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Ram + Ford + Mercedes

Foton Tunland brilha na suspensão, mas passa a impressão errada | Impressões

Visual que coloca Ram 1500, Ford F-150 e Mercedes-Benz em um liquidificador é o maior problema da Foton Tunland

7 min de leitura

Já presente de maneira expressiva no segmento de caminhões no Brasil, a chinesa Foton resolveu arranjar briga na tradicionalíssima categoria de caminhonetes médias. Rapidamente ela já colheu frutos, com suas picapes Tunland V7 e V9 vendendo mais que BYD Shark, JAC Hunter e Volkswagen Amarok. Mas como ela conseguiu isso?

Testamos as irmãs quase gêmeas Foton Tunland V7 e V9 para entender. O trajeto longo de test-drive contou com uma imersão forte nos produtos e um trecho que conta com estrada, cidade, trânsito e até estradas lotadas de lama para testar os sistemas eletrônicos da maior caminhonete média à venda no Brasil.

Divisão importante

Antes de começar, preciso detalhar algumas coisas. A Foton diferencia a V7 da V9 por equipamentos e visual da dianteira. A V7 custa R$ 289.900 e tem suspensão por feixe de molas. Já a V9 sai por R$ 309.900, troca a suspensão traseira por multilink, adiciona teto solar, piloto automático adaptativo, reconhecimento de placa e sistema de centralização de faixa.

Foton Tunland V7 preta de traseira  suja de lama
Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]

Para ficar mais fácil identificar as duas, a Tunland V7 tem frente de Ford F-150, enquanto a Tunland V9 foi inspirada na Ram 1500. E é isso que mais incomoda nas caminhonetes da Foton. Elas parecem os carros chineses de antigamente, que não conseguiam ter personalidade própria e precisavam copiar carros consagrados.

A lateral é um misto de Fiat Titano com Toyota Hilux, enquanto a traseira é idêntica à da Ford F-150 Raptor com lanternas de F-150 Lightning. É um design que não se conversa e fica com nítida aparência de cópia. Especialmente porque ela é uma caminhonete média, bem menor do que os modelos em que ela se inspira.

Foton Tunland V9 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V9 [Auto+ / João Brigato]

Mesmo assim, porte é um grande trunfo do modelo. A Foton Tunland é a maior caminhonete média à venda no Brasil com 5,61 m de comprimento, 2,09 m de largura e 1,99 m de altura. Ela é verdadeiramente grande, tendo a maior caçamba da categoria com 1,379 litros de capacidade. A V7 leva 1.050 kg, enquanto a V9 fica com exatos 1.000 kg.

Bem feito, mas…

A cabine talvez seja o ponto de maior destaque da Foton Tunland V7 e da V9. O acabamento é muito acima da média de qualquer outra caminhonete, apresentando materiais macios por tudo quanto é canto, encaixes bem feitos e um visual agradável. Você pode optar por couro marrom com detalhes pretos, couro laranja com detalhes marrom ou couro cinza com detalhes em azul marinho.

Foton Tunland V9 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V9 [Auto+ / João Brigato]

Ela tem console central bem largo com botões físicos para acesso de vários elementos. Há também comandos para o ar-condicionado logo abaixo da central multimídia. Aliás, a central e o painel de instrumentos digital tem tela de excelente definição. Mas ai começam alguns problemas.

O painel de instrumentos digital é copiado 100% da Mercedes-Benz, inclusive as letras, menus e maneira que opera. É inaceitável algo assim tão escrachado em um carro de 2025. Já a central multimídia tem menus confusos e tradução mal feita. O botão de sair da câmera 360, por exemplo, está escrito “desistir”. Só tem Apple CarPlay, por enquanto.

Já o quesito espaço traz grandes vantagens para a Foton. A Tunland V7 e a V9 trazem boa área para pernas, cabeça e também para os ombros. O piso traseiro plano é um grande destaque, assim como o acabamento na segunda fileira, que nada deve a modelos maiores. Na Tunland V9, o teto solar panorâmico destaca.

Oposto esperado

Em geral, os carros chineses tem suspensão molenga, tudo por conta da preferência nacional. Isso ficou ainda mais claro em caminhonetes como a BYD Shark e a Fiat Titano na linha 2025. Só que a Foton soube muito bem acertar suas caminhonetes. Elas são bem na mão, pulando o normal para uma picape média.

Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]

A absorção de impacto é muito boa, especialmente em terrenos difíceis e em alta velocidade. A V7 é um pouco mais firme na traseira e pula um pouco mais por conta do feixe de molas, enquanto a V9 é mais confortável. Dá para sentir o ímpeto da marca em trazer o DNA dos caminhões e a robustez ao conjunto.

Já a direção precisa ser trabalhada. Ela é excessivamente leve e nada comunicativa com o que ocorre no asfalto. Precisava de mais firmeza, especialmente em alta velocidade. O acerto mais esportivo da direção deveria ser o modo conforto, de tão leve que é. Além disso, o sistema de manutenção em faixa corrige o motorista com incômodos socos.

Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]

Festival de apito

Outro ponto que a Foton precisa urgentemente trabalhar é no sistema ADAS da Tunland V9. Ela conta com reconhecimento facial que te dá bronca sempre que olha tempo demais para a central ou para os lados. Além disso, o piloto automático adaptativo trabalha com uma certa demora na atuação, enquanto os demais sistemas carecem de lapidação.

O mais chato é que sair do meio da faixa causará apitos, se ela ler uma placa de trânsito em uma via lateral e julgar que você está acima do limite, outro apito. Além disso, a Foton Tunland também faz escândalo todas as vezes que detecta um carro muito próximo. Confesso que desliguei todos os sistemas no retorno do test-drive de tão chatos que são.

Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]

Parece mais…até precisar

Debaixo do capô, as caminhonetes da Foton trazem motor 2.0 quatro cilindros turbo diesel semi-híbrido. O alternador e o motor de partida são substituídos por um pequeno motor elétrico ligado a uma bateria de 48V. Como o motor elétrico não move as rodas sozinho, ela não é uma caminhonete híbrida de verdade.

Contudo, o sistema ajuda bastante a dar uma aliviada no esforço do motor 2.0 e também reduz bem o consumo. Segundo o INMETRO, elas fazem 8,7 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada. Além disso, é uma ajuda necessária para os 175 cv e 45,8 kgfm de torque – números que só não perdem para a Ford Ranger 2.0 turbo.

Foton Tunland V9 [Auto+ / João Brigato]

O câmbio automático de oito marchas complementa o conjunto com suavidade e trocas muito rápidas, além de imperceptíveis. Em âmbito urbano e no off-road, não parece pouca coisa. Mas basta precisar de uma ultrapassagem que a caminhonete da Foton sofre com falta de força. Já o isolamento acústico é uma maravilha.

Veredicto

Apesar do bom acerto de suspensão e do acabamento excelente, a Foton Tunland fica devendo às concorrentes pela falta de força e pela inaceitável profusão de peças copiadas de outras caminhonetes. É um início promissor para a marca, mas que precisa de mais refinamento de projeto, direção, sistemas ADAS e, especialmente, de visual.

Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]
Foton Tunland V7 [Auto+ / João Brigato]

Especialmente considerando o preço na casa dos R$ 300 mil e a rede ainda em construção da Foton, talvez seja melhor esperar por mudanças antes de arriscar. Chinesa por chinesa, a GWM com a Poer P30 ou a Fiat Titano com a expertise da Stellantis são apostas mais sólidas em um segmento muito tradicional.

Você teria uma Foton Tunland? Conte nos comentários.


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4 comentários em “Foton Tunland brilha na suspensão, mas passa a impressão errada | Impressões”

  1. Camilo de Lelis Vagas da Silva

    Sem dúvida nenhuma compraria, tanto a Tunland V7 como a V9. Fui a uma concessionária da FOTON e fiquei impressionado com a qualidade de contrução e tecnologia que elas oferecem.
    No entanto concordo, essas pick-up’s mereciam um motor mais robusto, de pelo menos 200 CV.

  2. César Pering

    Eu fiz teste drive , gostei da acústica mas falta potência pelo tamanho pelo menos acima de 200cv

  3. Pedro Roberto Bunn

    Fiz um teste drive numa v7 (minha preferida), adorei o carro mas….. o motor deveria mesmo ser maior. É inacreditável que um carro tão completo e gigante no tamanho, tenha um motor tão fraco. Mesmo assim acho que compraria uma.

  4. Kleber M. B.

    Quem reclama de potência hoje em dia é porque não dirigiu camionetes antigas a diesel, andavam muito, mas para atingir 100 km por hora era uma vida. Hoje em dia existem várias tecnologias, se acha que a potencia está pequena faz um REMAP e aumente a potência dela. Acho que a falta de conhecimento do produto e da marca muita das vezes, mais atrapalha do que ajuda na hora de decidir a compra. Acho o preço atraente, mas acho que para uma marca que está entrando agora no mercado, deveria ser um pouco mais baixo. Mas mesmo assim, acho que eu compraria

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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