O Nissan Kicks não tenta inventar jogadas mirabolantes com firulas ou telas gigantes na cabine. Ele funciona como aquele músico que garante o tempo clássico 4/4 do Iron Maiden, do Nightwish ou do Within Temptation, resolvendo tudo com o pé no chão, em vez de seguir pelo caminho da polirritmia de bandas como Dream Theater e Tool.
Maior, mais moderno e equipado, ele compartilha tanto a plataforma quanto o conjunto motriz com o Renault Kardian, embora ofereça uma calibração exclusiva. A versão Advance 220T (a partir de R$ 179.990) fica logo acima da Sense 220T (R$ 168.690), mas abaixo da Exclusive 220T (R$ 187.190). Aliás, a topo Platinum 220T custa R$ 199.000.
As dimensões ficaram semelhantes às do Compass. Afinal, a base CMF-B resultou em um interior amplo, traduzido pelos 4,36 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,62 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. O SUV da Jeep oferece 4,40 m, 1,81 m, 1,63 m e 2,63 m, na ordem. O porta-malas do Kicks dá um show à parte: são 470 litros contra 410 litros do SUV da Jeep.


Ou seja, a nova geração do Kicks subiu o volume do porta-malas em 38 litros em relação ao antecessor, que segue em linha na forma do Kait (com preços de R$ 117.990 a R$ 152.990). Além disso, o compartimento de bagagens traz o assoalho móvel, permitindo maior versatilidade na hora de acomodar objetos volumosos.
Harmonia e acústica de estúdio
A cabine do Nissan Kicks Advance é sedutora e bem construída por conta da escolha dos materiais empregados no acabamento. Há superfícies emborrachadas e macias ao toque no painel e nas laterais de portas, assim como detalhes em bronze e revestimentos em tecido na porção central do painel e no apoio de braço das portas.
O mesmo padrão encontrado na porção frontal do habitáculo é repetido na traseira, o que mostra o cuidado do fabricante na execução do projeto. Além disso, os comandos possuem acionamento suave, e o volante de três raios com a base achatada ajuda na hora de entrar ou sair da cabine.

A posição de dirigir é facilmente conquistada e muito confortável, devido ao desenho dos bancos com espumas de boa densidade em ambas as fileiras e tecnologia Zero Gravity nos dianteiros. Mesmo após longos períodos ao volante não há cansaço, graças à boa sustentação lateral e da região lombar.
À frente do motorista está o quadro de instrumentos de sete polegadas com rápida visualização, enquanto o multimídia Nissan Connect de 12,3 polegadas oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Ele possui uma interface amigável, e a versão Advance ainda é equipada com o carregador de smartphone por indução.



Quem viaja atrás encontra um bom espaço para as pernas e os joelhos por conta dos 2,65 m de entre-eixos, sendo inclusive superior ao do Hyundai Creta (2,61 m), igual ao do Volkswagen T-Cross (2,65 m) e maior até que o do Toyota Corolla Cross (2,64 m). Na geração anterior, essa medida era de 2,61 m.
Nissan Kicks: presença de palco e identidade visual
O Nissan Kicks mostra a nova escola estilística da marca, caracterizada por elementos horizontais na dianteira, com destaque para a grade do radiador e os faróis Full LED afilados. É uma pegada futurista, evidenciada pela traseira fora do padrão convencional, que não conecta as lanternas por uma barra luminosa de LED.
Sem dúvidas, o Nissan Kicks é um dos carros com mais personalidade oferecidos atualmente em nosso mercado. Mesmo assim, de acordo com a Fenabrave, o SUV da Nissan acumula 14.328 unidades licenciadas neste ano, ficando atrás do Hyundai Creta (32.131) e do Volkswagen T-Cross (36.295), embora esteja colado no Corolla Cross (15.492).

As rodas de liga leve são de 17 polegadas calçadas por pneus de medidas 215/60. Entretanto, não são tão belas quanto as da topo de gama Platinum, de 19 polegadas com pneus 225/45. Além disso, o pacote de série da Advance ainda inclui chave presencial, câmera com visão 360º e um bom pacote de assistências à condução.
A lista de anjos da guarda em prol da segurança agrada por se tratar de uma configuração intermediária. Entre as tecnologias, estão presentes farol alto automático, sensor de fadiga, controlador de velocidade adaptativo, alerta de colisão frontal, frenagem de emergência com detecção de pedestres e assistente de permanência em faixa.


