O Auto+ revelou com exclusividade nesta semana que a Citroën lançará o Aircross 1.3 Firefly no Brasil. Contudo, o público questionou bastante o fato de o modelo contar apenas com transmissão manual nesse primeiro momento. A explicação reside no fato de que a Stellantis ainda finaliza o desenvolvimento de um novo motor aspirado semi-híbrido para o mercado brasileiro.
Como parte da estratégia Bio-Hybrid da Stellantis em nosso país, o grupo eletrificará seus principais motores com o objetivo de extrair mais força e reduzir a poluição. Com isso, a engenharia de Betim já trabalha na eletrificação do motor 1.3 Firefly quatro cilindros aspirado. Só que a eletricidade acompanhará o propulsor apenas quando este operar em conjunto com o câmbio CVT.
Motor aspirado + elétrico
O sistema semi-híbrido que equipará o motor 1.3 Firefly segue rigorosamente o mesmo padrão do 1.0 turbo. A Stellantis substituirá o alternador e o motor de partida por um pequeno motor elétrico. Este motor elétrico não traciona as rodas sozinho, por isso a não é possível chamar esse carro de híbrido. Ciente disso, a Stellantis lançará o motor com a sigla MHEV e não mais como Hybrid, como faz hoje com o 1.0 turbo semi-híbrido.

Uma bateria de 12V, instalada debaixo do banco dianteiro, alimenta esse pequeno motor elétrico. Trata-se de um sistema simples, mas de grande efeito, visto que ele auxilia o motor a combustão e consegue render alguns cavalos extras, além de uma dose adicional de torque. Atualmente, o motor 1.3 Firefly entrega 107 cv e 13,7 kgfm de torque. No passado, esse motor chegou a render 109 cv e 14,2 kgfm, mas as normas de emissões reduziram seus números. Com a eletrificação parcial, o conjunto pode retomar ou até superar esses índices.
Somente com câmbio automático
Enquanto na Europa a Stellantis associa os motores semi-híbridos à transmissão manual, o câmbio automático domina o mercado brasileiro. Como o time de engenharia já desenvolveu todo o sistema 12V associado à transmissão automática do tipo CVT, este será o layout padrão nos novos modelos semi-híbridos.

A grande questão agora envolve a adequação de plataforma. Segundo fontes ouvidas pelo Auto+, a plataforma CMP do Peugeot 208 e do 2008, além da Smart Car dos Citroën C3, Aircross e Basalt, presente também nos futuros Fiat (novo Argo / novo Uno / Grande Panda, Fastback, Pulse e Strada) são as únicas compatíveis com o sistema. Ou seja, o atual Fiat Pulse não receberá o 1.3 MHEV.
Contudo, a base precisa de adaptações e adequações para receber esse motor. A engenharia concebeu a plataforma originalmente para receber apenas motores de três cilindros. Por isso, a combinação do câmbio CVT com o 1.3 Firefly e o sistema elétrico exige grande esforço da engenharia de Betim.

Entretanto, como o Brasil lidera o desenvolvimento da plataforma Smart Car, o time nacional possui autonomia para realizar as mudanças necessárias para o encaixe do motor. Temos liberdade para fazer essas alterações sem depender da aprovação da Europa, ao contrário do que ocorre com a CMP do Peugeot 208, que também passará por alterações.
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