Ao vivo
Home » Novidades » Toyota vai gastar uma fortuna para fabricar carros com menos trabalhadores

Novidades

R$ 33 bilhões

Toyota vai gastar uma fortuna para fabricar carros com menos trabalhadores

Plano em estudo prevê cerca de 400 mil robôs a partir de 2028 para modernizar linhas, automatizar logística e enfrentar falta de mão de obra

5 min de leitura

A Toyota está preste a gastar uma bela fortuna para mudar a forma como irá fabricar seus carros. A maior montadora do mundo estima que a modernização de suas fábricas poderá exigir 1 trilhão de ienes por ano a partir de 2028 (R$ 33 bilhões). O dinheiro iria principalmente para automação e uma presença muito maior de robôs dentro das linhas de produção. 

Segundo informações da Reuters, a estimativa foi apresentada pela Toyota a investidores no começo de setembro e não envolve somente as fábricas que levam o nome da marca. A conta também considera empresas do grupo e grandes fornecedores, o que explica esse número tão grande também. 

Ainda assim, a fabricante não confirmou que todo esse valor será necessariamente investido, nem por quantos anos esse ritmo poderia continuar. Ou seja, ainda não estamos diante de um cheque de R$ 33 bilhões já assinado para cada ano. É uma projeção de quanto custaria levar a automação ao patamar que a Toyota entende como necessário nos próximos anos.

Toyota fala em 400 mil robôs

Fábrica da Toyota no Japão
Fábrica da Toyota no Japão [Divulgação]

Nas contas apresentadas aos investidores, seriam necessários aproximadamente 400 mil robôs para colocar essa transformação em prática. Entretanto, isso não significa simplesmente espalhar 400 mil máquinas novas pelas fábricas.

Parte delas substituiria equipamentos que já trabalham hoje nas linhas, enquanto outra parcela aumentaria de fato o nível de automação. Além disso, a Toyota considera tanto robôs industriais tradicionais quanto máquinas humanoides e outros formatos desenvolvidos para funções específicas. 

Assim, portanto, vai muito além daquele braço robótico que solda uma carroceria praticamente no mesmo ponto há décadas. O plano também inclui automatizar ainda mais a movimentação de peças e componentes dentro das plantas, ampliar o uso de robôs nos processos industriais e, principalmente, preparar um cenário em que pessoas e máquinas consigam trabalhar lado a lado em mais etapas da produção.

Isso significa fábricas com menos trabalhadores?

Fábrica da Toyota no Japão
Fábrica da Toyota no Japão [Divulgação]

Em algumas funções, provavelmente significa menos dependência de trabalho humano. Todavia, a Toyota não anunciou quantos empregos poderiam desaparecer, tampouco apresentou uma meta de redução da força de trabalho. A lógica apresentada aos investidores está ligada também à dificuldade de encontrar mão de obra suficiente para determinadas funções e à necessidade de modernizar fábricas antigas. 

Com isso, a empresa quer conseguir produzir mais etapas automaticamente, deixando tarefas repetitivas, pesadas ou de movimentação para máquinas. Ao mesmo tempo, pessoas continuam necessárias em manutenção, controle de qualidade, programação, desenvolvimento e justamente na supervisão desses sistemas.

Só que, naturalmente, quanto mais partes da montagem uma fábrica consegue automatizar, menor fica sua dependência de contratar grandes contingentes para fazer tais funções. E isso, claro, pode ser uma vantagem importante.

Chinesas colocaram eficiência no centro da disputa

Fábrica da BYD na China
Fábrica da BYD na China [Divulgação]

Nos últimos anos, a guerra entre as montadoras deixou de acontecer somente na concessionária. Antes de pensar no preço final do carro, existe uma batalha enorme para baixar o custo de construí-lo. É por isso que automação voltou ao centro da indústria.

As fabricantes chinesas avançaram rapidamente com novas plantas de produção, cadeias de fornecedores bastante pertos das fábricas e ciclos rapidíssimos, graças também a automação. Ao mesmo tempo, empresas tradicionais precisam modernizar estruturas que, em alguns casos, foram construídas décadas atrás.

A própria Toyota passa por essa questão enquanto tenta defender sua escala global e, principalmente, ganhar eficiência em mercados onde a concorrência ficou muito mais apertada. E os investidores já perceberam que existe outra possibilidade aí: robótica pode deixar de ser apenas uma ferramenta para fabricar Toyota e virar uma área tecnológica importante dentro do próprio grupo.

Fábrica da Toyota em Indaiatuba
Fábrica da Toyota em Indaiatuba [Divulgação]

Analistas do Bernstein citados pela Reuters resumiram essa expectativa: “Esperamos que anúncios relacionados à robótica se tornem mais frequentes à medida que a Toyota acelera seus esforços”. Segundo os analistas, esse avanço também pode fazer o mercado enxergar melhor o potencial da Toyota em negócios que vão além da fabricação tradicional de automóveis. 

E a Toyota não está sozinha

Na verdade, essa corrida já começou entre algumas das maiores fabricantes do mundo. A Hyundai, por exemplo, controla a Boston Dynamics, empresa conhecida justamente pelo desenvolvimento de robôs avançados. O grupo sul-coreano já anunciou que pretende começar a colocar robôs humanoides em sua fábrica da Geórgia, nos Estados Unidos, a partir de 2028. 

Coincidentemente, é o mesmo ano a partir do qual a Toyota calcula que seu gasto anual com automação poderá chegar a 1 trilhão de ienes. A Hyundai também prepara capacidade para fabricar 30 mil robôs por ano até 2028, mostrando que a discussão já saiu da fase de demonstrações curiosas em feiras de tecnologia. 

E você, acha que esse é o caminho certo para ficar tão competitiva como as chinesas? Deixe seu comentário! 

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar