Tal qual um mineiro que chega comendo pelas beiradas para conquistar o que quer, o GWM Haval H6 foi crescendo pouco a pouco no mercado brasileiro. Primeiro, foi adaptado ao nosso gosto. Depois, ganhou melhorias, passou por uma reestilização e agora aprendeu a beber etanol. Com isso, será que se tornou o melhor SUV na faixa dos R$ 200 mil?
A parte técnica de todas as mudanças pelas quais o GWM Haval H6 passou para se tornar flex nós já contamos aqui no Auto+. Se quiser conferir, basta clicar aqui. Neste texto, vou me concentrar no resultado de todas essas alterações na dirigibilidade do modelo, que agora é produzido no Brasil.


GWM Haval H6 HEV ficou mais inteligente
O test-drive foi concentrado nas versões HEV2 e PHEV35, justamente as que mais mudaram. No HEV2, o SUV da GWM entregava 243 cv e 55 kgfm. Agora, na configuração flex, passa a oferecer 248 cv e 55,4 kgfm. Na prática, perdeu um pouco de torque, mas a nova transmissão direta de duas marchas compensou completamente essa diferença.
A prova disso está na aceleração de 0 a 100 km/h, que caiu 0,3 segundo e agora acontece em 7,6 segundos. Na prática, a transmissão é a grande responsável pela mudança no comportamento do Haval H6 HEV2. Assim como acontecia nos antigos PHEV, ele arranca com força total, despejando torque nas rodas a ponto de cantar pneu.

Essa força inicial vem do motor elétrico, que rapidamente recebe o auxílio do 1.5 turbo. Contudo, quando a segunda marcha entra em ação, parece que o SUV ganha um fôlego extra e acelera com ainda mais vigor. Além disso, a transição entre os motores acontece de forma sublime. Já a troca de marcha só é percebida pelo empurrão adicional.
GWM Haval H6 PHEV ficou mais linear
No PHEV35 e no GT houve uma redução considerável no torque. O número caiu de 78,8 kgfm para 65,5 kgfm. Ainda assim, a GWM repetiu a estratégia adotada no HEV2 e instalou uma nova transmissão direta, agora com quatro marchas, a mesma utilizada pelo Wey 07. Com isso, o 0 a 100 km/h caiu 0,1 segundo e passou para 4,8 segundos. Além disso, a velocidade máxima subiu para 190 km/h.
Na prática, o comportamento continua parecido com o anterior, mas apresenta uma linearidade maior. Assim como no HEV2, ele arranca forte e chega a cantar pneu. Depois que a segunda marcha entra, surge ainda mais força. Já as duas marchas seguintes trabalham de forma extremamente suave e mantêm a entrega constante.


A vantagem é que isso deixa o conjunto mecânico do GWM Haval H6 mais ágil e responsivo. As retomadas acontecem quase instantaneamente e o carro permanece alerta o tempo todo. Além disso, o consumo também caiu graças à evolução mecânica.
Acertos brasileiros fazem diferença
Entendidas as diferenças entre as duas variantes mecânicas, vamos ao que elas têm em comum: o acerto dinâmico. A GWM já havia recalibrado suspensão e direção durante a reestilização. Com isso, manteve os bons predicados do modelo.
Hoje, ele é disparadamente o SUV chinês com o melhor acerto dinâmico vendido no Brasil. A suspensão é macia e confortável. Ao mesmo tempo, consegue manter o Haval H6 sob controle e evita aquela sensação de transatlântico desgovernado vista em alguns rivais. Além disso, absorve bem os impactos e transmite um rodar sólido e sofisticado.

O mesmo acontece com a direção. Apesar do volante horroroso, ela tem calibração muito bem executada. O ajuste pende para o lado mais firme, mas continua confortável e fácil de manobrar. Nesse aspecto, a GWM acertou em cheio.
Por outro lado, os sistemas de assistência à condução ainda precisam de atenção. Como acontece em muitos carros chineses, o Haval H6 exagera nos alertas. Ele reclama praticamente o tempo todo. Como a câmera monitora constantemente o motorista, basta bocejar ou até espirrar para o sistema acusar falta de atenção ao volante.


