A Chery continua aumentando sua expansão global e, agora, decidiu entrar em um dos mercados mais difíceis do mundo para fabricantes estrangeiras. A marca chinesa participará de um novo projeto voltado aos kei cars elétricos no Japão, segmento que há décadas é dominado por fabricantes locais como Suzuki, Daihatsu (Toyota) e Honda.
A iniciativa acontecerá por meio da Emta, uma nova empresa criada para desenvolver veículos elétricos compactos destinados ao mercado japonês.
O que é a Emta e quem está por trás do projeto
A Emta surgiu a partir de uma aliança internacional formada por cinco empresas. Além da Chery, o grupo reúne a chinesa Jiangsu Yueda Automobile Group, a rede japonesa Autobacs Seven, a fabricante de baterias Gotion e a empresa japonesa Anest Iwata.

O nome Emta vem da expressão Easy, Made To All, algo como “fácil, feito para todos”. O objetivo é desenvolver uma nova geração de carros elétricos compactos para o mercado japonês, aproveitando a experiência industrial chinesa e o conhecimento local das empresas japonesas.
Além disso, a companhia montou uma equipe de executivos com passagem por montadoras tradicionais do Japão. Entre eles estão profissionais que já trabalharam em Honda, Mazda e Nissan.

A liderança ficará nas mãos de He Xiaoqing, executivo que acumula passagens por Changan Ford, SAIC e também pela própria Chery.
Primeiro modelo chegará em 2027
O primeiro produto da nova marca será o Emta #01, um hatchback elétrico compacto que deve chegar ao mercado durante o segundo semestre de 2027.

Pelas imagens divulgadas, o modelo aposta em linhas retas e visual bastante funcional, algo muito comum entre os kei cars japoneses. A dianteira fechada, típica de veículos elétricos, recebe assinatura luminosa em LED, enquanto as portas traseiras corrediças ajudam a facilitar o acesso à cabine.
Essa solução costuma ser bastante valorizada no Japão, principalmente em grandes centros urbanos, onde vagas de estacionamento e ruas estreitas fazem parte do dia a dia dos motoristas.

O Emta #01 terá aproximadamente 3,4 metros de comprimento. A medida o coloca no mesmo território de diversos microcarros chineses. Embora a fabricante ainda não tenha divulgado números de potência, autonomia ou desempenho, a expectativa é que o veículo utilize uma plataforma da Chery combinada com baterias fornecidas pela Gotion.
Ao mesmo tempo, a empresa promete equipar o modelo com recursos modernos de conectividade, central multimídia atualizada e pacote de assistência à condução de nível 2.
Produção será chinesa, mas foco está no consumidor japonês

Diferentemente de fabricantes locais, a Emta pretende produzir seus veículos na China e exportá-los para o Japão. A distribuição ficará sob responsabilidade da Autobacs Seven, uma das maiores redes automotivas japonesas.
Outro ponto importante é o preço. Segundo os responsáveis pelo projeto, a meta é posicionar o Emta #01 próximo dos valores cobrados pelos kei cars equipados com motores a combustão. Caso consiga cumprir essa promessa, a nova marca poderá se tornar uma alternativa muito interessante para consumidores que querem migrar para veículos elétricos sem pagar muito mais por isso.
Desafiar um dos maiores símbolos da indústria

Durante décadas, os kei cars foram praticamente um território exclusivo das fabricantes japonesas. No entanto, esse cenário começou a mudar recentemente. A própria BYD já anunciou sua entrada nesse segmento com o Racco, um pequeno elétrico desenvolvido especificamente para atender às exigências da categoria japonesa.
Com a chegada do Emta #01, o mercado passará a contar com dois representantes chineses disputando espaço em um segmento historicamente controlado pela Suzuki e outras locais.
E você, acredita que os carros chineses conseguirão conquistar também os consumidores japoneses? Deixe seu comentário!



