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5 carros para encarar uma expedição de verdade sem pedir socorro

Diversos carros clássicos e ícones nacionais que oferecem tração 4x4 de verdade, robustez e capacidade de para passar longas viagens em expedição

7 min de leitura

Fazer uma expedição precisa de preparo, e não é todo carro que passa por isso, nem os que dizem ser 4×4. Precisa ter uma robustez mecânica, tração forte, capacidade de carga e facilidade de reparo longe da concessionária. Por isso precisa saber escolher direito.

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De um SUV raiz com chassi sobre longarina a um mini jipe leve que passa onde ninguém passa, o Auto+ reuniu cinco carros que aguentam poeira, lama, pedra e qualquer coisa a mais. 

Mitsubishi Pajero Dakar

Mitsubishi Pajero Dakar
Mitsubishi Pajero Dakar [Divulgação]

O Mitsubishi Pajero Dakar nasceu da base da L200 Triton e por isso usa chassi sobre carroceria, eixo rígido traseiro e mecânica compartilhada com a picape nacional, coisas que já explicam metade da fama.

Na versão 3.5 V6 flex, última vendida no Brasil até 2015, entrega 200/205 cv e 31,5/33,5 kgfm, sempre com câmbio automático de quatro marchas com carga útil em torno de 600 kg. Para quem pensa em expedição longa, é muito bem comentado o motor 3.2 diesel 4M41. 

Mitsubishi Pajero Dakar
Mitsubishi Pajero Dakar [Divulgação]

Ele rende 165 cv nos modelos mais antigos e 180 cv nos últimos anos, com 38,1 kgfm a 2.000 rpm. É dito que ele passa dos 300 mil km sem abrir o motor quando bem mantido, além da transmissão que pode ser automática de quatro ou cinco marchas, dependendo do ano.

O grande pulo do gato é o sistema Super Select 4WD que permite rodar em 4×4 até no asfalto seco, graças ao diferencial central livre. Em piso molhado ou cascalho, isso ajuda na segurança. Além disso, o chassi aguenta pancada de estrada ruim.

Mitsubishi Pajero Dakar
Mitsubishi Pajero Dakar [Divulgação]

O porta-malas tem 450 litros com cinco lugares em uso. Em expedição, isso facilita organizar caixas, ferramentas, soma-se isso a ampla oferta de peças no Brasil, já que compartilha suspensão e diversos componentes com a L200.

Land Rover Defender 110

Land Rover Defender 110
Land Rover Defender 110 [Reprodução/The Garage]

O Land Rover Defender 110 é o sonho de muitas pessoas que vivem de mapa e bússola. Em 2001, o motor mais comum era o Td5, sucessor do 300Tdi. Esse cinco cilindros rende 122 cv a 4.200 rpm e 29,6 kgfm a 1.950 rpm. 

A tração é 4×4 permanente, com bloqueio do diferencial central e reduzida. A capacidade de reboque chega a 3.500 kg com freio, e a carga útil pode encostar nos 1.000 kg, dependendo da configuração.

Land Rover Defender 110
Land Rover Defender 110 [Reprodução/The Garage]

A construção mistura carroceria de alumínio sobre chassi de aço em escada. O alumínio não enferruja, mas o chassi precisa ter atenção em regiões litorâneas. Em compensação, a arquitetura simples ajuda muito em reparos no campo.

Os ângulos de entrada e saída são excelentes, com cerca de 50º na frente e 35º atrás. Os eixos rígidos com molas helicoidais permitem também articulação absurda em trilhas técnicas.

Land Rover Defender 110
Land Rover Defender 110 [Reprodução/The Garage]

Obviamente ele não foi pensado para conforto, pois a posição de dirigir é apertada e a embreagem é pesada. Por outro lado, o formato quadrado facilita montar gavetas, armários e até uma mini casa sobre rodas.

O ponto de atenção está no chicote de injeção do Td5, que pode levar óleo até a central eletrônica, e no sistema de arrefecimento. Resolvido isso, é um jipe que encara qualquer continente.

