Fazer uma expedição precisa de preparo, e não é todo carro que passa por isso, nem os que dizem ser 4×4. Precisa ter uma robustez mecânica, tração forte, capacidade de carga e facilidade de reparo longe da concessionária. Por isso precisa saber escolher direito.
De um SUV raiz com chassi sobre longarina a um mini jipe leve que passa onde ninguém passa, o Auto+ reuniu cinco carros que aguentam poeira, lama, pedra e qualquer coisa a mais.
Mitsubishi Pajero Dakar

O Mitsubishi Pajero Dakar nasceu da base da L200 Triton e por isso usa chassi sobre carroceria, eixo rígido traseiro e mecânica compartilhada com a picape nacional, coisas que já explicam metade da fama.
Na versão 3.5 V6 flex, última vendida no Brasil até 2015, entrega 200/205 cv e 31,5/33,5 kgfm, sempre com câmbio automático de quatro marchas com carga útil em torno de 600 kg. Para quem pensa em expedição longa, é muito bem comentado o motor 3.2 diesel 4M41.

Ele rende 165 cv nos modelos mais antigos e 180 cv nos últimos anos, com 38,1 kgfm a 2.000 rpm. É dito que ele passa dos 300 mil km sem abrir o motor quando bem mantido, além da transmissão que pode ser automática de quatro ou cinco marchas, dependendo do ano.
O grande pulo do gato é o sistema Super Select 4WD que permite rodar em 4×4 até no asfalto seco, graças ao diferencial central livre. Em piso molhado ou cascalho, isso ajuda na segurança. Além disso, o chassi aguenta pancada de estrada ruim.

O porta-malas tem 450 litros com cinco lugares em uso. Em expedição, isso facilita organizar caixas, ferramentas, soma-se isso a ampla oferta de peças no Brasil, já que compartilha suspensão e diversos componentes com a L200.
Land Rover Defender 110

O Land Rover Defender 110 é o sonho de muitas pessoas que vivem de mapa e bússola. Em 2001, o motor mais comum era o Td5, sucessor do 300Tdi. Esse cinco cilindros rende 122 cv a 4.200 rpm e 29,6 kgfm a 1.950 rpm.
A tração é 4×4 permanente, com bloqueio do diferencial central e reduzida. A capacidade de reboque chega a 3.500 kg com freio, e a carga útil pode encostar nos 1.000 kg, dependendo da configuração.

A construção mistura carroceria de alumínio sobre chassi de aço em escada. O alumínio não enferruja, mas o chassi precisa ter atenção em regiões litorâneas. Em compensação, a arquitetura simples ajuda muito em reparos no campo.
Os ângulos de entrada e saída são excelentes, com cerca de 50º na frente e 35º atrás. Os eixos rígidos com molas helicoidais permitem também articulação absurda em trilhas técnicas.

Obviamente ele não foi pensado para conforto, pois a posição de dirigir é apertada e a embreagem é pesada. Por outro lado, o formato quadrado facilita montar gavetas, armários e até uma mini casa sobre rodas.
O ponto de atenção está no chicote de injeção do Td5, que pode levar óleo até a central eletrônica, e no sistema de arrefecimento. Resolvido isso, é um jipe que encara qualquer continente.
Toyota Bandeirante

O Toyota Bandeirante foi feito para trabalhar e sobreviver. Por isso virou lenda no off-road brasileiro. Os modelos mais desejados para expedição são os pós-1994, com motor Toyota 14B 3.7 diesel aspirado. Ele rende 96 cv a 3.400 rpm e 24,4 kgfm a 2.200 rpm.
Não corre e mantém a velocidade de cruzeiro entre 90 e 100 km/h, mas entrega torque em baixa rotação e confiabilidade mecânica quase absoluta.

A carga útil varia entre 1.000 kg e 1.200 kg, dependendo da carroceria. O câmbio de cinco marchas é ótimo em viagens, já que as antigas de quatro marchas trabalham sempre em giro alto na estrada.
A construção é também bem simples, com chassi de aço maciço, carroceria de aço e quase nenhuma eletrônica. A suspensão usa feixe de molas, o que significa robustez e pouca conforto, claro. Ela vazia, pula bastante, já carregada, assenta melhor.

Um dos trunfos é o eixo flutuante traseiro. Se uma ponta de eixo quebrar, a roda não se solta. Em emergência, ainda é possível rodar apenas com a tração dianteira. E o bom dessa simplicidade mecânica é que qualquer mecânico acostumado com trator ou caminhão antigo resolve o problema no interior do país.
Troller T4

O Troller T4 consolidou a marca ex-Ford como referência em trilhas pesadas. A carroceria em compósito não enferruja, o que é uma vantagem muito boa em regiões litorâneas.
A fase mais desejada para expedições é a com motor 3.2 Duratorq, de origem Ford. Ele entrega 200 cv a 3.000 rpm e 47,9 kgfm entre 1.750. O modelo pode vir com câmbio manual de seis marchas ou automático de seis marchas na versão TX4. A carga útil fica em torno de 423 kg.

Antes disso, houve o 3.2 MaxxForce com 165 cv e 38,8 kgfm, além do 3.0 NGD com 163 cv e 38,8 kgfm. Todos são fortes em baixa, mas o Duratorq é o mais moderno dos últimos tempos, embora os outros nao sejam ruins também.
Os ângulos de entrada e saída chegam a 51º, com capacidade de imersão de 800 mm. Em trilha pesada, ele passa por pedras, valas e lama sem precisar de preparação.
![Troller T4 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2019/10/TrollerT4_2020-6.jpg)
O problema para expedição longa é o espaço. O porta-malas tem apenas 149 litros. Na prática, muitos proprietários removem os bancos traseiros ou instalam bagageiro reforçado no teto.
Nas versões mais recentes, há ar-condicionado digital dual zone e até teto solar panorâmico. Ainda assim, a suspensão é firme e a proposta continua sendo raiz.
Suzuki Jimny Sierra

O Jimny Sierra é o menor da lista, mas não subestime. Com 108 cv a 6.000 rpm e 14,1 kgfm a 4.000 rpm no motor 1.5 aspirado, ele não impressiona em números, mas sim na prática.
Ele pesa cerca de 1.130 kg e, em lama e areia, onde picapes pesadas afundam, ele passa levemente. A tração é 4×4 com reduzida, e os ângulos são excelentes, com 37º de ataque e 49º de saída. A altura livre do solo é de 213 mm.

A carga útil é de 350 kg e o tanque tem apenas 40 litros, o que faz ser necessário planejamento e, muitas vezes, galões extras. O porta-malas oferece 85 litros com bancos levantados e 377 litros com eles rebatidos.
Há versões como a 4Expedition, já com snorkel, pneus de uso severo, rack de teto e suspensão aumentada. Outras tem seus foco mais no visual ou no uso urbano. O ponto fraco está no torque modesto e no espaço limitado. Em contrapartida, ele atravessa trilhas estreitas onde SUVs maiores nem entram. Para expedições enxutas e bem planejadas, entrega uma bela diversão.
E você, qual desses modelos já andou ou colocaria na garagem? Deixe seu comentário!




