Ao vivo
Home » Novidades » Toyota reabre fábrica de motores um ano após destruição por temporal

Novidades

Fez o impossível

Toyota reabre fábrica de motores um ano após destruição por temporal

Unidade de Porto Feliz volta a operar pela fundição, mas reconstrução completa ainda vai até 2028

7 min de leitura

Exatamente um ano depois de ver sua fábrica de motores praticamente destruída por conta de um forte temporal, a Toyota começou a voltar para Porto Feliz (SP). A japonesa anunciou que reativou nesta terça-feira (22) a primeira parte da unidade, começando pela fundição, enquanto a reconstrução completa ainda deve avançar até 2028.

O retorno encerra apenas uma etapa de uma operação que começou às pressas em setembro de 2025. Na época, os fortes ventos arrancaram telhados, retorceram estruturas metálicas, atingiram veículos e deixaram dez pessoas feridas. Com isso, boa parte da fábrica ficou sem condições de continuar funcionando e, posteriormente, a Toyota decidiu desmontar a estrutura restante para reconstruí-la praticamente do zero.

O problema é que Porto Feliz não era uma fábrica qualquer dentro da operação brasileira. Dali saíam motores usados no Corolla, Corolla Cross e, principalmente, os novos conjuntos 1.5 preparados para o Yaris Cross, que estava justamente às vésperas de chegar ao mercado.

Toyota reativa fábrica de motores em Porto Feliz (SP)
Toyota reativa fábrica de motores em Porto Feliz (SP) [Divulgação]

Por isso, o temporal afetou a produção de veículos da Toyota no Brasil e outros mercados e ainda obrigou a marca a adiar o lançamento do Yaris Cross, previsto inicialmente para outubro de 2025.

Toyota precisou criar outra fábrica às pressas

Enquanto começava a entender o tamanho da destruição, a Toyota precisava resolver outro problema: onde iria colocar equipamentos enormes e pesados sem interromper a produção por vários meses? Segundo apuração do Autoesporte, a montadora calculava que precisaria de pelo menos 28 mil m2 e, principalmente, de um piso capaz de suportar todo o maquinário. 

A solução apareceu em um condomínio industrial a cerca de 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba (SP). O DVR tinha um galpão de 45 mil m2disponível. Em vez de ocupar somente uma parte, a Toyota decidiu alugar toda a área e começar imediatamente a mudança.

A partir daí começou uma operação que funcionava 24 horas por dia. Caminhões levavam os equipamentos retirados de Porto Feliz, primeiro da linha dos motores 1.5 e, posteriormente, também o maquinário relacionado aos conjuntos 2.0.

Toyota reativa fábrica de motores em Porto Feliz (SP)
Toyota reativa fábrica de motores em Porto Feliz (SP) [Divulgação]

Em apenas quatro meses, aquela estrutura que originalmente não era uma fábrica de motores estava pronta para assumir uma parte importante da produção da Toyota por aqui.

Yaris Cross virou prioridade

O maior problema estava justamente no motor 1.5 do Yaris Cross. Afinal, esse conjunto tem especificações próprias para o Brasil e a Toyota não tinha outra fábrica no mundo pronta para simplesmente assumir toda a produção.

Por isso, a linha instalada no DVR virou prioridade. Em janeiro de 2026, a operação provisória já conseguia produzir até 400 motores 1.5 flex e híbridos flex por dia, justamente o volume previsto anteriormente para Porto Feliz. Foi essa solução que permitiu à Toyota finalmente colocar o Yaris Cross no mercado e, ao mesmo tempo, atender as exportações.

Ainda assim, nem tudo pôde ser simplesmente transferido. A Toyota também recorreu à sua estrutura global, como as operações no Japão e em outros países da Ásia e Europa, para fornecer motores, peças e componentes enquanto reorganizava a operação brasileira.

Toyota Yaris Cross XRX estático na cor Azul Netuno
Toyota Yaris Cross XRX [Auto+/Luiz Forelli]

Segundo a própria fabricante, esse trabalho permitiu retomar a produção de veículos no Brasil cerca de 40 dias depois do temporal. Desde que começou a funcionar, a fábrica provisória já produziu aproximadamente 42 mil motores, segundo o Autoesporte. Parte desse volume também atende mercados externos, inclusive com configurações diferentes das usadas nos carros brasileiros.

O que voltou a funcionar em Porto Feliz?

