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Vetorização de torque, o que é e por que ela muda a dirigibilidade do carro

O sistema distribui a força do motor entre as rodas para melhorar estabilidade, tração e precisão ao dirigir

4 min de leitura

A vetorização de torque, ou torque vectoring, é uma tecnologia que está presente em diversos carros e muitos não sabem o que ela faz. Basicamente ela controla de maneira ativa quanto de força cada roda recebe. Em vez de dividir o torque de forma igual ou simplesmente mandar força para a roda que está mais leve, o sistema decide, em frações de segundo, qual roda deve receber mais ou menos torque.

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O objetivo é fazer o carro virar melhor, ficar mais preciso, especialmente na chuva, acelerar com mais competência e manter estabilidade mesmo quando o limite de aderência se aproxima.

O que muda na prática

Em um carro comum, com diferencial aberto tradicional, a força do motor tende a ir para a roda que oferece menos resistência. Se uma roda começa a patinar, é por ela que o torque escapa. O resultado é perda de tração e desperdício de força.

Com vetorização de torque, o carro faz o oposto. Ele envia mais força para a roda que tem mais aderência. Em curvas, isso normalmente significa mandar mais torque para a roda externa, que está mais carregada e com maior contato com o solo.

Na prática, o carro parece apontar melhor para dentro da curva. O volante responde com mais precisão e o subesterço, quando o carro sai de frente mesmo com o volante virado, diminui de forma clara.

Ford Focus ST 2022 [divulgação]
Ford Focus ST 2022 [divulgação]

Em pisos molhados, com areia ou lama, o sistema também ajuda. Se uma roda começa a girar em falso, o torque é redirecionado para a que ainda tem grip, deixando o carro em movimento.

Diferença em relação ao controle de estabilidade

Muitas pessoas confundem vetorização de torque com controle de estabilidade. Eles trabalham juntos, mas não são a mesma coisa.

Novo Audi Q3 Sportback branco de traseira em movimento na estrada
Novo Audi Q3 Sportback [Divulgação]

O controle de estabilidade entra em ação quando detecta que o carro já está saindo da trajetória. Ele pode cortar potência do motor e aplicar freio em rodas específicas para corrigir a trajetória. É uma atuação corretiva.

A vetorização de torque age de forma mais preventiva e contínua. Ela ajusta a distribuição de força antes que a situação saia do controle. Em vez de simplesmente frear e reduzir potência, ela usa a própria força do motor para ajudar o carro a virar.

Vetorização em carros elétricos

Novo Porsche Macan GTS elétrico vermelho de traseira andando na pista
Porsche Macan GTS elétrico [Divulgação]

Nos carros elétricos mais tecnológicos, o conceito é outro. Alguns modelos usam dois motores no mesmo eixo, um para cada roda. Não existe ligação mecânica direta entre elas. O controle acontece por software, que ajusta a corrente elétrica de cada motor individualmente.

Enquanto a roda externa pode receber força máxima, a interna pode até entrar em frenagem regenerativa. A resposta acontece em milissegundos , e por isso é o tipo de controle mais preciso que existe hoje.

Com e sem vetorização, o que muda

Toyota GR Yaris vermelho visto lateralmente
Toyota GR Yaris [Divulgação]

Com vetorização de torque, o carro entra na curva com mais naturalidade, transmite melhor a força para o chão e reage de forma mais previsível.

Sem ela, o carro tende a sair de frente quando exigido. Em situações de baixa aderência, a força se concentra na roda que está patinando. O controle de estabilidade precisa intervir com mais frequência, cortando potência e freando rodas para conter a situação.

Acura Integra [divulgação]
Acura Integra [divulgação]

No dia a dia, a diferença pode parecer sutil. Mas quando a velocidade aumenta, ainda mais na curva, ou o piso piora, o comportamento muda nitidamente ao dirigir com um carro com vetorização de torque e outro sem.

Onde essa tecnologia está presente

A vetorização começou em esportivos de alto desempenho, mas hoje aparece em SUVs, sedãs médios e até hatches. Nos elétricos, é algo quase natural da arquitetura com motores independentes.

Você já dirigiu um carro com vetorização de torque e percebeu essa diferença na prática? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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