também não. O limite do programa subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil em agosto e continua valendo com a nova legislação. Só que esse teto considera o preço final registrado na nota fiscal. Além disso, o automóvel precisa aparecer na relação de modelos elegíveis do Move Brasil. 

BYD King GS parado de frente
BYD King GS [Auto+ / Luiz Forelli]

A lista aceita carros novos movidos a etanol, flex, híbridos e elétricos que atendam aos critérios do programa A ampliação para R$ 200 mil também abriu bastante o leque. Segundo o próprio MDIC, o teto anterior alcançava aproximadamente 63% do mercado de automóveis de 2025. Com R$ 200 mil, esse alcance potencial passa para cerca de 88%. 

E os juros?

As taxas máximas continuam diferentes para homens e mulheres. Para motoristas e taxistas, o governo informa até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. Nas referências mensais utilizadas pelo programa, isso corresponde a até 0,99% e 0,91% ao mês, respectivamente. 

Além disso, o prazo aumentou recentemente e agora pode chegar a 84 meses, ou sete anos. Antes eram 72 meses. Só que existe outro detalhe interessante: dentro desses 84 meses podem entrar até seis meses de carência para o principal da dívida.

As parcelas também poderão mudar ao longo do financiamento

Geely EX2 Pro [Auto+ / João Brigato]

A nova lei colocou ainda uma possibilidade que merece atenção. Os bancos poderão trabalhar com um sistema de amortização variável. Em um português mais simples, a instituição poderá montar um financiamento no qual as prestações do começo sejam diferentes daquelas cobradas no final. 

Imagine, por exemplo, que o motorista esteja trocando de carro justamente para começar a trabalhar mais. O banco poderia, dependendo de sua política de crédito, estruturar parcelas menores inicialmente e valores maiores posteriormente.

Mas isso não será obrigatório e tampouco significa que todo contrato funcionará dessa maneira. A lei apenas abriu essa possibilidade e obriga a instituição a informar as opções disponíveis ao cliente. Por isso, olhar apenas a primeira prestação pode ser ruim. O motorista precisa ver quanto pagará ao longo de todo o contrato e qual será a evolução das parcelas.

Move Brasil não vai acabar agora

Volkswagen Virtus Highline [Auto+ / João Brigato]

Quando o programa começou por medida provisória, havia um período limitado para a contratação das operações. O prazo acabaria em setembro. Com a Lei nº 15.503 e a atualização das regras pelo Conselho Monetário Nacional, essa barreira de 120 dias foi retirada.  Assim, o programa pode continuar contratando novas operações enquanto houver disponibilidade financeira dentro do limite autorizado.

Entregadores também entram no Move Brasil

A lei vai além dos carros. Os entregadores e motoapps também podem financiar motocicletas, motonetas, ciclomotores e determinados veículos elétricos de duas rodas. Para esse público, a exigência também fica em seis meses de atividade e pelo menos 100 corridas ou entregas. 

Nesse caso, o financiamento pode chegar a 48 meses e ter dois meses de carência do principal. Para profissionais com vínculo CLT, a regra exige pelo menos seis meses trabalhando na mesma empresa. 

fiat cronos uber comfort carros
Fiat Cronos Precision [Auto+ / João Brigato]

A legislação aprovada pelo Congresso e sancionada em setembro também abriu espaço para veículos de transporte escolar e determinados utilitários leves, além de adaptações destinadas a pessoas com deficiência. Algumas dessas modalidades ainda dependem de regulamentação específica para funcionar plenamente. 

E você, motorista, vai aproveitar o Move Brasil para financiamento? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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