Há anos, a Volkswagen dorme na sombra quando o assunto é o segmento de carros elétricos. Ela entrou na categoria alugando a Kombi e o ID.4, depois decidiu vender o SUV. Mas, na Europa e na China, já tem uma linha extensa de modelos bem interessantes. Entre eles, está o Volkswagen ID.Polo.
Recentemente lançado no Velho Continente, o Volkswagen ID.Polo tem feito um gigantesco sucesso. A fila de espera é tão grande que quem comprar agora só vai recebê-lo no ano que vem. A marca projetava vendas mais otimistas, mas o modelo surpreendeu pela demanda. E pudemos testar o carro, que tem a cara do Brasil.
O Dolphin da Volkswagen
Com 4,05 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,53 m de altura e 2,60 m de entre-eixos, ele é um pouco menor que o BYD Dolphin e o Geely EX2, mas não tanto quanto um BYD Dolphin Mini. Na real, tem o mesmo porte do Polo a combustão, que segue forte no Brasil e está em vias de se aposentar na Europa.
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Isso o coloca em uma faixa de tamanho muito interessante para o mercado brasileiro. Mas também revela o que talvez seja sua única falha perante os chineses: o espaço interno. O ID.Polo é apertado na segunda fileira por conta do entre-eixos comedido.
Eu, com 1,87 m de altura, até consigo me sentar atrás de um motorista de mesmo porte, desde que ele aceite que meus joelhos ficarão em constante contato com suas costas. A cabeça encontra uma área até que boa, mas sem muita folga. Quem senta atrás não tem saída de ar, mas conta com duas tomadas USB.



Outro destaque muito positivo é o porta-malas de 441 litros. Ele é dividido em dois andares e tem um verdadeiro alçapão onde poderia ficar um estepe. Aliás, é algo que a Volkswagen deseja fazer caso esse carro venha ao nosso país. Como o motor fica na frente, não há frunk.
Volkswagen mesmo?
Só que o que mais me surpreendeu no ID.Polo foi o acabamento. Enquanto, no Brasil, a VW é referência de acabamento simples até demais para algumas categorias, aqui, no Polo elétrico, a marca prestou atenção no que os chineses estão fazendo e tentou aplicar a fórmula o mais próximo possível.

Ele tem uma larga faixa de tecido que cobre todas as portas, material usado também no painel e nas laterais do console. Esse revestimento pode ser cinza ou preto, dependendo da escolha do cliente. Há ainda outra faixa de tecido macio no painel e elementos em couro.
Os encaixes são impecáveis e, onde há plástico, o material tem boa qualidade. E pensar que, no Brasil, o Polo tem um dos piores acabamentos da categoria. Mas isso se deve à pressão chinesa, que coloca couro e revestimentos premium até em carros de entrada.

Pensamos, sim
Só que algo em que os chineses vacilam e o Volkswagen ID.Polo dá aula é a ergonomia. Ele tem uma faixa de botões, todos físicos e de bom tamanho, para controlar o ar-condicionado. O retrovisor tem seu próprio botão de regulagem, os faróis trazem comandos físicos e até o volume do rádio tem um rotor dedicado.
Em tempos em que alguns chineses abrem mão até de uma chave para parecerem modernos, a Volkswagen fez as coisas à moda tradicional. Assim, mostra que uma cabine pode ser altamente moderna sem ser um saco de usar no dia a dia. Outro elogio que vale é para as telas do ID.Polo.


Ele traz painel de instrumentos totalmente digital, de alta definição, com quatro opções diferentes de mostradores. Mas você pode ignorar todos eles e usar o cluster digital inspirado no painel do Gol quadrado dos anos 1980. Ele traz todas as informações necessárias com um toque retrô insuperável.
A central multimídia oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio em uma tela grande, alta e de boa definição. É o sistema mais atual da Volks, que vemos em carros como a Kombi elétrica, o ID.4, o Tiguan e o Golf GTI. É mais fluido e rápido que o VW Play e deveria se tornar padrão também na linha nacional.
Personalidade de um VW

Debaixo do capô, o Volkswagen ID.Polo traz sempre um motor elétrico. Existem versões de 116 cv, 135 cv, 211 cv e, futuramente, a GTI com 226 cv. Todas, porém, entregam os mesmos 29,5 kgfm de torque. Pudemos avaliar a configuração mais potente antes da chegada do GTI.
Nessa configuração, o ID.Polo é bem ágil e rápido, com comportamento divertido para um hatch pequeno. Ele acelera sem vacilar e até chega a cantar pneu em alguns momentos. Mas, diferentemente de alguns chineses, em que a frente passarinha, isso não acontece no Volkswagen.

Isso porque a marca alemã acertou muito bem a dinâmica do carro, algo com que a grande maioria das chinesas nem se preocupa. Ele tem direção puxada para o lado mais pesado, mas é direta e rápida nas reações, além de sempre conectada ao carro.
A suspensão também segue essa pegada e lembra muito o comportamento do Polo a combustão. É um carro bom de curva, muito estável e até prazeroso quando anda mais rápido do que deveria em curvas e estradas sinuosas. Nessa hora, ele mostra o potencial da versão GTI.

Com duas opções de bateria, o Volkswagen ID.Polo pode rodar entre 329 km e 455 km, a depender da opção escolhida. Ou seja, tem autonomia superior à de alguns rivais na faixa dos hatches elétricos de entrada, ainda que as medidas tenham sido feitas no ciclo WLTP, bem mais otimista que o nosso Inmetro.
Veredicto
Agora, a Volkswagen não consegue trazer o ID.Polo para o Brasil. Ele ficaria muito caro e tem na demanda europeia seu grande foco no momento. Só que precisa vir ao Brasil. A marca estuda fazer isso depois de 2028, o que pode ser tarde demais diante do avanço chinês.

Mas o Volkswagen ID.Polo pode ser um acerto enorme da marca alemã se chegar ao país posicionado na mesma faixa do BYD Dolphin SE ou do GWM Ora 5. Seria um pouco mais caro que os modelos de entrada, mas não muito distante do valor de um Nivus. E, sem contar que foge do estigma de carros de entrada fofinhos que os chineses vêm impondo.
Você teria um Volkswagen ID.Polo? Conte nos comentários.
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