Os SUVs concentram a maior parte das vendas de automóveis no Brasil e, no acumulado de 2026 até setembro, já são 58,29% dos emplacamentos, segundo a Fenabrave. Entre os próximos lançamentos, o Omoda 4 da Omoda & Jaecoo aparece como um dos mais aguardados, principalmente pela promessa de oferecer um conjunto híbrido potente, econômico e com tecnologia em uma categoria dominada por modelos tradicionais.
O Auto+ deu a volta ao mundo e foi até a China conhecer e dirigir em primeira mão o futuro rival de Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Nissan Kicks, Honda HR-V, WR-V e Jeep Renegade. Inicialmente, também esperávamos colocar na lista Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Chevrolet Sonic. Só que nessa viagem tivemos acesso a informações sobre o projeto que mudaram um pouco essa expectativa.
O Omoda 4 não será necessariamente um produto inferior ao Omoda 5, como a numeração poderia sugerir. Segundo a fabricante, os dois têm a mesma plataforma, mas terão propostas diferentes de identidade e experiência a bordo. A marca também deixou claro que não pretende entrar em uma guerra de preços apenas para posicioná-lo abaixo do irmão maior.



Com lançamento confirmado para o segundo semestre de 2027, não seria difícil imaginar o Omoda 4 na faixa entre R$ 150 mil e R$ 180 mil, dependendo da configuração. É apenas uma estimativa, porque a marca ainda não definiu preços para o Brasil. Entretanto, depois de conhecer melhor o projeto, ficou claro que ele terá argumentos para disputar diretamente com SUVs compactos mais caros e tradicionais.
O híbrido tem força de sobra para a categoria
O Omoda 4 tem a mesma base mecânica que conhecemos do Omoda 5 HEV e do Jaecoo 5 HEV. O sistema SHS-H combina um motor 1.5 turbo de quatro cilindros com dois motores elétricos integrados à transmissão, sendo um deles responsável principalmente pela tração e o outro pela geração de energia. A potência combinada chega a 224 cv e 30,1 kgfm de torque, com uma transmissão híbrida DHT de marcha única.

A bateria tem 1,83 kWh e recupera energia durante frenagens e desacelerações, dispensando qualquer recarga externa. Além disso, a Omoda & Jaecoo confirmou que o SUV chegará ao mercado já flex.
Ao volante, toda essa potência aparece muito bem distribuída. O Omoda 4 precisa movimentar 1.550 kg e consegue acelerar de 0 a 100 km/h em 8,1 segundos, segundo a fabricante. É um resultado muito bom para um SUV compacto híbrido, mas o que mais agrada não é necessariamente o tempo de aceleração. É a facilidade com que o carro sai da inércia e ganha velocidade.
Sem recarga extrerna

Na cidade, o motor elétrico assume boa parte do trabalho e entrega torque praticamente no mesmo instante em que pressionamos o acelerador. Isso deixa as saídas de cruzamentos, mudanças rápidas de faixa e pequenas retomadas bem mais facilitadas que os rivais só a combustão. O Omoda 4 acorda, sem aquela espera pelo turbo ganhar pressão.
O funcionamento lembra bastante o de um elétrico em baixa velocidade. Quando existe carga suficiente na bateria e a exigência é pequena, o motor a combustão permanece desligado. Conforme aumentamos a pressão no acelerador ou a velocidade, o térmico entra em funcionamento para gerar energia ou participar da tração.

É um gerenciamento semelhante ao de outros híbridos plenos, como o Toyota Corolla Cross, mas com uma presença maior da força. E gostei da maneira como essa transição acontece. O motor térmico entra em funcionamento sem ter vibrações excessivas ou alterar bruscamente a resposta do carro.
O isolamento acústico também ajuda, porque a cabine fica bastante silenciosa durante boa parte da condução. Mesmo quando o 1.5 precisa trabalhar mais, a aspereza fica bem contida e não compromete o conforto.
Na estrada, o elétrico continua fazendo a diferença

Foi quando entramos na estrada que percebi melhor o potencial do conjunto. As acelerações e retomadas são vigorosas, com força suficiente para encarar ultrapassagens sem grandes preocupações. O Omoda 4 ganha velocidade com facilidade e tem uma resposta bastante linear, mesmo quando o motor a combustão passa a trabalhar com maior frequência.
A ligação entre os motores é um dos melhores aspectos dessa configuração. O elétrico entrega a força inicial e preenche as respostas nas acelerações, enquanto o quatro cilindros turbo participa conforme a exigência. Assim, o carro não apresenta aquela demora de alguns conjuntos convencionais para recuperar velocidade, principalmente quando já estamos em ritmo de cruzeiro.



Entre os SUVs compactos que deverá enfrentar no Brasil, a sensação de desempenho é realmente superior à de boa parte dos modelos equipados apenas com motores 1.0 turbo. O trabalho do motor elétrico faz a diferença nas situações em que precisamos de força imediata.
Ainda assim, existe uma característica que poderia ser melhor. A direção elétrica tem um peso que considero um pouco exagerado, principalmente nas manobras e em velocidades mais baixas. A central permite alternar entre os modos Conforto e Esportivo, mas mesmo na configuração mais leve senti uma assistência artificial.

Não chega a comprometer a experiência e até acredito que boa parte do público brasileiro gostará dessa sensação de volante mais firme. O problema está na comunicação. Apesar do peso, a direção não transmite com tanta precisão o que acontece entre as rodas dianteiras e o asfalto, principalmente quando comparada aos conjuntos de Volkswagen e outras fabricantes tradicionais.
Uma suspensão que merece elogios
A suspensão, por outro lado, foi uma das coisas que também agrada. O Omoda 4 tem um conjunto independente nas quatro rodas, com McPherson na dianteira e multilink na traseira, algo que ainda não encontramos na maioria dos SUVs compactos vendidos no Brasil.