Por enquanto, a fábrica original ainda está longe de operar normalmente. A primeira etapa recuperada foi justamente a fundição, uma das áreas mais atingidas pelo temporal. Cerca de 150 funcionários começam a retornar para essa parte da operação. Eles já trabalhavam no setor antes da destruição, mas assumiram outras funções enquanto a unidade passava pelas obras.

Já a usinagem e a montagem continuam no galpão provisório. Assim, o bloco e outras peças começam novamente sua jornada em Porto Feliz, mas o motor ainda passa por outras etapas fora da fábrica original. Com isso, a Toyota pretende recuperar gradualmente toda essa cadeia até 2028.

Quando a unidade estiver completa, a expectativa é voltar ao quadro de com cerca de 830 funcionários dedicados à produção de motores. Desse total, cerca de 200 trabalhadores foram transferidos para a fábrica de veículos de Sorocaba durante a reconstrução.

Toyota Corolla Altis Hybrid branco estático na rua
Toyota Corolla Altis Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

Desta forma, conforme essas pessoas permanecerem na produção dos carros, a Toyota deverá abrir novas vagas para recompor parte do efetivo de Porto Feliz.

Fábrica vai voltar maior e mais resistente

A Toyota também aproveitou a necessidade de praticamente começar de novo para rever o projeto da fábrica. Segundo Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil, a área construída vai crescer para preparar Porto Feliz para um volume maior no futuro. Além disso, a estrutura foi reforçada.

“Estamos aproveitando a reforma para ampliar a área construída da fábrica, nos preparando para demandas futuras e também estamos reforçando a construção, que atualmente é 45% mais forte que a anterior, graças ao uso de colunas metálicas, que são mais resistentes do que as de concreto, entre outras melhorias”, explicou o executivo.

A fundição também recebeu equipamentos novos. Entre eles estão os fornos de baixa pressão usados na fabricação dos cabeçotes, já que os antigos ficaram inutilizados depois do temporal.

Toyota Corolla Cross XRX Hybrid estático
Toyota Corolla Cross XRX Hybrid [Auto+/Luiz Forelli]

Na ocasião, a interrupção de energia fez o alumínio presente nos equipamentos solidificar. Segundo a Toyota, a substituição desses fornos já estava nos planos da fábrica, mas o acidente acabou antecipando o investimento.

Motor 1.5 ainda cria um problema para a Toyota

Com Porto Feliz voltando aos poucos, aparece agora uma situação curiosa. Tirar as máquinas da fábrica destruída e colocá-las no galpão temporário foi difícil, mas levar tudo de volta também não será simples.A linha do motor 2.0 deve retornar para Porto Feliz. Já o futuro da produção do 1.5 ainda está em estudo, segundo informações levantadas pelo Autoesporte.

O motivo é justamente aquilo que tornou essa operação tão complicada desde o começo: não existe outra fábrica capaz de substituir imediatamente essa linha. Parar os equipamentos para fazer a mudança significaria também interromper o abastecimento do Yaris Cross.

“Para transferir a linha de motores 1.5 atualmente para Porto Feliz, uma paralisação de produção será necessária e não temos como receber a ajuda de nenhum outro mercado”, explicou Paulino.

Toyota Yaris Cross na fábrica da Toyota em Sorocaba (SP)
Toyota Yaris Cross [Divulgação]

Por isso, a Toyota analisa alguns caminhos, como aumentar previamente a produção, formar um estoque de motores e só então parar a linha para transferir os equipamentos. Ou outra possibilidade seria simplesmente deixar o 1.5 no galpão provisório por mais tempo e devolver a Porto Feliz apenas a produção do 2.0.

Fábrica provisória ainda pode continuar

Essa segunda opção também é possível porque a Toyota não precisa necessariamente devolver todo o imóvel de uma vez. Os 45 mil m2 usados atualmente estão divididos em nove módulos independentes.

Assim, conforme parte da produção deixar o DVR, a fabricante pode devolver alguns módulos e reduzir o tamanho da operação provisória sem abandoná-la completamente. Ocontrato atual vai até outubro de 2028 e poderá ser reorganizado depois disso.

Até lá, porém, a Toyota tem uma meta bem maior para Porto Feliz. Quando toda a reconstrução estiver terminada, a intenção é alcançar uma capacidade de aproximadamente 700 motores por dia no Brasil. Desse total, cerca de 400 seriam da família 1.5 e outros 300 do 2.0.

E você, imaginava que a Toyota fez todo esse processo burocrático? Deixe seu comentário!

1 comentário em “Toyota reabre fábrica de motores um ano após destruição por temporal”

  1. Maurício

    A Toyota sempre surpreendendo positivamente. Parabéns

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar