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Vale o preço extra?

Honda City Hatchback Touring Sport é um esportivado em meio aos SUVs | Avaliação

Prestes a mudar, o Honda City Hatch Touring Sport mostra detalhes em preto brilhante por R$ 155.300

7 min de leitura

O Honda City Hatchback estreou no início de 2022 com uma árdua missão: substituir o best-seller Fit, que foi descontinuado em 2021 e deixou uma legião de fãs. Um duplo desafio, aliás, de também seduzir os clientes resistentes à hegemonia dos SUVs. Segundo dados da Fenabrave, ele soma 8.526 unidades licenciadas este ano, com a versão topo de linha Touring Sport apostando em uma pegada esportivada.

A grande questão começa na etiqueta. Afinal, ela cobra a partir de R$ 155.300, ou seja, R$ 3.100 a mais em relação ao preço da opção Touring convencional (R$ 152.200) e que o coloca em um patamar de preço superior ao do sedan City Touring (R$ 153.200), assim como ultrapassa a nova geração do WR-V EXL (R$ 154.000). Além disso, encosta perigosamente em SUVs como o Volkswagen T-Cross 200 TSI (R$ 152.890).

O pacote que tenta justificar esse valor extra resume-se ao visual: acabamento em preto brilhante aplicado nas rodas de liga leve de 16 polegadas, no teto, no spoiler, na antena Shark e nas capas dos retrovisores, além de ponteira de escapamento e da cor exclusiva vermelho Supernova. Já ao abrir a porta, os diferenciais limita-se às pedaleiras esportivas com acabamento metálico, para citar.

Honda City Hatchback Touring Sport vermelho parado de traseira com muro de plantas ao fundo
Honda City Hatchback Touring Sport [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A lista de equipamentos segue fechada, sem opcionais. Todavia, de série, inclui entradas USB, carregador de smartphone por indução, sistema de entrada/partida sem chave, volante, alavanca seletora de marchas e bancos revestidos em couro, multimídia de oito polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além do quadro de instrumentos com tela TFT de sete polegadas.

Honda City Hatchback Touring Sport oferece uma cabine bem acabada

A Honda não alterou o padrão construtivo da cabine, que continua bem montado e exibindo atenção aos detalhes. Além disso, mostrando qualidade nos arremates. Há áreas sensíveis ao toque e a ergonomia é favorecida pelos comandos bem localizados à mão, pela coluna de direção ajustável em altura e profundidade e pelo freio de estacionamento eletrônico com função Brake Hold (mantém o carro parado sem a necessidade de manter o pedal de freio pressionado).

A boa posição de dirigir é encontrada rapidamente, auxiliada pelos bancos frontais com estrutura de placas de resina no lugar das tradicionais molas, o que estabiliza melhor a região lombar e o quadril em trajetos longos. Sustentado pela plataforma Honda Global Small Car (compartilhada com o irmão de três volumes e o WR-V), o City Hatchback mede 4,34 m de comprimento, 1,74 m de largura, 1,49 m de altura e 2,60 m de entre-eixos.

Honda City Hatchback Touring Sport [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Para comparar, o último Honda Fit à venda no Brasil tinha 4,09 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,53 m de altura e 2,53 m de entre-eixos. Já o porta-malas oferece 268 litros de capacidade (contra 519 litros no City sedan e 458 litros no WR-V). Apesar da menor volumetria, ele compensa com o sistema de modulação dos bancos Magic Seat (com os modos Utility, Long, Tall e Refresh).

Versatilidade e segurança do Honda City Hatchback

Sendo assim, capaz de acomodar desde volumes verticais até pranchas de surfe longitudinalmente. A boa abertura da boca do porta-malas ainda facilita o carregamento ou o processo de retirar bagagens do compartimento. Completando o pacote interno, o sistema LaneWatch adiciona uma câmera no retrovisor direito que projeta o ponto cego na tela do multimídia. Ainda em segurança há o sistema Honda Sensing.

O que inclui controlador de velocidade adaptativo, frenagem de mitigação de colisão, assistente de permanência em faixa com ajuste ativo de direção para manter o veículo centralizado, mitigação de evasão de pista e comutação automática do farol alto, para citar. O carro ainda traz assistente de frenagem de emergência, seis airbags, assistente de estabilidade/tração e Isofix para fixação de bancos infantis, para citar.

Dinâmica afiada e consumo de híbrido sem turbo

Sob o capô, a versão Touring Sport abre mão de qualquer pimenta mecânica extra e mantém o mesmo conjunto do Touring. Mesmo sem turbocompressor, o propulsor de quatro cilindros 1.5i-VTEC com injeção direta surpreende e vai acoplado ao câmbio continuamente variável (CVT) com simulação de sete marchas. Estão disponíveis 126 cv a 6.200 rpm e 15,8 kgfm a 4.600 rpm quando abastecido com etanol.

Apesar da ausência de turbo, a relação peso-potência de 9,39 kg/cv para seus 1.184 kg (em ordem de marcha) garante agilidade nas saídas de sinal e retomadas de velocidade. Contudo, o acerto prioriza as baixas rotações: acionando o modo Econ, o ponteiro do conta-giros trabalha em grande parte do tempo entre 1.500 rpm e 1.750 rpm. Já a rigidez torsional, combinada à aplicação de espuma expansível nas colunas e mantas acústicas no assoalho, resulta em um rodar extremamente silencioso.

Honda City Hatchback Touring Sport [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

E o acerto das suspensões do Honda City Hatchback Touring Sport

A calibração de suspensão (McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira) preserva a clássica assinatura da Honda: uma entrega levemente firme, que absorve bem as imperfeições do solo sem permitir oscilações ou rolagens excessivas de carroceria em curvas mais rápidas. A direção assistida eletricamente é direta ao esterço. Apesar disso, o grande trunfo do modelo continua sendo a economia de combustível.

Na cidade, o City Hatchback impressiona pela eficiência, enquanto na estrada supera a marca dos 20 km/l sem esforço. Médias dignas de carros híbridos, mesmo sendo um modelo puramente a combustão. De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, ele crava 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com etanol, subindo para 13,2 km/l e 15 km/l, respectivamente, com gasolina no tanque.

Veredicto

O Honda City Hatchback prova que alguns carros não devem ser julgados puramente pelos números de ficha técnica, mas sim pela entrega e pela engenharia. É um produto maduro, bem acabado e com dinâmica de condução superior à dos SUVs compactos. Mesmo prestes a receber uma segunda reestilização pouco mais de um ano após a última atualização.

No entanto, a versão Touring Sport do Honda City Hatchback cobra R$ 3.100 a mais por um pacote puramente cosmético que não adiciona um cavalo de potência ou qualquer ajuste dinâmico. Contudo, para quem prioriza o baixo consumo e o prazer de um rodar mais próximo ao chão, o Honda City Hatchback continua sendo uma compra racional. Pode não ter o mesmo apelo do Fit, mas ainda é um belo produto.

Honda City Hatchback Touring Sport [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ficha técnica

  • Preço: R$ 155.300
  • Motor: 1.5 quatro cilindros com injeção direta, duplo comando de válvulas com variação na admissão e no escape
  • Potência e torque: 126 cv e 15,8 kgfm
  • Transmissão: CVT com simulação de sete marchas
  • 0 a 100 km/h: 10,6 segundos
  • Tração: Dianteira
  • Medidas: 4,34 m de comprimento, 1,74 m de largura, 1,49 m de altura e 2,60 m de entre-eixos.
  • Porta-malas: 268 litros
  • Altura livre do solo: n/d
  • Consumo gasolina: 13,2 km/l a cidade e 15 km/l na estrada
  • Consumo etanol: 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada

Vale a pena pagar na faixa de R$ 155.000 no Honda City Hatchback Touring com sobrenome Sport que entrega exatamente a mesma potência e suspensão da versão normal? Escreva nos comentários!

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