O T-Cross, Creta, Tracker e Kicks, por exemplo, continuam usando eixo de torção atrás, enquanto o chinês oferece uma arquitetura mais elaborada. Com isso, o acerto também parece bastante competente. Existe aquela maciez típica de muitos chineses, mas os amortecedores conseguem controlar bem os movimentos da carroceria, sem deixar o chassi balançando por tempo demais.
Nas poucas irregularidades que enfrentamos, o conjunto absorveu os impactos com suavidade e manteve o carro bem assentado. É claro que ainda falta uma avaliação nas ruas brasileiras, já que na China andamos em um tapete.

Nas curvas, o Omoda 4 também apresentou um bom comportamento. A carroceria inclina um pouco, e a transferência de peso acontece de maneira progressiva. Em geral, é uma sensação semelhante ao do Omoda 5, o que faz sentido considerando a plataforma compartilhada.
Anda bem e consegue beber muito pouco
Toda essa força elétrica também ajuda bastante quando o assunto é consumo. Em trechos urbanos, registramos médias entre 20 e 22 km/l, enquanto na estrada, mantendo velocidade de cruzeiro, o computador de bordo indicou 16,9 km/l. São números excelentes para um SUV.

Vale lembrar que esses números foram registrados durante nosso contato com a gasolina chinesa, condições de trânsito e pavimentação diferentes das brasileiras. Mas não deve ficar muito atrás em nosso mercado, visto que o Omoda 5 tem consumo muito bom também.
O interior é mais simples que o do Omoda 5
Se o conjunto mecânico vai na mesma orquesta do Omoda 5, o acabamento mostra uma diferença mais clara entre os dois. O modelo maior tem materiais macios em boa parte do painel, enquanto o 4 aposta em uma apresentação mais simples, com plástico rígido na região superior do tabelier.



Isso não significa que o interior seja ruim. As portas dianteiras recebem revestimento macio na parte superior e bons apoios acolchoados para os braços, enquanto os encaixes e a construção dos componentes passam uma impressão positiva. Mas existe, sim, uma economia maior nos materiais.
A ergonomia, em compensação, me agradou bastante. O banco permite encontrar facilmente uma posição confortável, mesmo com uma altura relativamente alta. Existe boa amplitude de ajuste e os principais comandos ficam ao alcance das mãos. Só o volante me pareceu pequeno demais, principalmente pelo desenho mais esportivo, embora seja uma questão de adaptação.

O painel de instrumentos digital tem 8,8 polegadas e apresenta boa resolução, mas oferece pouca personalização. A maior parte das informações ficam fixadas. Já a central multimídia vertical de 13,2 polegadas tem uma apresentação mais moderna. Eu gostei da resolução e da rapidez nas respostas, assim como o Jaecoo 5. Ele oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio.
Equipamentos de sobra
O Omoda 4 que dirigimos também tinha uma lista bastante generosa de equipamentos. Entre os principais estavam carregador de celular por indução de 50 watts, freio de estacionamento eletrônico com auto hold, chave presencial com partida por botão e bancos dianteiros com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento.

O teto panorâmico de vidro também chama atenção, embora não haja uma cortina para bloquear a entrada de luz. Além disso, encontramos faróis de LED com acendimento automático.
O pacote de assistências também é completo. O piloto automático adaptativo funcionou bem durante nosso percurso, com respostas suaves para acompanhar a velocidade do trânsito. O sistema ainda reúne assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência e recursos de estacionamento semiautônomo.



A câmera com visão ao redor do veículo apresentou boa resolução. Entretanto, essa era uma unidade de especificação chinesa. A Omoda & Jaecoo ainda precisa definir quais equipamentos estarão presentes em cada versão brasileira.
Tem mais espaço do que a numeração sugere
O espaço interno também foi uma surpresa positiva. O Omoda 4 mede 4,42 metros de comprimento e tem 2,70 metros de entre-eixos, números que o colocam em vantagem dimensional diante de vários SUVs compactos tradicionais. Curiosamente, ele também oferece sete centímetros a mais de entre-eixos do que o próprio Omoda 5.



E essa diferença aparece na segunda fileira. Existe bastante espaço para as pernas e uma boa distância entre os joelhos e os bancos dianteiros, mesmo com uma posição de dirigir ajustada para alguém mais alto. A acomodação também é agradável pela largura da cabine, enquanto o assoalho plano ajuda a aproveitar melhor a região central.
Veredito
O Omoda 4 tem armas fortíssimas para disputar esse mercado cada vez mais concorrido de SUVs compactos e subcompactos. O conjunto híbrido me agradou bastante, principalmente, pelo consumo que registramos. A suspensão também mostrou um bom acerto, enquanto o espaço interno e os equipamentos colocam o modelo em condições de enfrentar T-Cross, Creta, Tracker e companhia sem nenhuma dificuldade.

O que ainda me deixa com a pulga atrás da orelha é o posicionamento. Sinceramente, não vejo muito sentido em colocar Omoda 4 e Omoda 5 em uma faixa de preço semelhante, diferenciando os dois principalmente pela identidade visual e tecnológica. Existe um risco claro de canibalização, ainda mais porque compartilham a plataforma e poderão utilizar o mesmo conjunto híbrido.
O Omoda 4 faria muito mais sentido como uma opção mais acessível, principalmente agora que a marca descartou o motor 1.0 turbo para o projeto que conhecemos. De qualquer forma, o Omoda 4 convence, e muito, como produto.
E você, colocaria o Omoda 4 na garagem quando chegar ao Brasil? Deixe seu comentário!