Acabamento continua sendo um dos maiores trunfos
Um dos pontos em que o fabricante mais acerta é o acabamento. O interior do GWM Haval H6 transmite uma sensação de sofisticação e refinamento próxima à de marcas premium. Além disso, a montagem é muito bem executada e os materiais passam a impressão de que houve cuidado genuíno no desenvolvimento.
Nas versões com acabamento bege, essa percepção fica ainda mais evidente. O SUV conta com material macio em toda a porção superior do painel e das portas, com exceção das portas traseiras. Além disso, o console central recebe revestimento em couro, enquanto o porta-copos e o carregador por indução usam uma superfície emborrachada que risca com facilidade.

Como o Haval H6 tem complexo de ônibus, ele também oferece muito espaço interno. Famílias grandes conseguem viajar com tranquilidade, inclusive na segunda fileira. O banco traseiro é largo, confortável e oferece boa área para a cabeça, mesmo nas versões equipadas com teto solar panorâmico. Já o porta-malas leva generosos 560 litros.
Veredicto
Com as versões HEV custando entre R$ 199.900 e R$ 225 mil, a GWM consegue incomodar desde SUVs compactos até SUVs médios de entrada. Sobretudo, tudo isso com um modelo que flerta com o segmento dos SUVs grandes, entrega excelente acabamento, bom consumo e ainda oferece a vantagem de ser flex.
Já nas variantes PHEV, com preços que partem de R$ 250 mil, passam por R$ 290 mil no PHEV35 e chegam a R$ 326 mil no GT, a marca entra no território dos carros premium. Além disso, encara de frente rivais com autonomia superior a 1.000 km. A diferença é que entrega desempenho acima da média e um refinamento igualmente elevado.


No final das contas, o GWM Haval H6 se tornou um SUV praticamente impecável dentro da categoria. Ele entrega exatamente o que o brasileiro procura em um segmento extremamente competitivo. Aliás, sua maior vantagem sobre os rivais está na dirigibilidade adaptada ao nosso gosto e na motorização flex. Agora, só falta a GWM domar o ADAS chato e substituir o volante.
Ficha técnica
Haval H6 HEV2 Flex
Motor: 1.5 Turbo Flex + Motor Elétrico (Híbrido Convencional)
Potência combinada: 248 cv
Torque combinado: 54,5 kgfm
Câmbio: DHT de 2 marchas
0 a 100 km/h: 7,6 segundos
Bateria: 1,53 kWh
Preço: R$ 225.000
Haval H6 PHEV19 Flex
Motor: 1.5 Turbo Flex + Motor Elétrico (Híbrido Plug-in)
Potência combinada: 326 cv
Torque combinado: 54,5 kgfm
Câmbio: DHT de 2 marchas
Consumo Urbano: 37,7 km/l (Gasolina) / 25,8 km/l (Etanol)
Consumo Rodoviário: 30,6 km/l (Gasolina) / 21 km/l (Etanol)
Preço: R$ 250.000
Haval H6 PHEV35 Flex
Motor: 1.5 Turbo Flex + Dois Motores Elétricos (Híbrido Plug-in)
Potência combinada: 393 cv
Torque combinado: 65,5 kgfm
Câmbio: DHT de 4 marchas
0 a 100 km/h: 4,8 segundos
Velocidade máxima: 190 km/h
Consumo Urbano: 30,7 km/l (Gasolina) / 22,8 km/l (Etanol)
Consumo Rodoviário: 26,1 km/l (Gasolina) / 18,1 km/l (Etanol)
Preço: R$ 290.000
Haval H6 GT PHEV35 Flex
Motor: 1.5 Turbo Flex + Dois Motores Elétricos (Híbrido Plug-in Cupê)
Potência combinada: 393 cv
Torque combinado: 65,5 kgfm
Câmbio: DHT de 4 marchas
0 a 100 km/h: 4,7 segundos
Velocidade máxima: 190 km/h
Preço: R$ 326.000
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