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Ford Mustang Dark Horse é como a música de Katy Perry | Avaliação

Além do mesmo nome, Dark Horse de Katy Perry e a única versão do Ford Mustang no Brasil têm melodia afinadíssima

9 min de leitura

O Ford Mustang mantém o posto de carro esportivo mais vendido do mundo há muito tempo. O modelo é reconhecido pela sonoridade incomparável de seu V8 e a possibilidade de ser usado no dia a dia tranquilamente. Além disso, de uns tempos para cá, o tempero europeu também fez dele um bom carro de curvas.

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Entretanto, a versão Dark Horse foi para outro nível. E, como diz a música Dark Horse de Katy Perry, o Ford Mustang Dark Horse faz você se apaixonar quando o conhece. De fato, não é só a cantora e a marca norte-americana que estão mexendo com mágica.

Fica a dúvida se essa versão de R$ 649.000 é capaz de conquistar o brasileiro como Katy Perry reinou em seu Egito imaginário. Certamente, a experiência começa pela audição, um dos pontos mais fortes deste ícone norte-americano que desembarcou em solo nacional.

Ford Mustang Dark Horse vermelho de traseira
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

O som de um V8

Tal qual os graves de Dark Horse parecem sincronizar com as batidas do seu coração em volumes altos, o Ford Mustang tem um dos sons automotivos mais bonitos. Inclusive, o sistema de escape conta com quatro modos de atuação: silencioso, normal, esportivo e pista.

Deveria ser considerado crime usar o esportivo em modo silencioso porque o ronco do Coyote 5.0 V8 é uma obra de arte. Por mais que a Ford recomende usar o modo pista somente em circuitos, não teve um dia que não liguei o Mustang nesse modo.

motor v8 ford mustang dark horse
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Desculpem, vizinhos, mas o ronco disparou o alarme de dois carros durante os testes. E ele não é bonito somente de ouvir, mas também de andar. Atualmente, o modelo entrega 507 cv e 57,8 kgfm de torque, superando a versão GT anterior.

É rápido como um elétrico?

Mesmo em um mundo em que nos acostumamos à velocidade instantânea dos elétricos, o Mustang entrega algo muito semelhante. Prova disso é que ele precisa só de 3,7 segundos para chegar aos 100 km/h e o faz com uma cantoria maravilhosa.

Ford Mustang Dark Horse [vermelho de frente
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

As retomadas também são muito rápidas, graças ao bom trabalho de gerenciamento da transmissão automática de dez velocidades. E sim, trata-se do mesmo câmbio usado por modelos como Ranger e F-150. Dirigindo na boa, o Ford Mustang engole suavemente cada marcha.

Já com o pé no porão, é como se o Mustang perguntasse como você se atreve a isso e te devolvesse cada troca como uma patada de um cavalo negro. O giro sobe muito rápido e o câmbio se transforma para entregar esportividade máxima.

Ford Mustang Dark Horse vermelho de traseira
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Mas o consumo é mais alto do que as oferendas dos súditos de Katy Perry no clipe. Oficialmente, ele faz 6,3 km/l na cidade e 8,8 km/l na estrada. Contudo, durante nossos testes ele não passou de 4,8 km/l na cidade e 7,3 km/l na estrada.

Com o tanque de 60 litros, é capaz de você esgotar o combustível antes de escutar o álbum Prism da cantora por inteiro. Se os muscle-cars nunca foram bons de curva, a história mudou desde que o Mustang aprendeu boas maneiras na Europa.

Ford Mustang Dark Horse vermelho de frente
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Sabor Europa

O modelo voltou outro após essa escola europeia e isso ficou ainda mais afiado no Dark Horse. É nítido que a tempestade perfeita se formou no modelo a ponto de parecer mágica, mas trata-se de engenharia pura e aplicada.

A suspensão traseira multilink, junto dos ajustes feitos para a versão Dark Horse, o tornaram muito seguro em curvas fortes. Enquanto seus antigos rivais tinham a traseira alegre até demais, o Mustang consegue andar em uma estrada sinuosa com compostura exemplar.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Se você quiser provocar ou fazer a traseira deslizar, ele deixa dentro de um limite seguro. Mas, se estiver a fim de queimar pneu, o freio de estacionamento eletrônico conta com modo drift. Ele permite travar levemente o eixo traseiro para deslizar de lado.

Modo drift

E, se quiser aquecer a borracha, basta ficar em drive pressionando os dois pedais ao mesmo tempo. Só que mesmo com esse controle todo, o Ford Mustang é muito usável no dia a dia brasileiro. O muscle-car está em um patamar de conforto superior a outros rivais.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Ele se sai melhor que o Mini Cooper JCW e o Porsche Taycan Turbo GT, que se tornam irritantes para a convivência diária. A situação fica especialmente evidente se você passa por ruas paralelepípedas como eu passo todo dia.

