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O novo nome do Tiguan

VW Tayron talvez possa suprir a falta de algo que o Tiguan Allspace fazia | Impressões

Para o Brasil, Tiguan virou sinônimo de SUV esportivo, por mais que, um dia, tenha levado sete pessoas

6 min de leitura

A atual geração do Volkswagen Tiguan deixou de ser totalmente global. O modelo americano e o europeu já eram diferentes na encarnação anterior, mas somente no tamanho e no número de assentos: cinco no Velho Continente e sete por aqui. Na nova geração, porém, a Volkswagen decidiu criar dois Tiguans e o Tayron.

O Tiguan europeu tem visual mais arredondado, é menor e mais esportivo, mas conta até com versões de motores fracos para atender à apreciação dos europeus mais frugais. Já o Tiguan para as Américas tem tamanho bem mais avantajado e aposta em motores maiores.

O Tayron é o que o Tiguan Allspace era: um carro maior, com opção de sete lugares e visual bem próximo ao que o nosso SUV oferece no Brasil. Só que, na Europa, a Volkswagen apostou em uma estratégia curiosa. Ele tem versões de sete lugares, mas, se você optar pelo Tayron PHEV, não pode levar o banco no fundão.

Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

E foi justamente com essa variante eletrificada que tivemos nosso primeiro contato com o SUV grande da Volkswagen. Ele acabou servindo como spoiler do que a marca pode oferecer no futuro em termos de híbridos. Mas também é um alento para quem é fã dos sete lugares do Tiguan Allspace, mostrando que ele ainda está vivo. Só mudou de nome.

Combinação interessante

Para compor o conjunto mecânico do Tayron PHEV, a Volkswagen combina um motor 1.5 eTSI quatro cilindros turbo MHEV com um conjunto de motores elétricos. Ele pode entregar 204 cv ou 272 cv de potência combinada, a depender da versão escolhida. Pode parecer pouco frente aos chineses, mas é suficiente. Sem empolgação.

Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

Independentemente da configuração, o motor elétrico sempre tem 115 cv. O que muda é a calibragem do 1.5 eTSI, que pode entregar sozinho 150 cv ou 177 cv. O motor elétrico recebe energia de uma bateria de 25,7 kWh, que garante 126 km de autonomia totalmente elétrica.

Como o gerenciamento do uso dos motores elétrico e a combustão se assemelha muito ao dos chineses, o Tayron consegue rodar 900 km com um tanque. É diferente de outros modelos europeus, que costumam torrar a carga da bateria para depois usar o motor a combustão.

Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

Estilo China

Não dá para negar que as marcas chinesas dominaram a maneira de fazer um carro híbrido, mas foi bom ver como uma marca tradicional aplicaria a mesma receita. No final, a Volks conseguiu um ótimo resultado no Tayron PHEV. Ele alterna entre o uso dos sistemas elétrico e a combustão com muita sutileza.

Como a Volkswagen tem uma pegada mais esportiva em seus carros, é possível ouvir o trabalho do 1.5 TSI com mais presença. Ainda assim, não há trancos ou solavancos quando um ou outro motor entra em ação. Em baixa velocidade, ele costuma priorizar o elétrico, mas também pode acioná-lo na estrada sem problemas.

Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

Um Taos

Com tamanho muito semelhante ao do Jeep Commander, o Volkswagen Tayron parece ter bebido da mesma fonte do Taos. Até porque os dois compartilham a mesma plataforma. Ele tem o DNA Volks, com resposta rápida da direção e um acerto mais firme de direção e suspensão. Mas é nitidamente feito para o conforto.

Ele absorve bem os impactos do solo e as oscilações do piso, mantendo a carroceria firme e estável. Mesmo em terrenos mais irregulares, está na mão o tempo todo, entregando uma experiência de condução mais agradável que a de muito modelo mais potente do que ele.

Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

Vale destacar também outra grande vantagem do Volkswagen Tayron frente aos carros chineses: o acerto dos sistemas ADAS. Eles funcionam muito bem e de maneira natural, como um auxílio para o motorista, não como uma babá eletrônica desesperada e altamente intrusiva.

Tiguanzão

Por dentro, Tiguan e Tayron se confundem, usando o mesmo painel, as mesmas telas e o mesmo acabamento. Pensando que, no Brasil, ele seria facilmente um carro de R$ 300 mil, deixa a desejar. Não que faltem acabamentos macios, presentes nas portas e no painel, mas eles não são tão refinados quanto os do Jeep Commander e dos chineses.

Interior Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Tayron PHEV [Auto+ / João Brigato]

Os encaixes são bem feitos e há qualidade na montagem, mas nada extraordinário ou que transmita diretamente a sensação de alto refino esperada de um carro desse tamanho e proposta. É um padrão austero alemão: funcional, bem feito, com excelente ergonomia, mas sem nenhum fru-fru impressionante.

Ainda falta ele passar pela nova escola de interiores da Volks, como a do ID.Polo. Afinal, os comandos touch do ar-condicionado em uma barrinha da central multimídia são muito ruins. Há também outros comandos sensíveis ao toque que não precisavam existir.

Um ponto superpositivo do Volkswagen Tayron, contudo, são suas telas. A central multimídia e o painel de instrumentos são fáceis de usar, trazem qualidade invejável para vários chineses, além de um visual moderno e elegante. A central oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, o que também merece destaque.

Gigantescamente enorme

Outro ponto de destaque do Volkswagen Tayron está no espaço interno. Ele é bem grande, afinal, foi pensado para sete lugares. Na configuração do modelo testado, com cinco assentos, o espaço para as pernas no banco traseiro é gigantesco. Isso também vale para a cabeça.

Ele traz ar-condicionado digital de três zonas, cortinas nas portas e regulagem mecânica do assento traseiro. Destaque ainda para os bancos, que são bem confortáveis e trazem uma combinação de tecido, couro e suede extremamente elegante na versão R-Line testada.

Veredicto

Se a Volkswagen trouxer o Tayron ao Brasil, terá de fazer uma escolha difícil: oferecer eletrificação ou sete lugares? Ambas as configurações têm forte apelo de mercado, especialmente porque o brasileiro gosta desses dois tipos de carro. Pena que a marca não consegue combinar as duas coisas em um carro só.

Vindo mais caro que o Tiguan, mas sendo mais espaçoso e maior, o Tayron pode cumprir o papel que o Allspace tinha antigamente como SUV para a família. O problema é que os chineses hoje entregam muito por menos. É uma aposta arriscada que talvez até faça sentido para a VW, mas que pode custar caro demais.

Você teria um Volkswagen Tayron? Conte nos comentários.

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