Pessoas endinheiradas que querem fugir de carros de luxo, até pouco tempo atrás, compravam Volkswagen Tiguan. Mas a perda de potência da geração anterior fez os compradores se afastarem do modelo e migrarem diretamente para o GWM Haval H6 GT. Basta passar em frente a uma escola de rico e verá esse fenômeno.
Mas o que fez o SUV chinês se tornar tão queridinho entre pessoas que preferem um carro generalista maior, mais refinado e mais potente do que um BMW, Audi ou Mercedes-Benz equivalente? É isso que vamos explorar nesta avaliação da versão topo de linha do SUV médio, que pode ser sua por R$ 326 mil.
Até a GWM
Originalmente, o Haval H6 GT seria um carro de nicho. Tanto que sua produção nacional sequer entrava nos planos. Mas bastou o mercado abraçar o modelo para Iracemápolis começar a produzir o primeiro GWM brasileiro justamente através do H6 GT. Ele também provou que o mercado brasileiro aceita, sim, um SUV médio quase grande de mais de R$ 300 mil sem emblema premium.

Só que, para isso, a GWM precisou conquistar pela força. Bruta, aliás. Isso porque o Haval H6 GT é o SUV PHEV mais potente da categoria, com 393 cv e absurdos 78,7 kgfm de torque. E ele é rápido, mesmo sendo uma jamanta de 2.070 kg, 4,72 m de comprimento, 1,94 m de largura, 1,72 m de altura e entre-eixos de 2,73 m.
Prova disso é que ele precisa de apenas 4,8 segundos para chegar aos 100 km/h. Em uma arrancada no sinal, o Haval H6 GT vai deixar um Honda Civic Type-R e um Toyota GR Corolla comendo poeira enquanto as crianças gritam no banco traseiro e derrubam pipoca no banco.

As acelerações do SUV são muito fortes por conta do sistema híbrido PHEV. Primeiro entram os motores elétricos, depois o 1.5 turbo. E é interessante notar que, ao engatar a segunda marcha, o Haval H6 ganha um fôlego extra e só para de acelerar aos 180 km/h. Aliás, parar de acelerar é um problema.
Isso porque o acelerador tem um perigoso delay. Após tirar o pé do pedal da direita, ele demora pouco mais de um segundo para deixar de ganhar velocidade. Em uma situação de emergência, isso não é bom. Em compensação, o sistema de freios é muito eficiente e, como todo carro chinês, os sistemas de auxílio à condução são desesperados.
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Refinamento técnico
Um dos pontos que mais me agradou no GWM Haval H6 GT é sua solidez de rodagem. A suspensão recebeu ótima tropicalização, garantindo uma firmeza que realmente o aproxima das marcas de luxo. Ele não tem a típica flutuação dos carros chineses e suas suspensões de pudim. Muito pelo contrário.
A direção segue a mesma proposta, com um conjunto claramente pensado para o mercado brasileiro. Ela é rápida e tem um peso que normalmente não aparece em carros chineses, exceto quando o motorista seleciona o modo Sport. No Haval H6, até no modo normal ela já entrega uma firmeza que torna a condução mais agradável.
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Em alta velocidade, ele se mantém estável, mas produz muito ruído de vento. Já na cidade, a buraqueira deixa a suspensão um pouco mais barulhenta do que o ideal, embora ainda fique longe do nível de um Renault Koleos, por exemplo. O isolamento acústico do Haval merece destaque.
Por que é sempre assim?
Por mais que a divisão brasileira da GWM tenha retrabalhado os sistemas de auxílio à condução e até mudado os sons de alerta, o Haval H6 GT continua desesperado. O tempo todo ele enche o saco com alertas, pimpimpins e luzes espalhadas por todos os cantos. Até as luzes são excessivas, como o alerta de ponto cego no retrovisor externo.
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A seta muda de barulho ao identificar um carro no ponto cego e a frenagem autônoma de emergência avisa cedo demais. Além disso, a correção de faixa, apesar de ter melhorado, ainda não alcançou o estado da arte presente em carros da Honda e da Volvo. Pelo menos o pacote de assistências do H6 GT é mais do que farto.
É no detalhe
Se o GWM Haval H6 GT anda como um carro premium, é esperado o mesmo tratamento no interior. E isso realmente acontece. Ele é refinado na construção e na escolha dos materiais. A marca chinesa combina superfícies revestidas em couro e material emborrachado com alcântara e uma inexplicável fibra de carbono macia.

