Ao vivo
Home » Avaliação » Jetour T2 é uma enorme caixa de surpresas | Avaliação

Avaliação

Faltou só o 4x4

Jetour T2 é uma enorme caixa de surpresas | Avaliação

Visual parrudo do Jetour T2 não é apenas uma intenção de algo, mas uma prova de que os chineses já foram longe demais

9 min de leitura

Do ano passado para cá, as marcas chinesas deixaram de ser uma aposta no Brasil para se tornar uma realidade. Já temos carros chineses sendo produzidos no país em larga escala, modelos de lá entre os mais vendidos do nosso mercado e, agora, elas passaram a explorar mais segmentos para além de SUVs urbanos e hatches elétricos.

A Jetour é uma dessas marcas que tenta explorar algo diferente. Ela oferece o S06, que é mais do mesmo no mundo dos SUVs médios eletrificados no Brasil. Mas tem a dupla T2 e T1. Os dois primeiros você já viu em teste aqui no Auto+, mas era a hora de ter um contato mais profundo com o modelo topo de linha da marca. E que surpresa foi.

Parece e é parrudo

Parte do grupo Chery, a Jetour surgiu como uma marca focada em SUVs parrudos e também utilitários para longas viagens. O T2 é uma mistura dos dois mundos, especialmente porque se chama Traveller (viajante) em alguns países. E, devo confessar, ele é um bom companheiro de viagens — especialmente em uma semana na qual cada dia estava em uma cidade.

traseira Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Ao todo, foram cerca de 800 km rodados com o Jetour T2 em todo tipo de terreno: cidade, rodovias, estradas rurais e até terra. E ele cumpriu tudo isso com um tanque e sendo recarregado somente uma vez. Oficialmente, a marca declara 11,4 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada.

Durante nossos testes, ele fez média de 14,9 km/l quando carregado, mas esse número caiu para 11,5 km/l quando as baterias baixaram para menos de 19%. Na prática, ele nunca descarrega totalmente, mas é notável que o motor a combustão se esforça mais com a bateria baixa para mover o Jetour T2 e também carregar parte das baterias.

motor Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Em momentos de aceleração mais forte, o 1.5 turbo ronca alto e se faz presente para que ele não fique devendo em performance. Há também situações nas quais o motor permanece em funcionamento mesmo sem o pedal do acelerador pressionado. Mas tudo em nome da eficiência.

Depende do momento

Combinando o motor 1.5 turbo a dois motores elétricos na dianteira, o Jetour T2 entrega 320 cv e 62,2 kgfm de torque. Mas é curioso como ele faz isso. Em modo Normal, ao acelerar com tudo, ele entrega cerca de 75% a 80% da força total. É ágil, mas não o suficiente para fazer uma ultrapassagem mais arriscada.

traseira Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Para isso, é preciso selecionar o modo Sport. Aí sim os 320 cv e 62,2 kgfm de torque ficam totalmente à disposição do motorista. Nesse momento, o Jetour acelera forte e não parece um carro tão enorme quanto de fato é.

Por ter uma transmissão direta de três marchas, ele se comporta de maneira bem semelhante ao Haval H6. Primeiro acelera forte e depois acelera ainda mais forte. Fica devendo um pouco de força ao modelo da GWM, mas essa não é sua proposta.

Jetour T2 [Auto+ / João Brigato] dianteira cinza
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Mesmo em modo elétrico, ele entrega uma performance condizente e pode rodar até 75 km sem carregar de acordo com o ciclo Inmetro. Na vida real, chega a 100 km de autonomia elétrica.

Acerto que foi aprendido

Uma coisa que me surpreendeu muito no Jetour T2 é seu acerto dinâmico. A marca não fez nenhum trabalho de tropicalização, assim como sua prima Omoda & Jaecoo. Mas o T2 já é um modelo pensado para mercados além da China e entrega uma dirigibilidade condizente com isso e com seu visual parrudo.

Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

A suspensão não tem o típico comportamento de pudim dos SUVs chineses. Ela é macia e confortável, mas também entrega uma interessante dose de robustez, com invejável capacidade de absorção em superfícies ruins. Em buracos, bate um pouco mais dura do que deveria e a carroceria inclina bem nas curvas, mas é uma reação aceitável para um SUV desse porte.

Mesmo tendo apenas tração dianteira, o Jetour T2 manda bem na terra. Ele encara terrenos acidentados com conforto e sem pula-pula. Além disso, mostra bastante valentia e uma carroceria sólida e bem montada, sem rangidos, torções ou barulhos de acabamento.

Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

A direção foi muito bem calibrada, pendendo para o conforto, mas transmitindo uma sensação de controle e firmeza necessária em um carro grande e sofisticado como ele. O volante é um tanto estranho em seu formato e o couro usado em algumas partes é escorregadio.

Vale ressaltar também que ele conta com sistemas de auxílio à condução. O piloto automático adaptativo trabalha muito bem, enquanto o sistema de manutenção em faixa precisa de uma calibração mais precisa para não ficar socando o volante. Diferentemente de outros carros chineses, ele não fica apitando de maneira insistente para corrigir o motorista, trazendo alertas discretos.