Motor turbo e pegada do bumbo duplo
Sob o capô, o motor 1.0 turbo de três cilindros (nomenclatura HR10), projetado pela Horse e fabricado pela Nissan em Resende (RJ), é compartilhado com o Renault Kardian. Ele trabalha atrelado ao câmbio DCT de dupla embreagem banhado a óleo de seis marchas. O resultado desse matrimônio aparece nos 125 cv e 22,4 kgfm quando abastecido com etanol.
O conjunto não grita desempenho, mas resolve com folga no trânsito urbano, assim como nas ultrapassagens rodoviárias. É um motor que acorda cedo; da mesma forma, o turbolag (o atraso antes de o turbocompressor encher para valer) é baixo. Na prática, é um SUV que vence rapidamente a inércia e transita com uma disposição condizente com a proposta.

Ao volante, é possível ouvir o turbocompressor enchendo, e a relação peso-potência de 10,66 kg/cv (o Nissan Kicks pesa 1.333 kg em ordem de marcha) permite acelerar de 0 a 100 km/h em 12,4 segundos, com velocidade máxima de 185 km/h. Comparado ao Kicks de antigamente com o 1.6 naturalmente aspirado, o novo coração turbinado deixou a dirigibilidade muito mais acesa e silenciosa.
A transmissão de dupla embreagem possibilita trocas sequenciais pelas borboletas atrás do volante e dispensa a tradicional alavanca seletora. A mudança de posição do câmbio (P, N, R e D) é feita por teclas no console central. A solução, que ajuda a ampliar a percepção de espaço na primeira fileira, não chega a ser uma novidade, já que a Chrysler aplicava botões seletores semelhantes nas décadas de 1950 e 1960.


Nissan Kicks não perde o compasso
A caixa de dupla embreagem trabalha de maneira competente na maior parte do tempo, mas é possível sentir as trocas em algumas situações. Além disso, a calibração do pedal do acelerador é ligeiramente anestesiada por conta das metas de emissões. De todo modo, a pegada do Kicks nunca foi voltada para a esportividade radical.
E é aí que está o grande trunfo do SUV. Desde o primeiro, ele foi projetado para levar os passageiros do ponto A ao ponto B com conforto e sem preocupações. Entretanto, possui um seletor de modos de condução, que muda a forma que as reações são entregues. Já as suspensões trabalham bem em nosso piso, adotando a arquitetura McPherson no eixo frontal e eixo de torção no traseiro.

Os pneus com perfil 60 ajudam o conjunto a filtrar as imperfeições, porém, dependendo do obstáculo urbano, como lombadas mais pronunciadas, a suspensão retorna de forma ligeiramente ríspida, o que tira um pouco do conforto de quem viaja na segunda fileira. Apesar disso, o acerto inibe a rolagem da carroceria nas curvas, e a direção elétrica é precisa.
Se o primeiro Kicks sofria com um tanque de combustível de apenas 41 litros, agora ele leva 48 litros. Falando nisso, de acordo com o Inmetro, as médias de consumo são de 8,3 km/l (cidade) e 9,9 km/l (estrada) com etanol. Quando abastecido com gasolina, os números sobem para 11,7 km/l e 14,3 km/l, respectivamente. Apesar das qualidades, o Nissan Kicks Advance disputa um espaço onde a concorrência eletrificada toca forte.


Veredicto
É inegável que o Nissan Kicks mudou da água para o vinho nesta geração. Mais competente ao volante e espaçoso na cabine, ele se tornou uma escolha racional para quem procura um SUV com porte próximo ao de modelos médios, a exemplo de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. Contudo, o preço de R$ R$ 179.990 pela versão Advance o coloca em uma zona de poucos amigos.
Afinal, por esta quantia já é possível olhar para o mercado de SUVs híbridos. Investindo um pouco a mais, há o Geely EX5 EM-I Pro por R$ 189.990 e o GWM Haval H6 HEV One Flex, oferecido por R$ 199.900 (praticamente o mesmo valor da versão Platinum do Kicks).



Correndo por fora, ainda há o híbrido flex BYD Atto2, que custa a partir de R$ 149.990. No fim do dia, o Nissan Kicks Advance pode não ser um músico virtuoso cheio de polirritmias, mas entrega o show completo com a precisão de um clássico do rock.
E você, o que acha do Nissan Kicks? Ele seria a sua opção ou você optaria pelos modelos chineses com tecnologia híbrida? Escreva nos comentários!