Toyota Bandeirante

Toyota Bandeirante
Toyota Bandeirante [Reprodução/The Garage]

O Toyota Bandeirante foi feito para trabalhar e sobreviver. Por isso virou lenda no off-road brasileiro. Os modelos mais desejados para expedição são os pós-1994, com motor Toyota 14B 3.7 diesel aspirado. Ele rende 96 cv a 3.400 rpm e 24,4 kgfm a 2.200 rpm. 

Não corre e mantém a velocidade de cruzeiro entre 90 e 100 km/h, mas entrega torque em baixa rotação e confiabilidade mecânica quase absoluta.

Toyota Bandeirante
Toyota Bandeirante [Reprodução/The Garage]

A carga útil varia entre 1.000 kg e 1.200 kg, dependendo da carroceria. O câmbio de cinco marchas é ótimo em viagens, já que as antigas de quatro marchas trabalham sempre em giro alto na estrada.

A construção é também bem simples, com chassi de aço maciço, carroceria de aço e quase nenhuma eletrônica. A suspensão usa feixe de molas, o que significa robustez e pouca conforto, claro. Ela vazia, pula bastante, já carregada, assenta melhor.

Toyota Bandeirante
Toyota Bandeirante [Reprodução/The Garage]

Um dos trunfos é o eixo flutuante traseiro. Se uma ponta de eixo quebrar, a roda não se solta. Em emergência, ainda é possível rodar apenas com a tração dianteira. E o bom dessa simplicidade mecânica é que qualquer mecânico acostumado com trator ou caminhão antigo resolve o problema no interior do país. 

Troller T4

Troller T4 2020 [Divulgação]

O Troller T4 consolidou a marca ex-Ford como referência em trilhas pesadas. A carroceria em compósito não enferruja, o que é uma vantagem muito boa em regiões litorâneas.

A fase mais desejada para expedições é a com motor 3.2 Duratorq, de origem Ford. Ele entrega 200 cv a 3.000 rpm e 47,9 kgfm entre 1.750. O modelo pode vir com câmbio manual de seis marchas ou automático de seis marchas na versão TX4. A carga útil fica em torno de 423 kg.

Troller T4 2019 [Divulgação]

Antes disso, houve o 3.2 MaxxForce com 165 cv e 38,8 kgfm, além do 3.0 NGD com 163 cv e 38,8 kgfm. Todos são fortes em baixa, mas o Duratorq é o mais moderno dos últimos tempos, embora os outros nao sejam ruins também.

Os ângulos de entrada e saída chegam a 51º, com capacidade de imersão de 800 mm. Em trilha pesada, ele passa por pedras, valas e lama sem precisar de preparação.

Troller T4 [divulgação]
Troller T4 [Divulgação]

O problema para expedição longa é o espaço. O porta-malas tem apenas 149 litros. Na prática, muitos proprietários removem os bancos traseiros ou instalam bagageiro reforçado no teto.

Nas versões mais recentes, há ar-condicionado digital dual zone e até teto solar panorâmico. Ainda assim, a suspensão é firme e a proposta continua sendo raiz. 

Suzuki Jimny Sierra

Suzuki Jimny Sierra [Divulgação]

O Jimny Sierra é o menor da lista, mas não subestime. Com 108 cv a 6.000 rpm e 14,1 kgfm a 4.000 rpm no motor 1.5 aspirado, ele não impressiona em números, mas sim na prática.

Ele pesa cerca de 1.130 kg e, em lama e areia, onde picapes pesadas afundam, ele passa levemente. A tração é 4×4 com reduzida, e os ângulos são excelentes, com 37º de ataque e 49º de saída. A altura livre do solo é de 213 mm.

Suzuki Jimny Sierra [Divulgação]

A carga útil é de 350 kg e o tanque tem apenas 40 litros, o que faz ser necessário planejamento e, muitas vezes, galões extras. O porta-malas oferece 85 litros com bancos levantados e 377 litros com eles rebatidos.

Há versões como a 4Expedition, já com snorkel, pneus de uso severo, rack de teto e suspensão aumentada. Outras tem seus foco mais no visual ou no uso urbano. O ponto fraco está no torque modesto e no espaço limitado. Em contrapartida, ele atravessa trilhas estreitas onde SUVs maiores nem entram. Para expedições enxutas e bem planejadas, entrega uma bela diversão.

E você, qual desses modelos já andou ou colocaria na garagem? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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