O lançamento do ID.Polo e do ID.Cross fez muita gente pensar que eles conviveriam pacificamente com Polo e T-Cross, tal qual Golf e ID.3 vivem juntos sem briga. Mas essa não é bem a realidade nos corredores de Wolfsburg. Agora, a Volkswagen pretende matar seus compactos de entrada a combustão… se o Brasil deixar.
Volkswagen planeja reduzir a linha de produtos até 2035
Durante o Salão de Paris, Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, conversou com a revista Autocar e revelou o fim de Polo e T-Cross. Segundo o executivo, a previsão de encerramento dos motores a combustão na Europa em 2035 também afetará os modelos compactos da marca. Ele explicou que, depois desse prazo, a Volkswagen não terá mais Polo e ID.Polo ou T-Cross e ID.Cross, o que levará a uma redução do portfólio.
Ou seja, o executivo deixou claro que o futuro dos dois compactos vendidos no Brasil pode se limitar à família ID, como já começou a acontecer. Schäfer também descreveu o movimento como uma transição natural e uma reorganização do portfólio em favor dos produtos mais lucrativos.

Brasil pode assumir o desenvolvimento de Polo e T-Cross
A grande questão é que T-Cross e Polo podem deixar de ser produtos globais e se tornar modelos regionais. A Europa deixaria de desenvolvê-los, transferindo às filiais locais a responsabilidade de criar as novas gerações. Como o T-Cross é extremamente importante para as Américas e para a Índia, o Brasil pode assumir a dianteira nesse processo.
Já no caso do Polo, a própria Volkswagen vem desenhando o caminho para sua sucessão. Apesar de ser um SUV subcompacto, o Tera já cumpre, de certa forma, o papel para o qual o Polo foi concebido. Hoje, a versão Track responde por boa parte das vendas do hatch, e nada impede que a Volkswagen lance futuramente um Tera Track para substituí-lo de vez.

Volkswagen quer reduzir o portfólio pela metade
Essa reorganização também afetará outras marcas do Grupo Volkswagen. Schäfer explicou que a empresa trabalhou no portfólio ideal para 2035 e definiu seu tamanho. Depois, fez o mesmo com a Skoda e a Cupra. Com tudo alinhado, chegou a uma linha de produtos que representa metade da atual.
Ou seja, a Volkswagen quer evitar que suas marcas disputem clientes entre si com modelos redundantes. A ideia é adotar uma estratégia parecida com a da Stellantis no Brasil, em que uma marca complementa o portfólio da outra.

Um exemplo é o futuro ID.up!, que não terá um equivalente da Skoda, da Cupra ou da Seat: será um modelo exclusivo da Volkswagen.
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