O que R$ 299.900 te oferecem

interior Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]
interior Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Por dentro, o Jetour T2 parece um carro mais caro do que realmente é. Ele é bem montado e refinado, apresentando revestimento macio em toda a porção superior do painel e das portas. O couro usado nos bancos, volante e partes do console também transmite sofisticação. Há plástico em poucos lugares e todos são de boa qualidade.

O interessante é que a Chery, dona da Jetour, conseguiu fazer o interior do Jetour T2 seguir o clichê de todo chinês e, ainda assim, ter personalidade. Tela central enorme, painel de instrumentos digital e console central alto estão lá. Mas eles são acompanhados por linhas retas e peças grandes que transmitem sensação de robustez.

interior Jetour T2 [Auto+ / João Brigato]

Claro que há algumas cafonices, como a manopla de câmbio de plástico transparente que tenta fingir ser cristal. Ou os LEDs do painel que mimetizam um mapa, mas podem ficar piscando igual a uma caixa de som Bluetooth. Fora isso, a escolha de cores e materiais foi muito feliz.

Google Tradutor

Como todo carro chinês, o Jetour T2 tem ótimas telas para o painel de instrumentos e central multimídia. Inclusive, ele conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A mancada está em não deixar o menu do ar-condicionado fixo, obrigando o motorista a sair do espelhamento para mudar a temperatura.

painel de instrumentos jetour t2

Outro problema é que ou o Google Tradutor fez a tradução dos menus de chinês para português ou foi um estagiário. Vários elementos são cheios de erros. Ao ligar o T2, ele avisa para “soltar o travão e premir o botão de partida”. Já quando um carro acelera à frente, aparece no painel a mensagem “o carro da ‘frene’ se movimentou”.

Ao menos, tanto o painel quanto a central são fáceis de usar. O pecado maior está no fato de que é preciso utilizar a central multimídia e o volante para regular os retrovisores. Isso porque havia espaço de sobra nas portas e no painel para acomodar comandos tradicionais.

central multimídia jetour r2

Grande e espaçoso

A segunda fileira de bancos do Jetour T2 entrega espaço de sobra. Como ele é um carro alto e largo, permite que três pessoas viajem com conforto no banco traseiro. Além disso, o piso praticamente plano e a área envidraçada generosa contribuem para a sensação de espaço.

O porta-malas leva 580 litros, mas parece menor porque o piso é bem alto. Temos ainda a tampa com abertura lateral e sistema de sucção, evitando a necessidade de bater a porta para fechá-la. A parte interna da tampa traz dois porta-copos e dois porta-sacolas, aumentando a usabilidade.

Itens de série

  • Teto solar panorâmico
  • Controle de tração e estabilidade
  • Pacote ADAS completo
  • Sistema de câmeras 360 graus
  • Chave presencial
  • Carregador de celular por indução
  • Bancos dianteiros com ajuste elétrico, memória e ventilação
  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Rodas de liga leve de 20 polegadas
  • Logotipo dianteiro iluminado
  • Luz ambiente
  • Sistema de som Sony com 12 alto-falantes
  • Projeção do nome Jetour no solo ao abrir a porta
  • Banco do motorista com ajuste lombar
  • Apoio de braço traseiro
  • Luz de leitura com acionamento por toque
  • Sensor de estacionamento dianteiro

Veredicto

Por R$ 299.900, o Jetour T2 entrega algo bem diferente dos concorrentes diretos. Ele é verdadeiramente parrudo, exatamente como seu visual transmite. Mas não tem tração 4×4, o que é uma mancada. Por mais que pouca gente use esse recurso, não faz sentido ter todo esse estilo de carro off-road sem conseguir, de fato, fazer uma trilha.

Por outro lado, ele entrega uma inegável sensação de robustez, tanto na construção quanto no visual. O interior é refinado e espaçoso, enquanto o conjunto mecânico é eficiente e condizente com seu tamanho. Falta agora ver se a operação da Jetour será tão sólida quanto a da Omoda & Jaecoo e da Chery, porque um bom produto ela já tem.

Ficha técnica

  • Motor: 1.5 quatro cilindros turbo a gasolina + 2 motores elétricos
  • Potência e torque motor a combustão: 135 cv e 20,4 kgfm
  • Motor elétrico dianteiro 1: 122 cv e 22,4 kgfm
  • Motor elétrico dianteiro 2: 102 cv e 17,3 kgfm
  • Total: 320 cv e 62,2 kgfm
  • 0 a 100 km/h: 7,5 segundos
  • Transmissão direta de três marchas
  • Tração dianteira
  • Consumo: 11,4 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada
  • Medidas: 4,78 m de comprimento / 2,00 m de largura / 1,87 m de altura / 2,80 m de entre-eixos
  • Altura livre do solo: 20,5 cm

Você teria um Jetour T2? Conte nos comentários.

Deixe um comentário

João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

Você também poderá gostar