Na reestilização, ele ganhou um volante menor e com aro mais grosso, resolvendo reclamações do modelo anterior, mas criando uma nova. O visual é sem graça e simples. Parece que o H6 pegou o volante de um hatch compacto, como o Ora 03, algo que não conversa visualmente com a proposta do SUV.
Outro ponto é que agora existem menos comandos no volante, tornando a operação de zerar o computador de bordo mais difícil e pouco intuitiva. Em contrapartida, agora temos Waze integrado ao painel de instrumentos totalmente digital, que ficou melhor e mais fluido.


A central multimídia também mudou. Ela cresceu e ganhou menus muito mais intuitivos. Traz Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de menu fixo do ar-condicionado na parte inferior. Não é um comando físico, mas já quebra o galho. Além disso, o menu de acesso rápido ao arrastar a tela pela parte superior ajuda bastante.
O console central também mudou, trazendo novo porta-copos duplo e suporte para carregador por indução. A peça inteira usa borracha que risca com muita facilidade e acaba deixando o H6 GT com aparência de carro usado. Ainda assim, há espaço generoso na parte inferior do console e no porta-objetos central.

Família toda
O fato de ser um carro grande traz ao GWM Haval H6 GT bastante espaço interno. Some isso ao fato de que os chineses sempre privilegiam espaço na segunda fileira e entenderá a proposta dele. Três crianças ficam confortáveis no banco traseiro ou até dois adultos de porte grande. Há espaço de sobra para pernas e cabeça, mesmo ele sendo um SUV cupê.
Pena que o acabamento traseiro sacrificou a parte superior das portas com o uso de plásticos duros. Em compensação, ele tem piso praticamente plano, saídas de ar e portas USB-C atrás. Inexplicavelmente, as entradas dianteiras ainda usam USB tradicional. O porta-malas, com abertura elétrica, leva 515 litros.



Itens de série
- Chave presencial
- Painel de instrumentos totalmente digital
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Seis airbags
- Frenagem autônoma de emergência
- Piloto automático adaptativo
- Faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta
- Porta-malas com abertura elétrica
- Faróis de neblina de LED
- Tração nas quatro rodas
- Câmera de ré
- Sistema de manutenção em faixa
- Ar-condicionado digital de duas zonas
- Bancos dianteiros com regulagem elétrica
- Retrovisor fotocrômico
- Partida remota
- Subwoofer
- Head-up display
- Park assist
- Sistema de câmeras 360 graus
- Alerta de ponto cego
- Alerta de saída segura
- Alerta de tráfego cruzado
- Frenagem autônoma em manobras
- Retrovisor externo fotocrômico
- Bancos dianteiros com aquecimento e resfriamento
- Controle de largada
- GPS integrado
Veredicto
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Refinado como se espera de um carro de mais de R$ 300 mil, com mecânica mais do que competente e com a confiabilidade que a GWM vem construindo no Brasil, a fama do Haval H6 GT e suas vendas altas são mais do que justificáveis. Ele conquistou espaço entre compradores que preferem abrir mão de emblema premium em troca de um carro melhor.
No final das contas, ele consegue ser um carro familiar e, ao mesmo tempo, divertido de dirigir e lotado de tecnologia. Não existe nenhuma renúncia importante para se posicionar onde está no mercado. Por isso, acaba se tornando uma das melhores compras da categoria.
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Ficha técnica GWM Haval H6 GT
- Motor 1.5 quatro cilindros turbo + dois motores elétricos
- Híbrido PHEV
- Motor a combustão: 150 cv e 24,5 kgfm
- Motor elétrico dianteiro: 177 cv e 30,6 kgfm
- Motor elétrico traseiro: 184 cv e 23,7 kgfm
- Autonomia elétrica: 119 km
- Potência e torque totais: 393 cv e 78,7 kgfm
- 0 a 100 km/h: 4,8 segundos
- Consumo gasolina: 12,6 km/l cidade / 10,5 km/l estrada
- Medidas: 4,72 m comprimento / 1,94 m largura / 1,72 m altura / 2,73 m entre-eixos
- Altura do solo: 19 cm
- Porta-malas: 515 litros
- Peso: 2.070 kg
Você teria um GWM Haval H6 GT ou prefere outro modelo? Conte nos comentários.