O único ponto em que ele vacila é no fato de que a dianteira é muito bicuda e raspa em lombadas e valetas. O fato de não ter sensor de estacionamento dianteiro ainda atrapalha muito na hora da manobra. Já a direção é uma surpresa.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Quer ela bem macia e fácil de manobrar? Coloque no modo conforto. Quer uma tocada coerente com o carro? Basta deixar no modo normal. Quer dirigir igual a um maluco e sentir o Mustang na mão? Conte com o modo Sport.

Cuidado com os detalhes

Um lugar em que a Ford tem colocado cada vez mais cuidado em seus carros é no interior. Ele tem boas porções de couro macio no painel e portas, além de usar o revestimento no console central de maneira rígida.

interior Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
interior Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Há também material macio na parte superior do painel e portas, que ainda recebem couro e alcantara. Há plástico, mas em sua maioria texturizado para lembrar fibra de carbono rústica. Toda montagem é muito bem feita e possui ergonomia excelente.

Ergonomia boa

Por mais que os comandos do ar-condicionado fiquem na central multimídia, eles estão ao alcance fácil do motorista. Exceto o recirculador de ar que fica em um submenu. Há comandos físicos na parte inferior do console para volume e atalhos rápidos.

interior Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
interior Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

O painel de instrumentos totalmente digital é o detalhe mais legal. Ele conta com diversos layouts, incluindo variantes que replicam os mostradores do Mustang clássico dos anos 1960, o Fox Body dos anos 1980 e o SVT Cobra dos anos 1990.

A tela tem excelente definição e é muito fácil de usar, assim como a central multimídia integrada. Há Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além do sistema de som Bang & Olufsen, perfeito para escutar Katy Perry no último volume.

Menor que um Mini Cooper

Mas o Ford Mustang decepciona em tamanho interno. Ele é um carro apertado, especialmente na traseira que conta com bancos meramente decorativos. Uma pessoa de 1,60 m de altura já bate a cabeça no vidro traseiro.

O espaço para as pernas inexiste se houver alguém no banco dianteiro. Outra mancada é que o banco do motorista e do passageiro tem regulagem elétrica somente para a distância e altura. O encosto é regulado por uma alavanca imprecisa.

O cinto de segurança fica em posição ruim e corta o pescoço de motoristas de diferentes estaturas. O porta-malas leva 382 litros, o que é excelente para a categoria, mas a abertura pequena dificulta o acesso de malas maiores.

O subwoofer na lateral direita também rouba parte da área que seria disponível. Inegavelmente, o foco aqui é a performance e o estilo, deixando a praticidade de carga em um segundo plano para o proprietário entusiasta.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Principais itens de série do Ford Mustang Dark Horse

  • Chave presencial com partida remota
  • Seis airbags
  • Faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta
  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • Bancos dianteiros parcialmente elétricos com resfriamento e aquecimento
  • Câmera e sensor de ré
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Controle de tração e estabilidade
  • Piloto automático adaptativo
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Alerta de tráfego cruzado
  • Assistente de manutenção em faixa
  • Escapamento ativo
  • Auto-hold
  • Freio de estacionamento eletrônico
  • Controle de largada
  • Volante com aquecimento
  • Monitoramento de pressão dos pneus
  • Sistema de som assinado
  • Alerta de ponto cego

Veredicto

Em Dark Horse, Katy Perry diz que, porque uma vez que você for meu, não tem volta. É justamente esse sentimento que o Ford Mustang Dark Horse passa ao condutor. Ele apaixona pela batida de seu V8 e pelas boas maneiras na pista.

É um carro que é feito para o purista e entusiasta que não se rendeu à eletrificação total. Além disso, ele permite o uso diário sem que o motorista precise virar sócio de um quiropraxista devido ao desconforto.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Este conto de fadas termina com um cavaleiro em armaduras brilhantes, que é justamente o esportivo da Ford. Ele equilibra a brutalidade americana com o refinamento técnico necessário para o mercado atual. Você teria um Ford Mustang Dark Horse?

Ficha técnica: Ford Mustang Dark Horse 2026

ComponenteEspecificação Técnica
MotorCoyote 5.0 V8 aspirado
Potência507 cv
Torque57,8 kgfm
TransmissãoAutomática de 10 marchas
Aceleração (0-100 km/h)3,7 segundos
Velocidade máxima250 km/h (limitada)
TraçãoTraseira com diferencial de deslizamento limitado
Peso1.819 kg
Porta-malas382 litros
Tanque de combustível60 litros

Você teria um Ford Mustang Dark Horse? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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